Fundação Vanzolini

Segurança cirúrgica: como instituições certificadas reduzem riscos e salvam vidas

20 de janeiro de 2026 | 7min de leitura
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O número de cirurgias realizadas no Brasil e no mundo atualmente é expressivo, com o Sistema Único de Saúde (SUS) registrando o maior número de cirurgias eletivas da história em 2024, com mais de 544 mil procedimentos em cinco meses. O número representa um crescimento de 21% em relação ao ano anterior.

No entanto, procedimentos cirúrgicos são complexos e que carregam riscos inerentes. A importância dos protocolos de segurança é fundamental para mitigar esses riscos e garantir a integridade dos pacientes.

Siga com a leitura e veja como as normas internacionais, como a ISO 9001, 45001, 7101 e ONA, aplicam processos que reduzem riscos, aumentam a qualidade dos procedimentos e salvam vidas.

Saiba também como a Fundação Vanzolini, referência em certificação, normas de gestão em saúde e melhoria contínua, pode contribuir com sua instituição.

Por que falar em segurança cirúrgica?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, anualmente, 2,6 milhões de pessoas morrem nos 150 países de baixo ou médio rendimento devido a tratamentos médicos errados, incluindo falhas em cirurgias.

No Brasil, o Anuário de Segurança Assistencial Hospitalar, publicado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), revela que cinco pessoas morrem a cada minuto no país devido a erros médicos, totalizando quase 55 mil pacientes por ano.

Esses erros não apenas impactam vidas, mas também geram custos significativos e afetam a imagem institucional das organizações de saúde. A segurança do paciente é um problema global de saúde pública.

Segundo o Script Connect, site do Instituto de Pesquisa Aplicada à Educação em Ciências da Saúde, instituição espanhola de utilidade pública sem fins lucrativos, estima-se que o risco de morte em um acidente de avião seja de 1/3.000.000, enquanto o risco de morte em um acidente médico evitável seja de 1/300.

Qual o papel das certificações em saúde?

As normas, como a ISO 9001, ISO 7101, e as acreditações, como a ONA, por meio de suas diretrizes e exigências, estruturam a gestão de riscos em ambientes de saúde. Elas promovem a implementação de exemplos práticos como checklists cirúrgicos, padronização de processos e treinamentos obrigatórios.

No caso da ISO 7101, em particular, o foco está na abordagem de cuidados centrados nas pessoas, envolvendo pacientes, famílias, cuidadores e comunidades, incorporando suas necessidades, experiências e preferências. Ela conta com uma visão mais holística e integrada, considerando o fator humano como regente.

A cláusula 8.10 da ISO 7101, por exemplo, detalha requisitos para a experiência do usuário do serviço, incluindo segurança cirúrgica.

Orientações da ISO 7101 – Segurança do paciente

TÍTULO DA SUBCLÁUSULA ORIENTAÇÕES PRINCIPAIS
Generalidades A organização deve ter processos documentados para assegurar a segurança do paciente em todos os ambientes de cuidados à saúde em que provê serviços. Ao decidir quais questões de segurança abordar, a organização deve considerar usar objetivos e diretrizes reconhecidos nacional e internacionalmente. Para assegurar a segurança em todos os ambientes, a organização deve considerar:

— proporções e equilíbrio da força de trabalho qualificada;
— identificação e abordagem de riscos;
— segurança e bem-estar do paciente e da força de trabalho;
— controle da prestação de serviços por meio de processos documentados;
— monitoramento e avaliação do desempenho;
— melhoria contínua de processos e resultados.
Conhecimento e aprendizado em segurança A organização deve:

a) promover aprendizado contínuo, compartilhamento de conhecimento e treinamento;
b) definir processo para compartilhar lições aprendidas;
c) coletar e analisar continuamente dados sobre segurança do paciente para implementar melhorias.
Identificação do paciente A organização deve implementar processo que:

a) requeira identificação do paciente em todos os pontos de cuidado;
b) utilize pelo menos dois identificadores exclusivos;
c) não utilize número de quarto ou leito;
d) descreva processos para circunstâncias especiais (coma, recém-nascidos, pacientes desorientados, etc.).
Segurança da medicação A organização deve documentar processos de medicação, incluindo seleção, prescrição, armazenamento, dispensação e administração. Deve ainda:

