
O Brasil bateu recorde em 2025 com o maior número de afastamentos no trabalho por transtornos mentais, segundo dados do Ministério da Previdência Social.
No ano passado, mais de 500 mil pessoas tiveram que se afastar das atividades laborais por motivos de saúde mental.
Os números soam a um sinal de alerta e a questão deixa de ser uma pauta de bem-estar ou uma ação isolada de RH, para se tornar uma discussão central dentro das organizações.
Com as novas regras da NR-1, que inclui a gestão de riscos psicossociais, as empresas devem englobar a saúde mental em sua estratégia, conformidade e governança, evitando danos e prejuízos.
Para entender o que são riscos psicossociais e a importância de medidas de prevenção para negócios e pessoas, siga a leitura!
De acordo com o Ministério do Trabalho e Renda, a partir de 26 de maio de 2026, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passa a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), conforme a Portaria MTE nº 1.419/2024.
Sendo assim, esses fatores devem passar a constar no inventário de riscos ocupacionais, ao lado dos já reconhecidos riscos físicos, químicos, biológicos, de acidentes e ergonômicos.
Ainda segundo o governo, os fatores psicossociais no trabalho são situações que envolvem a maneira como as atividades são planejadas, organizadas e executadas. Quando não são bem conduzidas, essas situações podem prejudicar a saúde mental, física e social dos trabalhadores.
Como exemplos, podemos citar metas impossíveis de cumprir, excesso de trabalho, assédio moral, falta de apoio dos chefes, tarefas repetitivas ou solitárias, desequilíbrio entre o esforço e a recompensa, além de locais com falhas na comunicação.
Diferente dos riscos físicos ou biológicos, os riscos psicossociais estão relacionados a situações que envolvem a maneira como as atividades são planejadas, organizadas e executadas. Quando não são bem conduzidas, essas situações podem prejudicar a saúde mental, física e social dos trabalhadores.
Entre elas, podemos destacar:
É importante entender que esses são riscos estruturais do ambiente organizacional, e não se tratam de fraquezas individuais dos colaboradores.
Os fatores estão ligados a culturas ultrapassadas de gestão e condução de atividades, em geral, associadas a preconceitos, machismo, racismo e outras formas de exploração e dominação.
Agora, com a atualização da NR-1 e com a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), as empresas devem tratar dessas questões com o mesmo rigor técnico que um risco de queda ou choque elétrico.
A mudança de chave está no fato de que a identificação, avaliação, controle e monitoramento dos riscos psicossociais não são mais opcionais, são uma obrigação. A organização precisa apresentar estrutura, método e evidências concretas de que está agindo preventivamente.
O Ministério do Trabalho e Emprego estabeleceu que, a partir de maio de 2026, a fiscalização iniciará ações de caráter educativo e de conformidade quanto à inclusão desses fatores no GRO. Na prática, isso significa que as empresas poderão ser autuadas se não demonstrarem uma gestão consistente.
Não bastará ter um documento formal. Os auditores-fiscais avaliarão a rastreabilidade das ações e se a empresa possui evidências reais de que os riscos psicossociais foram mapeados e mitigados de forma sistêmica.
Com as novas exigências, o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) não pode ser mais um documento estático esquecido em uma gaveta. As iniciativas precisam ganhar corpo, forma e, de fato, impactar positivamente a saúde das pessoas e das empresas.
Para isso, a gestão deve ser contínua, dinâmica e considerar os seguintes passos:
Os afastamentos no trabalho são um problema grave, e ignorar os riscos psicossociais e as medidas preventivas pode trazer consequências severas ao negócio:
Para se ter uma ideia, somente na área da saúde, o impacto financeiro que o absenteísmo de profissionais envolvidos com a assistência pode provocar no sistema de saúde brasileiro pode ultrapassar R$ 25 milhões ao ano, segundo um levantamento inédito realizado pelo Programa Brasileiro de Segurança do Paciente (PBSP), do Instituto Qualisa de Gestão.
Quando existe um olhar estratégico e responsável para a saúde mental, os resultados são outros. De acordo com dados da Harvard Business Review, 60% das empresas que adotaram programas de saúde mental corporativa constataram uma melhora significativa no bem-estar dos funcionários.
