Fundação Vanzolini

Educação municipal entra em nova fase com foco em dados, governança e inteligência artificial

1 de abril de 2026 | 8min de leitura
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Especialistas discutem os desafios e caminhos para a educação municipal no novo Plano Nacional de Educação, com destaque para o papel da tecnologia, da gestão baseada em dados e o lançamento da plataforma MAYA pela Fundação Vanzolini

No dia 24 de março de 2026, a sede da Google em São Paulo foi palco de um encontro que reuniu especialistas, gestores públicos e instituições para discutir os rumos da educação municipal no Brasil.

O evento “Educação Municipal em Transformação: Diagnóstico, Financiamento e Inovação para o Novo PME” evidenciou um consenso: a educação vive um momento de inflexão e a tecnologia, aliada à gestão baseada em dados, será determinante para os próximos anos.

A abertura foi conduzida por Caio Fontana, coordenador de Projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Fundação Vanzolini, que resgatou a trajetória da instituição no apoio à educação pública. Ao longo das últimas décadas, a Fundação tem atuado na concepção, implantação e operação de redes educacionais, integrando tecnologia, formação e gestão.

Em sua fala, Caio destacou um ponto central: apesar das profundas transformações tecnológicas, o modelo de ensino ainda se mantém, em muitos casos, semelhante ao de mais de um século atrás. “A sala de aula, o professor à frente, os alunos enfileirados, esse formato começa a ser tensionado por novas possibilidades”, indicou, reforçando que a Fundação está preparada para apoiar essa transição com soluções estruturadas.

Representando o Google for Education na América Latina, Rodrigo Pimentel destacou que a tecnologia deve atuar como suporte ao professor, e não como substituta. Ele reforçou a necessidade de capacitação docente para o uso efetivo da inteligência artificial no ambiente educacional.

Na sequência, especialistas da Google apresentaram, de forma breve, soluções voltadas à aprendizagem, como ferramentas de leitura assistida por IA, dispositivos educacionais e plataformas digitais.

Desigualdades e novos caminhos para a educação municipal

O professor Carlos Eduardo Sanches trouxe uma análise aprofundada sobre os desafios estruturais da educação municipal no Brasil, especialmente no contexto do novo Plano Nacional de Educação.

Ele destacou que a desigualdade educacional permanece como um dos principais entraves: estudantes de níveis socioeconômicos mais altos apresentam desempenho significativamente superior em português e matemática quando comparados aos de menor renda.

Esse cenário também se reflete em recortes raciais, evidenciando uma distância que, embora os indicadores médios estejam melhorando, ainda persiste e, em alguns casos, se amplia.

O professor também abordou mudanças relevantes no financiamento da educação, como a consolidação do Fundeb permanente por meio da Emenda Constitucional 108/2020 e a criação de mecanismos como o VAAR, que vinculam recursos à melhoria da aprendizagem e à redução das desigualdades.

O novo modelo de financiamento exige mais do que execução: exige capacidade de gestão, acompanhamento e entrega de resultados”, explicou Sanches.

Ao tratar dos caminhos para superar esses desafios, o especialista foi direto: não há solução sem governança, dados e acompanhamento contínuo. Entre os pontos destacados estão o fortalecimento da gestão das secretarias, a atuação colaborativa com as escolas, a microgestão pedagógica orientada por evidências, a valorização dos profissionais da educação e a implementação de rotinas consistentes de monitoramento e avaliação.

Durante o debate com Fu Kei Lin, assessor da Vanzolini, Sanches reforçou que diagnósticos genéricos não funcionam. Cada município precisa compreender sua própria realidade, organizar seus dados e estruturar um planejamento estratégico consistente, apoiado, sempre que possível, por parcerias técnicas qualificadas. “Não adianta importar soluções prontas. O caminho é construir respostas a partir do diagnóstico concreto de cada município”, finalizou.

Tecnologia, propósito e o papel do professor

O segundo convidado especial, Rafael Parente, trouxe uma reflexão sobre a implementação da BNCC Computação diante do avanço acelerado da inteligência artificial.

Segundo ele, a questão central não é apenas incorporar tecnologia, mas entender seu propósito pedagógico. “A tecnologia chegou. Mas a pergunta mais importante é: para quê, para quem e com qual projeto pedagógico?”, provocou.

