
Para profissionais que atuam com gestão em saúde, qualidade deixou de ser um diferencial competitivo há muito tempo. Hoje, ela é um requisito essencial para garantir segurança do paciente, eficiência operacional e sustentabilidade institucional. Desde a publicação do relatório To Err Is Human, do Institute of Medicine, em 1999, que evidenciou o impacto dos erros assistenciais nos sistemas de saúde, tornou-se consenso que resultados clínicos mais seguros dependem de processos estruturados, monitoramento e cultura organizacional voltada à melhoria contínua.
Nesse contexto, a gestão da Qualidade em saúde ganha papel estratégico. Organizações que adotam modelos de avaliação e acreditação conseguem fortalecer a governança, reduzir riscos, padronizar processos e promover ciclos permanentes de aprimoramento. Estudos sobre programas de acreditação hospitalar apontam impactos positivos na gestão, no engajamento das equipes e na qualidade dos resultados assistenciais.
É nesse cenário que a Organização Nacional de Acreditação (ONA) e outros sistemas de acreditação se consolidam como referências para a qualidade em organizações de saúde. Mais do que um reconhecimento institucional, a acreditação funciona como uma metodologia de gestão capaz de orientar decisões, fortalecer a cultura de segurança e impulsionar a melhoria contínua em saúde.
Neste artigo, você entenderá como esses modelos são aplicados na prática e quais competências os profissionais precisam desenvolver para liderar iniciativas de qualidade e segurança em suas instituições.
A gestão da Qualidade em saúde reúne práticas, processos e indicadores que garantem a segurança do paciente, a padronização dos atendimentos e a melhoria contínua dos serviços. Seu objetivo é reduzir riscos, aumentar a eficiência operacional e promover melhores resultados assistenciais.
Em um setor cada vez mais complexo e regulado, a qualidade não pode depender de iniciativas pontuais ou ações isoladas. Organizações comprometidas com a excelência dos resultados estruturam sistemas formais de gestão para monitorar resultados, corrigir falhas e aprimorar continuamente seus processos.
Por isso, a gestão em saúde está diretamente ligada à maturidade da Gestão da Qualidade. Sem uma estrutura integrada, consolidada, monitorada e fetiva, torna-se difícil sustentar padrões elevados de segurança, eficiência e excelência.
A acreditação hospitalar é um processo voluntário de avaliação externa que verifica se uma organização de saúde atende a padrões reconhecidos de qualidade e segurança. Mais do que uma certificação, ela funciona como uma ferramenta de desenvolvimento de gestão, ajudando instituições a aprimorar processos, reduzir riscos e fortalecer a cultura de melhoria contínua.
No Brasil, a acreditação da Organização Nacional de Acreditação é a principal referência para organizações prestadoras de serviços de saúde. O modelo é estruturado em três níveis:
Acreditado (Nível 1), com foco em segurança;
Acreditado Pleno (Nível 2), que avalia a integração dos processos;
Acreditado com Excelência (Nível 3), que reconhece instituições com gestão madura e melhoria contínua consolidada.
Para pacientes, a certificação representa maior confiança na qualidade e na segurança do cuidado.
O novo Manual das Organizações Prestadores de Serviços de Saúde (OPSS) 2026 representa uma importante atualização, pela ONA, sobre o desenvolvimento da jornada de acreditação, normas e critérios de avaliação. Entre as principais mudanças, destacam-se a ênfase no cuidado centrado e a experiência do paciente durante sua jornada, abordagem à sustentabilidade junto com os aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG), fortalecimento das práticas de segurança e além da reorganização dos requisitos para tornar a avaliação mais objetiva e alinhada à realidade das organizações.
Na prática, isso exige que gestores e profissionais de qualidade ampliem o olhar para temas como gestão de riscos, análise de desempenho, governança clínica e experiência do paciente. Para organizações que já possuem acreditação, a atualização demanda revisão de processos e indicadores. E, para aquelas que estão iniciando a jornada, representa uma oportunidade de estruturar seus sistemas de qualidade desde o início com base nos padrões mais atuais do setor.
A conquista e a manutenção da acreditação dependem de mais do que processos bem definidos: exigem, também, profissionais capazes de avaliar continuamente se a organização está atendendo aos padrões de qualidade e segurança estabelecidos. É nesse contexto que atua o avaliador interno de acreditação.
Esse profissional é responsável por analisar processos, identificar oportunidades de melhoria, verificar conformidades e apoiar as equipes na implementação das boas práticas exigidas pelos modelos de acreditação, como a ONA. Sua atuação fortalece a gestão da qualidade e contribui para que a organização esteja preparada não apenas para auditorias externas, mas para sustentar uma cultura permanente de excelência.
O avaliador interno precisa combinar conhecimento técnico e habilidades de liderança. Entre as competências essenciais estão o domínio dos critérios da acreditação ONA, a capacidade de conduzir auditorias internas, identificar não conformidades e acompanhar planos de ação voltados à melhoria contínua.
Além disso, habilidades como comunicação, análise crítica e influência são fundamentais para engajar diferentes áreas da instituição. Isso porque a qualidade em saúde também exige a mobilização de pessoas em torno de objetivos comuns de segurança, eficiência e excelência assistencial, não apenas processos.
A implementação de um sistema de gestão da qualidade exige planejamento, envolvimento das equipes e monitoramento contínuo. De forma prática, a jornada costuma incluir cinco etapas principais:
Essa estrutura permite que as organizações se preparem também para avaliações externas e busquem o processo de acreditação.
A certificação é um marco importante, mas a qualidade só gera resultados consistentes quando faz parte da rotina da organização. Por isso, instituições que se destacam em gestão em saúde tratam a melhoria contínua como um processo permanente, e não como um projeto com prazo para terminar.
O avanço da gestão da qualidade em saúde depende de profissionais preparados para interpretar requisitos, conduzir avaliações e transformar padrões de acreditação em melhorias concretas para as organizações. Com esse objetivo, a Fundação Vanzolini oferece formações voltadas às demandas atuais do setor e às atualizações do modelo ONA.
Atualização Novo Manual OPSS ONA: Destinado a profissionais que já atuam com acreditação, qualidade ou gestão em organizações de saúde, o curso apresenta as principais mudanças do novo Manual OPSS ONA e seus impactos na prática. A formação permite compreender os novos requisitos, revisar processos internos e adequar estratégias de preparação para as próximas avaliações.
ONA — Formação de Avaliador Interno para Acreditação de OPSS (2026–2029): Voltado a profissionais que desejam atuar de forma mais estratégica nos processos de qualidade e acreditação, o curso desenvolve competências essenciais para a condução de avaliações internas. Entre os temas abordados estão interpretação dos critérios ONA, auditorias internas, identificação de não conformidades e elaboração de planos de melhoria, preparando os participantes para apoiar a evolução da qualidade e da segurança em suas organizações.
Ao combinar conhecimento técnico e aplicação prática, as formações contribuem para o desenvolvimento de lideranças capazes de fortalecer a cultura da qualidade e impulsionar a excelência nas organizações de saúde.