
O número de cirurgias realizadas no Brasil e no mundo atualmente é expressivo, com o Sistema Único de Saúde (SUS) registrando o maior número de cirurgias eletivas da história em 2024, com mais de 544 mil procedimentos em cinco meses. O número representa um crescimento de 21% em relação ao ano anterior.
No entanto, procedimentos cirúrgicos são complexos e que carregam riscos inerentes. A importância dos protocolos de segurança é fundamental para mitigar esses riscos e garantir a integridade dos pacientes.
Siga com a leitura e veja como as normas internacionais, como a ISO 9001, 45001, 7101 e ONA, aplicam processos que reduzem riscos, aumentam a qualidade dos procedimentos e salvam vidas.
Saiba também como a Fundação Vanzolini, referência em certificação, normas de gestão em saúde e melhoria contínua, pode contribuir com sua instituição.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, anualmente, 2,6 milhões de pessoas morrem nos 150 países de baixo ou médio rendimento devido a tratamentos médicos errados, incluindo falhas em cirurgias.
No Brasil, o Anuário de Segurança Assistencial Hospitalar, publicado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), revela que cinco pessoas morrem a cada minuto no país devido a erros médicos, totalizando quase 55 mil pacientes por ano.
Esses erros não apenas impactam vidas, mas também geram custos significativos e afetam a imagem institucional das organizações de saúde. A segurança do paciente é um problema global de saúde pública.
Segundo o Script Connect, site do Instituto de Pesquisa Aplicada à Educação em Ciências da Saúde, instituição espanhola de utilidade pública sem fins lucrativos, estima-se que o risco de morte em um acidente de avião seja de 1/3.000.000, enquanto o risco de morte em um acidente médico evitável seja de 1/300.
As normas, como a ISO 9001, ISO 7101, e as acreditações, como a ONA, por meio de suas diretrizes e exigências, estruturam a gestão de riscos em ambientes de saúde. Elas promovem a implementação de exemplos práticos como checklists cirúrgicos, padronização de processos e treinamentos obrigatórios.
No caso da ISO 7101, em particular, o foco está na abordagem de cuidados centrados nas pessoas, envolvendo pacientes, famílias, cuidadores e comunidades, incorporando suas necessidades, experiências e preferências. Ela conta com uma visão mais holística e integrada, considerando o fator humano como regente.
A cláusula 8.10 da ISO 7101, por exemplo, detalha requisitos para a experiência do usuário do serviço, incluindo segurança cirúrgica.
| TÍTULO DA SUBCLÁUSULA | ORIENTAÇÕES PRINCIPAIS |
| Generalidades |
A organização deve ter processos documentados para assegurar a segurança do paciente em todos os ambientes de cuidados à saúde em que provê serviços.
Ao decidir quais questões de segurança abordar, a organização deve considerar usar objetivos e diretrizes reconhecidos nacional e
internacionalmente.
Para assegurar a segurança em todos os ambientes, a organização deve considerar: — proporções e equilíbrio da força de trabalho qualificada; — identificação e abordagem de riscos; — segurança e bem-estar do paciente e da força de trabalho; — controle da prestação de serviços por meio de processos documentados; — monitoramento e avaliação do desempenho; — melhoria contínua de processos e resultados. |
| Conhecimento e aprendizado em segurança |
A organização deve: a) promover aprendizado contínuo, compartilhamento de conhecimento e treinamento; b) definir processo para compartilhar lições aprendidas; c) coletar e analisar continuamente dados sobre segurança do paciente para implementar melhorias. |
| Identificação do paciente |
A organização deve implementar processo que: a) requeira identificação do paciente em todos os pontos de cuidado; b) utilize pelo menos dois identificadores exclusivos; c) não utilize número de quarto ou leito; d) descreva processos para circunstâncias especiais (coma, recém-nascidos, pacientes desorientados, etc.). |
| Segurança da medicação |
A organização deve documentar processos de medicação, incluindo seleção, prescrição, armazenamento, dispensação e administração.
Deve ainda: a) estabelecer diretrizes para drogas de alta vigilância; b) adotar práticas baseadas em evidências para antibióticos; c) manter protocolos de educação do paciente; d) monitorar e relatar erros e eventos adversos. |
| Segurança cirúrgica |
A organização deve implementar medidas sistemáticas de segurança, incluindo: a) alocação adequada da força de trabalho; b) infraestrutura e fluxo baseados em fatores humanos; c) práticas baseadas em evidências para anestesia; d) comunicação entre equipes; e) monitoramento e análise de intervenções cirúrgicas; f) processos para evitar erros de paciente, tipo ou local de cirurgia. |
| Medidas sistemáticas para assegurar segurança de cirurgia | Podem incluir listas de verificação de segurança cirúrgica, listas de parto seguro, algoritmos clínicos e auxiliares de trabalho. |
As instituições certificadas implementam a melhoria contínua e auditorias regulares, cultivando uma cultura da qualidade e envolvendo todas as equipes. Essas ações se traduzem em boas práticas capazes de garantir a segurança do paciente.
Como vimos acima, a ISO 7101 exige que as organizações tenham processos documentados para assegurar a segurança do paciente em todos os ambientes de cuidados à saúde, considerando a força de trabalho qualificada, identificação e abordagem de riscos, segurança e bem-estar do paciente e da força de trabalho, controle da prestação de serviços, monitoramento e avaliação de desempenho, e melhoria contínua.
A implementação de medidas de segurança e a busca por certificações resultam em benefícios diretos aos pacientes, como a redução de infecções e complicações pós-cirúrgicas.
Para as instituições, há um aumento da confiança e reputação no mercado de saúde, além de ganhos em eficiência operacional e economia de custos.
A ISO 7101 é aplicável a uma ampla variedade de instituições de saúde, independente do porte ou tipo de serviço oferecido, como: hospitais, clínicas e consultórios especializados, laboratórios de análises e diagnósticos por imagem, Unidades básicas de saúde (UBS), ONGs e agências reguladoras e institutos de pesquisas.
Para finalizar, é preciso compreender que obter uma certificação de sistema de gestão da saúde vai além da conquista de um selo. Esse movimento é um movimento que inclui ética, integridade e, sobretudo, um movimento de olhar para as vidas, assegurando que os cuidados sejam oportunos, seguros, eficazes, eficientes, equitativos e centrados nas pessoas.
Nesse percurso, conte com a Fundação Vanzolini e veja como ela apoia instituições de saúde na implantação de sistemas de gestão que garantem mais segurança e qualidade.
Para mais informações sobre certificações da Fundação Vanzolini:
certific@vanzolini.org.br
(11) 3913-7100
Agendamento e Planejamento
(11) 9 7283-6704
Comercial
(11) 9 6476-1498
Fontes:
A OMS inclui erros de diagnóstico entre as principais causas de dano ao paciente
Cirurgia Segura: veja os cuidados necessários – ONA
Segurança do Paciente em Cirurgias Seguras – Guia – BVSMS
SUS registra em 2024 maior número de cirurgias eletivas da história – Agência Brasil
Cirurgia Segura: 10 pontos que devem estar no checklist – IBSP