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Idealização do programa arquitetônico: o papel da análise do local do empreendimento

Postado em Certificação | 4 de novembro de 2025 | 6min de leitura
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A sustentabilidade em um empreendimento não começa apenas com materiais de baixo impacto ou tecnologias de eficiência energética. Antes mesmo da primeira linha no projeto arquitetônico, é a análise do local que estabelece as bases para decisões conscientes, inteligentes e alinhadas ao território.

Na certificação AQUA-HQE, essa etapa inicial é determinante para transformar o empreendimento em uma referência de inovação, responsabilidade socioambiental e valor agregado.

A seguir, exploramos como esse processo influencia diretamente as escolhas arquitetônicas.

Uma arquitetura responsável e sustentável começa pela análise

Uma análise de local bem executada é a base para a construção de cidades mais humanas, equilibradas e sustentáveis. A arquitetura responsável vai além da estética e do que é belo ou tendência, ela se firma buscando soluções que considerem o ciclo de vida do edifício, a origem dos materiais, o consumo de energia e água, a gestão de resíduos e a segurança das pessoas.

Atualmente, o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil, iniciativa do Instituto Cidades Sustentáveis (ICS), no âmbito do Programa Cidades Sustentáveis (PCS), tem como foco oferecer as ferramentas necessárias para os municípios brasileiros superarem o desafio de cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

No seu ranking, as cidades estão classificadas pela pontuação geral, que mede o progresso total para o cumprimento de todos os 17 ODS. A pontuação varia de zero a 100, na qual 100 é o limite máximo.

A seguir, veja as cinco primeiras cidades que lideram o ranking e, ainda assim, possuem pontuação bem abaixo de 100.

O caminho é longo, mas há saídas: as certificações como método e finalidade

Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a construção civil no Brasil tem avançado rumo à sustentabilidade e, em 2024, o setor cresceu 4,1%, gerando mais de 230 mil empregos formais (até outubro daquele ano) e elevando o número de trabalhadores com carteira assinada para 2,98 milhões.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), tecnologias como a automação e a Internet das Coisas, que permite conectar dispositivos do cotidiano à Internet e computadores, devem transformar as obras em projetos mais inteligentes e sustentáveis.

Além disso, a entidade destaca que a busca por certificações ambientais, como a AQUA-HQE, reforça a responsabilidade ambiental como um novo padrão do mercado. Dessa forma, as certificações embasam, fortalecem e incentivam ações mais responsáveis e sustentáveis na construção civil e são tanto método quanto finalidade.

Coerência com a cidade e políticas locais

Todo empreendimento deve dialogar com o contexto urbano em que está inserido. A análise do local assegura a coerência com planos diretores, legislações, normas e políticas de desenvolvimento sustentável.

Isso significa integrar-se de forma harmoniosa, respeitando a ocupação do solo, otimizando a infraestrutura existente e promovendo a requalificação urbana. Em outras palavras, a construção passa a ser parte da solução e não do problema.

Mobilidade e acessibilidade inteligentes

A mobilidade é um dos pontos de maior impacto na vida dos usuários. A certificação AQUA-HQE valoriza soluções que:

  • Diferenciem fluxos de pedestres, ciclistas, veículos e entregas;
  • Incentivem o uso de transportes coletivos, com proximidade a linhas de ônibus, metrôs ou trens;
  • Estimulem alternativas menos poluentes, como bicicletários seguros, vestiários com chuveiros para ciclistas e vagas para veículos elétricos.

Essas medidas não só reduzem a emissão de poluentes, mas também tornam o empreendimento mais eficiente, seguro e atraente.

Integração com a natureza e biodiversidade

A análise do local permite compreender a flora e a fauna já existentes para que o projeto preserve e, se possível, amplie a biodiversidade.

As diretrizes incluem:

  • Vegetalização de superfícies externas, telhados verdes e fachadas vivas;
  • Escolha de espécies nativas, bem adaptadas ao clima e que demandem menos irrigação e manutenção;
  • Criação de áreas de convivência integradas ao paisagismo, que oferecem conforto e qualidade de vida.

Assim, a arquitetura deixa de ser apenas edificação e passa a ser espaço vivo, onde natureza e urbanidade coexistem.

Conforto para usuários e vizinhança

O bem-estar das pessoas vai além dos limites do empreendimento. A certificação AQUA-HQE considera impactos sobre usuários e também sobre a vizinhança.

Entre as soluções previstas estão:

  • Estratégias para reduzir o efeito de ilhas de calor;
  • Planejamento acústico para minimizar incômodos;
  • Arranjos que respeitem o direito ao sol e à luminosidade natural das construções vizinhas.

Cada escolha fortalece o compromisso com a qualidade de vida coletiva.

Valorização e diferenciação no mercado

Além do impacto socioambiental positivo, a análise do local realizada dentro dos critérios da certificação AQUA-HQE gera benefícios diretos para o empreendimento:

  • Redução de riscos técnicos e jurídicos;
  • Maior eficiência operacional e de manutenção;
  • Diferenciação no mercado imobiliário, cada vez mais atento às práticas ESG;
  • Criação de espaços de alto valor agregado, capazes de atrair investidores e usuários conscientes.

A análise do local vai muito além de uma etapa técnica: é um instrumento estratégico que transforma cada decisão arquitetônica em um gesto de sustentabilidade e inovação.

Ao optar pela certificação AQUA-HQE, empresas e incorporadoras elevam o patamar dos seus projetos, entregando não apenas construções, mas experiências urbanas mais humanas, inteligentes e alinhadas ao futuro.

Para mais informações sobre a certificação AQUA-HQE™:

seloaqua@vanzolini.org.br

(11) 3913-7100

Setor comercial e de agendamento:

certific@vanzolini.org.br

(11) 9 6476-1498

(11) 3913-7100

Fontes:

Construção sustentável ganha força no Brasil

Cidades sustentáveis

IDSC – BR Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil

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