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A educação a distância e a instituição escolar

A educação a distância e a instituição escolar

Uma reflexão sobre a democratização do ensino e as contribuições da escola para a formação do cidadão

Como fazer o conhecimento chegar mais longe num país com dimensões continentais e tamanhas complexidades, como a realidade brasileira?

A educação a distância (EaD) tem sido apontada como um dos caminhos para se alcançar a equidade no acesso à educação, e tem crescido de forma significativa nos últimos dez anos. Um cenário que requer acompanhamento, cuidado e uma certa reflexão.

Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), em 2019, a porcentagem de ingressantes em cursos de graduação na modalidade cresceu 16,1% na rede pública. Já na rede privada, a alta foi de 43,8%. Ainda no mesmo ano, o Censo de Educação Superior  apontou que mais da metade dos alunos matriculados em cursos de Licenciatura se formaram na educação a distância.

E a pandemia do novo coronavírus impulsionou ainda mais a modalidade, fazendo com que, em 2020, pela primeira vez na história da Educação brasileira, o número de matrículas na EaD fosse maior que nos cursos presenciais.

EaD é visto como uma das opções para equidade no acesso à educação

Qualidade e aprimoramento constantes

Ghisleine Trigo, presidente do Conselho Estadual da Educação (CEE), reconhece a relevância da EaD para o acesso ao Ensino Superior, mas ressalta que um dos pontos a serem considerados diz respeito à qualidade dos cursos. Segundo a especialista, para que ela seja garantida, é preciso um acompanhamento próximo dos órgãos de governo. “É necessário que o Poder Público garanta as condições adequadas de regulação e supervisão da modalidade. O que implica, entre outros aspectos, a garantia de uma base de dados transparente, ágil e acessível que possa orientar a elaboração das políticas públicas para o setor, bem como o acompanhamento das ações das universidades públicas e privadas, com base em requisitos de qualidade e bom desempenho, além do fortalecimento dos Conselhos Estaduais de Educação, em especial, no que se refere a orientações e regulamentações que buscam o rigor na garantia da excelência”, comenta.

Sobre os exames que medem a qualidade do ensino, a presidente do CEE destaca que o descredenciamento das instituições que não atendem aos requisitos de bom desempenho não pode deixar de acontecer.

Ensino que impacta

Quando se trata do esforço para democratizar o acesso à educação, Ghisleine Trigo compartilha alguns dos resultados positivos que a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP), voltada exclusivamente para a EaD e vinculada ao CEE, obteve e que chamam a atenção.

No último ano, 75% dos vestibulandos da instituição eram da primeira geração de universitários da família. Deste total, 82% concluíram o Ensino Médio na rede pública. Em relação à renda, 79% dos jovens que buscaram uma vaga na universidade declararam contribuir para o orçamento familiar, sendo que 28% disseram ser responsáveis pelo sustento da casa, características que revelam como a UNIVESP contribui para o acesso da sociedade a mais oportunidades.

O pioneirismo da FCAV na democratização do ensino

O que hoje é uma realidade para muitos brasileiros, há mais de duas décadas era um projeto que começava a ser planejado por especialistas da área de Gestão de Tecnologias da Educação (GTE), da Fundação Carlos Alberto Vanzolini. Há mais de vinte anos, a FCAV reconhecia o ensino mediado pela tecnologia como uma alternativa para o desenvolvimento profissional de professoras e professores da rede pública no Estado de São Paulo.

Em 2000, a GTE foi responsável pela modelagem e implementação de uma metodologia de formação mediada por tecnologias que articulava o ensino presencial com um ambiente virtual de aprendizagem, a partir de videoconferências e materiais impressos. Prática hoje denominada de ‘ensino híbrido’.

Beatriz Scavazza, coordenadora-executiva da GTE, destaca que na primeira etapa deste projeto, 6.200 professoras e professores da rede pública estadual de ensino obtiveram o diploma de licenciatura plena em Pedagogia pelas maiores universidades paulistas (USP, UNESP e PUC-SP); e numa segunda etapa, foi a vez de mais 11.200 profissionais das redes municipais do Estado se formarem.

“Me emociono até hoje em pensar na mudança que ajudamos a promover na vida de cada uma daquelas pessoas que não teriam tido a chance de cursar uma universidade não fosse dessa maneira. Foi o primeiro de muitos projetos que realizamos ao longo dos anos na GTE e que contribuíram para a implementação de políticas públicas educacionais”, conclui a coordenadora.

 

Futuro da educação presencial foi questionado durante a pandemia

A EaD pode colocar a escola em risco?

Com o crescimento acelerado da modalidade a distância e a necessidade da criação de um modelo que permitisse que os alunos da Educação Básica tivessem a possibilidade de estudar de forma remota durante a pandemia, muito se falou sobre o futuro da Educação, questionando até mesmo a importância da instituição escolar. Estariam as escolas ameaçadas?

Luis Marcio Barbosa, coordenador de Inovação Educacional da GTE, avalia que não. Quando reflete sobre a Educação nas próximas décadas, chama a atenção para o relatório mais recente da Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco), “Reimaginar juntos nossos futuros”. O material é resultado de um processo de dois anos de trabalho com a participação de educadores e especialistas de todo o mundo, coordenado pela comissão internacional sobre os futuros da educação da entidade, e aponta para a necessidade de um novo contrato social para a Educação.

Tomando como base o documento, Luis destaca que este relatório parte de três perguntas essenciais para pensarmos a Educação até 2050: O que deveríamos seguir fazendo? O que deveríamos deixar de fazer? O que deveríamos reinventar de forma coletiva?

Ele também ressalta que não se trata do fim da escola, mas da sua transformação, em todos os seus aspectos, já que se espera dela uma experiência comprometida com a construção coletiva de uma sociedade mais justa e sustentável. “As tecnologias digitais devem estar a serviço dessas finalidades, como meio e instrumento de aprendizagem, acesso ao conhecimento e colaboração, e não ceder à tentação de estar no lugar da experiência escolar ou mesmo do professor, que deve ser considerado como um profissional que fortalece o trabalho coletivo e colaborativo de produção de conhecimento e de autoria nas transformações das experiências de aprendizagem”, comenta o gestor da GTE.

Para Luis Marcio, a Educação implica a possibilidade de imaginar, e, portanto, gestar novos futuros, como já refletia o personagem Riobaldo, na obra “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa: “Posso não ter muito conhecimento e/ou experiência, porém, desconfio de como as coisas sucedem já que possuo imaginação”.

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