a) estabelecer diretrizes para drogas de alta vigilância;
b) adotar práticas baseadas em evidências para antibióticos;
c) manter protocolos de educação do paciente;
d) monitorar e relatar erros e eventos adversos.
Segurança cirúrgica A organização deve implementar medidas sistemáticas de segurança, incluindo:

a) alocação adequada da força de trabalho;
b) infraestrutura e fluxo baseados em fatores humanos;
c) práticas baseadas em evidências para anestesia;
d) comunicação entre equipes;
e) monitoramento e análise de intervenções cirúrgicas;
f) processos para evitar erros de paciente, tipo ou local de cirurgia.
Medidas sistemáticas para assegurar segurança de cirurgia Podem incluir listas de verificação de segurança cirúrgica, listas de parto seguro, algoritmos clínicos e auxiliares de trabalho.

Como instituições de saúde certificadas reduzem riscos?

As instituições certificadas implementam a melhoria contínua e auditorias regulares, cultivando uma cultura da qualidade e envolvendo todas as equipes. Essas ações se traduzem em boas práticas capazes de garantir a segurança do paciente.

Como vimos acima, a ISO 7101 exige que as organizações tenham processos documentados para assegurar a segurança do paciente em todos os ambientes de cuidados à saúde, considerando a força de trabalho qualificada, identificação e abordagem de riscos, segurança e bem-estar do paciente e da força de trabalho, controle da prestação de serviços, monitoramento e avaliação de desempenho, e melhoria contínua.

Quais os benefícios diretos das certificações e acreditações para pacientes e instituições?

A implementação de medidas de segurança e a busca por certificações resultam em benefícios diretos aos pacientes, como a redução de infecções e complicações pós-cirúrgicas.

Para as instituições, há um aumento da confiança e reputação no mercado de saúde, além de ganhos em eficiência operacional e economia de custos.

Onde se aplica a certificação 7101?

A ISO 7101 é aplicável a uma ampla variedade de instituições de saúde, independente do porte ou tipo de serviço oferecido, como: hospitais, clínicas e consultórios especializados, laboratórios de análises e diagnósticos por imagem, Unidades básicas de saúde (UBS), ONGs e agências reguladoras e institutos de pesquisas.

O que a sua organização ganha ao obter a ISO 7101?

  • Ferramenta que melhorar processos internos
  • Transforma a sua organização em um modelo de referência
  • Estimula a busca por soluções sustentáveis e inovadoras, alinhadas às melhores práticas globais
  • Promove avanços significativos na qualidade dos serviços
  • Promove a integração de novas tecnologias, ferramentas virtuais e Inteligência Artificial

Para finalizar, é preciso compreender que obter uma certificação de sistema de gestão da saúde vai além da conquista de um selo. Esse movimento é um movimento que inclui ética, integridade e, sobretudo, um movimento de olhar para as vidas, assegurando que os cuidados sejam oportunos, seguros, eficazes, eficientes, equitativos e centrados nas pessoas.

Nesse percurso, conte com a Fundação Vanzolini e veja como ela apoia instituições de saúde na implantação de sistemas de gestão que garantem mais segurança e qualidade.

Para mais informações sobre certificações da Fundação Vanzolini:

certific@vanzolini.org.br
(11) 3913-7100

Agendamento e Planejamento
(11) 9 7283-6704 
Comercial
(11) 9 6476-1498 

Fontes:

A OMS inclui erros de diagnóstico entre as principais causas de dano ao paciente

People-Centered Care ISO 7101

Cirurgia Segura: veja os cuidados necessários – ONA

Segurança do Paciente em Cirurgias Seguras – Guia – BVSMS

SUS registra em 2024 maior número de cirurgias eletivas da história – Agência Brasil

Brasil realiza mais de 544 mil cirurgias eletivas em cinco meses, com crescimento de 21% em 2024 – Gov.br

Cirurgia Segura: 10 pontos que devem estar no checklist – IBSP

WHO Guidelines for Safe Surgery 2009 – WHO

Patient Safety – WHO