
Somente em 2024, o volume global de dados criados, capturados, copiados e consumidos foi de 149 zettabytes, de acordo com a Statista. Para 2025, a projeção global estimava um volume ainda maior, chegando a 181 zettabytes.
Esse crescimento é impulsionado pelo uso crescente de dispositivos IoT, processamento de dados em tempo real e armazenamento em nuvem. Para se ter uma ideia, um zettabyte equivale a um sextilhão de bytes (1.000.000.000.000.000.000.000 bytes), ou o equivalente a armazenar 250 bilhões de DVDs.
Cerca de 90% dos dados mundiais foram gerados nos últimos dois anos e, segundo a International Data Corporation (IDC), o volume de dados armazenados globalmente dobra aproximadamente a cada quatro anos.
Essa explosão de dados gerados e processados mundialmente permite avanços importantes, mas também traz novos desafios e riscos significativos, tornando a segurança cibernética e a privacidade de dados um dos pilares fundamentais para a continuidade de qualquer negócio.
Diante dessa necessidade, o GDPR (General Data Protection Regulation) tornou-se um marco regulatório global essencial, que estabelece diretrizes rigorosas para o tratamento de tantas informações.
Para que as empresas possam operacionalizar essas exigências de forma estruturada, a norma ISO 27701 surge como a ferramenta técnica definitiva, traduzindo obrigações legais em processos de gestão eficientes.
Siga a leitura e entenda a relação entre ISO 27701 e GDPR, e também como estruturar a conformidade com a proteção de dados em nível global.
Dados são ativos valiosos das empresas em um mundo cada vez mais digital e conectado.
No entanto, na mesma medida em que a presença e o uso massivo de dados transformaram a economia e aceleraram negócios, aumentaram também a pressão por transparência.
Hoje, consumidores e órgãos reguladores exigem que as empresas demonstrem como protegem a privacidade de dados.
A proliferação de legislações ao redor do mundo reflete essa preocupação. O GDPR, em particular, exerceu uma influência global, servindo de modelo para diversas jurisdições que buscam equilibrar a inovação tecnológica com o direito fundamental à proteção de informações.
O GDP é o Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia, que tem como objetivo principal proteger a privacidade e os dados pessoais de todas as pessoas dentro da UE.
Mas, mesmo empresas sediadas fora da Europa devem atender a norma, caso ofereçam bens ou serviços a cidadãos europeus ou monitorarem seu comportamento. O descumprimento pode resultar em multas severas, tornando o compliance digital uma prioridade estratégica.
A ISO/IEC 27701 é uma norma internacional que especifica os requisitos para o estabelecimento de um Sistema de Gestão de Privacidade da Informação (SGPI). Ela provê uma estrutura dedicada à governança e ao controle da privacidade.
Como forças que se somam, a relação entre a ISO 27701 e o GDPR é de total complementaridade. Quando a ISO 27701 é implementada, ela garante que o GDPR está sendo cumprido. Ou seja, a ISO 27701 transforma requisitos legais complexos em processos estruturados e auditáveis, facilitando a demonstração de conformidade.
Ao implementar a norma, a organização estabelece um fluxo de trabalho que naturalmente atende a diversos artigos do regulamento europeu, servindo como uma evidência prática de boa-fé e diligência.
A adoção da norma permite que a empresa estruture os seguintes pontos cruciais:
O impacto do GDPR é global e, no Brasil, ele foi a principal inspiração para a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Existe uma forte convergência de princípios entre as duas leis, como a necessidade de base legal para o tratamento e o direito ao acesso aos dados pelo titular.
Empresas brasileiras que buscam o mercado internacional ou que lidam com parceiros globais encontram na ISO 27701 diretrizes importantes que facilitam a aceitação em diferentes jurisdições.
A norma é uma ferramenta de governança da informação, que vai muito além de uma simples lista de verificação. Ela integra a privacidade à estratégia das empresas, promovendo uma cultura organizacional, na qual a proteção de dados é considerada desde a concepção de novos produtos (Privacy by Design). Além disso, seu ciclo de melhoria contínua garante que a empresa se adapte a novas ameaças e mudanças tecnológicas.
A certificação é altamente recomendada para:
De acordo com o estudo “Lei Geral de Proteção de Dados: uma análise da ISO 27701 como ferramenta de controle para LGPD”, publicado em março de 2024, na Revista Ifes Ciência, que analisou como a ISO 27701 pode servir como um guia prático para que empresas se adequem à LGPD, a norma oferece uma estrutura auditável que mitiga riscos no tratamento de dados.
O artigo destaca, ainda, que a adoção da norma ajuda as organizações a demonstrarem “boa fé” e governança perante a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o mercado, funcionando como uma evidência de conformidade em casos de fiscalização.
A conquista de uma certificação é importante, mas, quando auditada por uma terceira parte independente, há uma validação imparcial dos esforços da organização. Assim, a certificação é como um selo de confiança para clientes, investidores e parceiros comerciais, reduzindo a necessidade de auditorias repetitivas de fornecedores e consolidando a posição da empresa no mercado.
Para finalizar, reforçamos que o GDPR é referência máxima em regulamentação de dados, mas sua aplicação exige método.
A ISO 27701 deve ser compreendida como uma ferramenta prática para alcançar essa conformidade global, unindo governança, segurança e competitividade em um mercado cada vez mais orientado por dados.
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Interpretação dos Requisitos ISO 27001:2022
ISO/IEC 27701 – Interpretação dos requisitos da nova versão independente
IQNET: ISO 27001 – Auditor Interno
IQNET: ISO 27001 – Auditor Líder
Tecnologias para os Controles da ISO 27001
Fontes:
Big data statistics: How much data is there in the world?
Lei Geral de Proteção de Dados: uma análise da ISO 27701 como ferramenta de controle para LGPD
Sete anos do GDPR: impactos na LGPD e o uso de dados para prevenção a fraudes