Parente destacou que, em um cenário em que máquinas já produzem conhecimento, ganham ainda mais relevância competências humanas como pensamento crítico, criatividade, ética e colaboração. Nesse contexto, o professor assume um papel ampliado, não como operador de tecnologia, mas como mediador do aprendizado.

Ele também reforçou que a inteligência artificial deve ser vista como aliada: capaz de apoiar a personalização do ensino, a formação docente e o acompanhamento mais preciso da aprendizagem, desde que integrada a uma estratégia pedagógica consistente.

A virada de chave: dados, gestão e transformação em escala

Encerrando o evento, a Fundação Vanzolini apresentou a palestra que sintetizou os principais pontos discutidos ao longo do dia: a necessidade de integrar tecnologia, formação docente e gestão baseada em dados em um modelo estruturado de transformação educacional.

A apresentação, conduzida por Fabiula Pimentel e Bruno Oliveira, destacou um fluxo integrado que parte de escolas inovadoras, promove mudança de mindset e viabiliza a recuperação da aprendizagem em escala. Nesse modelo, a tecnologia não atua de forma isolada, mas conectada a elementos estruturantes como formação de professores, uso de dispositivos digitais, alinhamento à BNCC e integração com o Plano Municipal de Educação.

“A formação continuada precisa deixar de ser pontual e passar a ser uma jornada estruturada, acompanhada e orientada por evidências”, destacou Fabiula, consultora educacional da Fundação.

O princípio é claro: sem indicadores, não há gestão; sem acompanhamento, não há impacto.

MAYA: a inteligência da rede educacional

O principal anúncio do evento foi a apresentação da plataforma de aprendizagem MAYA, desenvolvida pela Fundação Vanzolini como uma solução inovadora para redes públicas de ensino. Orientada por inteligência artificial e estruturada a partir de dados, a plataforma foi concebida para integrar diferentes dimensões da gestão educacional em um único ambiente. Mais do que um sistema de ensino, a MAYA se propõe a ampliar a inteligência da rede

Entre seus principais diferenciais estão a oferta de um ambiente estruturado para formação continuada de professores, a gestão acadêmica integrada das jornadas formativas e o uso de IA para análise de dados, identificação de padrões e geração de recomendações personalizadas. A estrutura pedagógica é orientada por competências, conectando formação, prática e resultados.

“A proposta da MAYA é integrar a inteligência da rede, conectando formação, prática pedagógica e resultados em um único ambiente”, explicou Fabiula.

A plataforma também organiza, em um fluxo único, etapas como produção de conteúdo, oferta de cursos e certificação, eliminando retrabalho e garantindo rastreabilidade. Funcionalidades como gestão de inscrições, agenda consolidada e certificação automática reforçam a eficiência operacional.

“O grande desafio não é apenas implementar tecnologia, mas garantir que ela esteja alinhada ao projeto pedagógico e às metas da rede” complementou Bruno Oliveira, gerente de projetos da Vanzolini.

Outro destaque é sua capacidade de escalabilidade: projetada para atender à realidade do setor público brasileiro, a MAYA suporta acessos simultâneos, ajusta automaticamente sua capacidade conforme a demanda e permite crescimento contínuo sem necessidade de reestruturação técnica.

Um novo modelo de gestão para a educação pública

A apresentação evidenciou uma mudança de paradigma na gestão educacional. O novo cenário exige metas claras, indicadores bem definidos e acompanhamento contínuo substituindo modelos declaratórios por uma lógica orientada a resultados.

Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser um elemento acessório e passa a ser parte central da governança educacional. Cada ação gera dados, cada dado gera indicadores e são esses indicadores que orientam a tomada de decisão.

O evento reforçou que o futuro da educação municipal no Brasil passa pela capacidade de integrar pessoas, processos e tecnologia de forma consistente. E, sobretudo, pela construção de soluções que respeitem a realidade de cada rede, ao mesmo tempo em que ampliam sua capacidade de aprender, evoluir e gerar impacto.

A Fundação Vanzolini, ao apresentar a MAYA, sinaliza um passo concreto nessa direção: transformar dados em inteligência e inteligência em melhores resultados educacionais.

Para mais informações, entre em contato pelo 11 95044-3309

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