Esse impacto resultou em um aumento de 20% na produtividade e em uma redução de 30% no absenteísmo. Ainda segundo a pesquisa da Harvard, as empresas que mantêm políticas de apoio psicológico e bem-estar emocional apresentam 40% menos rotatividade e 35% mais satisfação entre os colaboradores.
Confira a matéria Saúde mental no trabalho: saiba tudo sobre a vigência da nova regra da NR1 com a professora Fabiana Raulino, Fundação Vanzolini.
Uma gestão eficaz é caracterizada por um inventário de riscos que seja coerente com a realidade do dia a dia da operação. Isso exige a participação ativa das lideranças e das equipes, garantindo que o plano de ação seja implementado e não apenas planejado.
O caminho para a adequação às novas exigências normativas passa por etapas práticas. Veja a seguir algumas delas:
Vale sempre lembrar que cuidar das pessoas é um investimento estratégico essencial para os negócios. Empresas que enxergam além da multa descobrem que a gestão de riscos psicossociais é um diferencial competitivo, já que ambientes psicologicamente seguros geram maior engajamento, retêm talentos e reduzem drasticamente os custos indiretos com saúde e substituição de profissionais.
Como se trata de um tema novo e complexo para muitos profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), RH e Gestão, a capacitação técnica e o conhecimento do negócio são pilares para construção de planos eficientes de prevenção aos riscos psicossociais.
A tarefa exige uma abordagem que une o conhecimento técnico das normas regulamentadoras à compreensão comportamental e organizacional, por isso, a troca e o engajamento são essenciais.
O curso NR-01 Aplicada: Gestão de Riscos Psicossociais da Fundação Vanzolini prepara profissionais e lideranças para atuar de forma estruturada na identificação, avaliação e controle de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, fortalecendo a gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) em um cenário cada vez mais exigente, complexo e orientado à prevenção.
Na formação, os participantes aprendem:
Se você quer se antecipar à exigência fiscal, promover um ambiente de trabalho mais saudável e garantir a sustentabilidade da sua organização, inscreva seu time no Programa In Company de Gestão de Riscos Psicossociais com base na NR-01.
Para mais informações sobre os cursos da Fundação Vanzolini:
Relacionados à organização do trabalho:
Sobrecarga ou subcarga de trabalho;
Pressão excessiva por metas e produtividade;
Jornadas longas e falta de pausas;
Falta de autonomia e controle sobre as tarefas;
Monotonia e trabalho repetitivo.
Relacionados às relações interpessoais:
Assédio moral e sexual;
Violência no trabalho (física ou verbal);
Conflitos mal gerenciados entre colegas ou com lideranças;
Isolamento e falta de suporte social.
Relacionados à gestão:
Liderança autoritária ou omissa;
Falta de reconhecimento e valorização;
Comunicação deficiente e papéis mal definidos;
Insegurança no emprego.
Relacionados ao equilíbrio vida-trabalho:
Trabalho em turnos e horários noturnos;
Dificuldade de desconexão (hiperconectividade);
Comprometimento da vida familiar e social.
A NR-1 não apresenta uma lista taxativa de riscos psicossociais. O que ela faz é exigir que as empresas incluam os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), reconhecendo-os como riscos ocupacionais que devem ser identificados, avaliados e controlados.
A norma orienta que os riscos psicossociais sejam considerados a partir de fatores como:
Organização do trabalho — como as tarefas são distribuídas, o ritmo e as exigências impostas;
Condições e relações de trabalho — o ambiente relacional, a qualidade da gestão e o suporte oferecido aos trabalhadores;
Fatores que afetam a saúde mental — situações que possam gerar sofrimento psíquico, como estresse crônico e Burnout (reconhecido pelo CID Z73).
A identificação dos riscos específicos de cada empresa fica a cargo do empregador, com base na análise da realidade de cada ambiente de trabalho, podendo ser apoiada por ferramentas como questionários, entrevistas e análise de afastamentos.
Fontes:
Inclusão de fatores de risco psicossociais no GRO começa em caráter educativo a partir de maio
Impacto milionário do absenteísmo no setor da saúde
Cuidado com o bem-estar impulsiona o sucesso das empresas
NR-1: A partir de maio, empresas deverão monitorar riscos à saúde mental