
No Dia Nacional da Educação, a comemoração passa pela reflexão de que, para evoluir no campo do ensino, é preciso contar com políticas públicas bem estruturadas e, sobretudo, com uma execução qualificada, capaz de transformar dados e recursos em dignidade e aprendizado.
O Brasil possui hoje 178,5 mil escolas e 47,3 milhões de estudantes, segundo dados do Censo Escolar 2023. Os números são expressivos, assim como as diferentes realidades que atravessam as salas de aula espalhadas pelo país.
Embora a pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostre que 162 mil escolas contem com acesso à Internet, a educação brasileira ainda sofre com lacunas e desafios que afetam diretamente o aprendizado de crianças e adolescentes.
Siga a leitura e entenda sobre os desafios, as políticas públicas e os caminhos inspiradores para transformar o ensino no Brasil.
O Dia Nacional da Educação, comemorado em 28 de abril, serve como um alerta sobre a importância de se olhar para o aprendizado e sobre a relevância estratégica que o ensino tem para o desenvolvimento de uma comunidade e de um país.
Ao longo dos anos, a Educação brasileira transitou de um modelo excludente para a universalização do acesso no ensino fundamental. Atualmente, 99,5% das crianças de 6 a 14 anos estão na escola, segundo dados do PNAD Contínua sobre Educação, divulgados pelo IBGE.
Contudo, os números não dão de abarcar o que é essencial: a qualidade e a equidade.
É preciso ir além do “colocar as crianças na escola”. É preciso que políticas públicas bem estruturadas garantam que alunos e alunas aprendam, permaneçam e concluam suas trajetórias com competências para o século XXI.
A Educação é o motor que impulsiona todos os outros indicadores sociais e econômicos de uma nação. Sendo assim, sem um sistema educacional resiliente, o crescimento do país fica estagnado.
Apesar dos avanços e da quase totalidade de crianças nas escolas, o Brasil possui um histórico desafiador, marcado por exclusão histórica, lentidão na universalização do acesso e persistentes problemas de qualidade na educação.
O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 e outros levantamentos revelam gargalos profundos:
A disparidade racial e regional é gritante. Enquanto 91,5% dos jovens brancos concluem o Ensino Fundamental aos 16 anos, esse índice cai para 80,9% entre as pessoas negras.
Além disso, apenas 37,2% dos alunos do 5º ano da rede pública têm aprendizado adequado em Língua Portuguesa e Matemática.
Embora a proporção de professores com licenciatura tenha subido para 75,3% nos anos iniciais, ainda há 19,4% de docentes na Educação Infantil sem diploma de ensino superior. A valorização vai além do diploma, passando pela implementação efetiva do piso salarial e condições dignas de trabalho.
O desafio é transpor a Base Nacional Comum Curricular do papel para a sala de aula, garantindo que as dez competências gerais sejam desenvolvidas de forma equânime em escolas com infraestruturas tão distintas, lembrando que menos da metade das escolas públicas brasileiras possuem tratamento de esgoto. A prática precisa considerar os contextos específicos de cada realidade e comunidade escolar.
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) viu suas matrículas caírem 34,5% na última década. O abandono escolar é impulsionado pela necessidade de trabalho e, em muitos contextos, pela falta de interesse em um currículo que não dialoga com a realidade dos estudantes.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) funciona como um norteador pedagógico, definindo os direitos de aprendizagem de todos os alunos. Seu foco está na tentativa de reduzir desigualdades ao padronizar o que se espera que um estudante aprenda em qualquer lugar do país.
Já a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma ferramenta de reparação histórica, voltada para os milhões de pessoas que não tiveram acesso à escola na idade convencional.
O desafio que atravessa essas duas políticas públicas é a contextualização. A BNCC exige uma adaptação local que muitas redes ainda têm dificuldade em realizar.
Na EJA, a implementação sofre com a falta de materiais didáticos específicos e modelos que integrem o ensino à educação profissional.
No recorte nacional, projetos como o de Sobral (CE), que se consolidou como caso de sucesso e se mantém há quase 10 anos em primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e em outros indicadores, demonstram que o foco em alfabetização na idade certa, aliado à gestão por resultados e apoio pedagógico, pode transformar índices mesmo em contextos vulneráveis.
O uso de IA para monitoramento preventivo da evasão escolar em municípios paulistas é outro exemplo de inovação prática.
De fora, modelos como o da Estônia, que integra competências digitais desde a base, ou de Singapura, que foca na formação contínua e rigorosa de professores, oferecem lições sobre como o investimento na carreira docente e na infraestrutura tecnológica colhe frutos em longo prazo.
A transformação digital não ficou fora da sala de aula e, hoje em dia, a tecnologia é uma ferramenta presente no ecossistema educacional, possibilitando:
Como aliada para superar os principais desafios na educação brasileira, a Fundação Vanzolini atua diretamente na ponta, apoiando a gestão pública e a formação de profissionais para lidar com a complexidade do cenário atual.
Veja a seguir as contribuições e reflexões da Vanzolini sobre temas estruturantes:
Com todas essas ações, a Fundação Vanzolini vem desempenhando um papel importante na transformação da educação brasileira.
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Fontes:
Panorama escolar brasileiro no Dia da Escola
PNAD Contínua: Indicadores educacionais avançam em 2024
Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025
Impacto da falta de estrutura na aprendizagem: Dados do Anuário 2025.