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Estratégias ESG para o mercado de carbono: da medição à geração de valor

Postado em Certificação | 22 de junho de 2026 | 10min de leitura
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A questão climática tem ocupado o centro das decisões nos conselhos administrativos de grandes empresas. Com a pressão crescente de investidores, reguladores e consumidores pela redução drástica de emissões, o ESG (Environmental, Social, and Governance) passou a ser o principal direcionador estratégico para a sustentabilidade corporativa.

Como meio para atender às novas exigências, o mercado de carbono se apresenta como uma ferramenta poderosa e em franca expansão. No entanto, esse mercado também evoluiu e amadureceu: não basta apenas comprar créditos para “limpar” a imagem.

O que importa no jogo, agora, é a estruturação de uma jornada técnica e transparente, que seja capaz de transformar a descarbonização em vantagem competitiva e comprometimento real com a urgência climática, com uma postura completa desde o monitoramento, a contabilização e a redução das emissões, até a sua compensação.

Siga com a leitura para entender melhor como o mercado de carbono pode ser usado de forma estratégica dentro do ESG para reduzir emissões, gerar valor e fortalecer a competitividade das empresas.

O que é o mercado de carbono e como ele funciona

De acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o mercado de carbono é uma das estratégias globais para encorajar os setores público e privado a contribuírem com a agenda climática de mitigação de emissões de GEE (gases do efeito estufa).

Assim, no cenário de transações comerciais, essa missão conjunta no âmbito das atividades produtivas passa a adquirir um valor econômico.

Para isso, sistemas foram criados para monitorar, contabilizar e mensurar projetos de remoção de carbono e redução de emissões, com vistas a comercializar créditos de carbono, cotas e permissões entre os atores globais que vão se engajar de maneira voluntária ou querendo cumprir políticas para regular a emissão desses gases.

Em cada sistema, as toneladas de carbono equivalente removidas passam por um processo de identificação, certificação e tokenização, para posterior comercialização e aposentadoria.

Dessa forma, existem os sistemas focados no mercado voluntário (não regulado) e no mercado regulado de carbono, com diferenças essenciais entre si, ainda que adotem metodologias similares.

Crédito, cota ou permissão: qual é a diferença?

Crédito, cota ou permissão: qual é a diferença?
ConceitoDefinição
CréditoUnidade que representa a remoção ou redução de 1 tonelada de CO2. Pode ser vendida para compensar emissões.
CotaLimite máximo de CO2 que uma empresa pode emitir dentro de um sistema regulado.
PermissãoAutorização negociável que permite a emissão de 1 tonelada de CO2, usada em sistemas de comércio como o cap-and-trade.

Fonte: O que é e como funciona o mercado de carbono?

Ainda segundo o IPAM, os preços no mercado de carbono são influenciados por diversos fatores, incluindo a demanda, o tipo de mercado (regulado ou voluntário), o tipo de atividade que gera a redução de emissões e o ano em que a redução foi alcançada, também conhecido como safra.

Veja a seguir a diferença entre os dois tipos de mercado de carbono, o voluntário e o regulado:

  • Voluntário: as empresas querem bater suas próprias metas de redução de emissão. Governos, organizações e até pessoas físicas podem participar. No Brasil e em grande parte do mundo, o mercado voluntário é bem consolidado, com adoção de diversos tipos de sistemas e normas.
  • Regulado: os governos podem definir limites de emissões para determinados setores. Na União Europeia, em alguns estados dos EUA e em alguns outros países, o mercado regulado já está bem consolidado. No Brasil, está em processo de regulamentação e operacionalização. Há também alguns modelos de mercado de compliance que não estão diretamente associados a governos, como o caso do ICAO/CORSIA para companhias aéreas em vários lugares do mundo.

Mercado de carbono no Brasil

O governo brasileiro promulgou, em 2024, o SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Carbono), que regulamenta as emissões de GEEs no país e promove a comercialização de ativos como cotas de redução e créditos de carbono.

Segundo a legislação, setores produtivos que emitem 10 mil toneladas de CO2 equivalente por ano devem relatar suas emissões, e aqueles que emitem acima de 25 mil toneladas devem reduzir uma porcentagem.

O SBCE está em um processo de implementação, que vai de 2025 e 2030 e, neste momento, se encontra em etapas de regulamentação e operacionalização. Em breve, muitas empresas de diversos segmentos passarão a ter a obrigação de declarar publicamente suas emissões e, em algumas situações, deverão adquirir créditos de carbono (quando extrapolarem suas cotas), enquanto outras terão a possibilidade de comercializar seus créditos referentes ao excedente de suas cotas.

O papel do ESG na gestão de emissões

O ESG não deve ser apenas um slogan bonito nas empresas, A sigla deve ser compreendida como uma métrica de resiliência e de guia para iniciativas com impacto real. Integrar o mercado de carbono à estratégia ESG significa alinhar a operação da empresa com os limites planetários, transformando metas abstratas em indicadores financeiros e operacionais monitoráveis.

O erro comum: usar o mercado de carbono apenas para compensação

Na ânsia de acompanhar tendências de ESG, muitas organizações cometem o erro estratégico de saltar diretamente para a compra de créditos sem antes olhar para dentro de casa. Quando fazem isso, elas correm riscos, como:

  • Risco de Greenwashing: compensar emissões sem fazer esforços reais de redução é visto pelo mercado como uma tentativa superficial de “comprar a consciência”;
  • Falta de estrutura: sem reduzir a intensidade de carbono da operação, o custo com compensação se tornará insustentável a longo prazo.

É preciso ter consciência de que compensar sem reduzir não gera valor sustentável, somente adia um quadro de obsolescência da empresa.

O fluxo estratégico correto: medir, reduzir e compensar

Para uma estratégia ESG robusta, a ordem dos fatores altera, sim, o produto. O fluxo deve seguir três etapas fundamentais:

  1. Medir (inventário de GEE)

Não se gerencia o que não se mede. O primeiro passo é realizar um Inventário de Gases de Efeito Estufa, identificando as fontes emissoras em toda a cadeia (Escopos 1, 2 e 3).

  1. Reduzir (eficiência e inovação)

O foco deve ser a eficiência operacional. Isso envolve a troca de matrizes energéticas, otimização de logística e investimento em tecnologias limpas. A redução diminui a necessidade futura de compra de créditos.

  1. Compensar (neutralização)

O mercado de carbono entra aqui para neutralizar as emissões residuais; aquelas que, com a tecnologia atual, ainda não podem ser eliminadas.

Como o mercado de carbono se torna uma ferramenta de gestão

Quando bem utilizado, o mercado de carbono funciona como um KPI financeiro. Ao precificar internamente o carbono, a empresa consegue:

  • Priorizar investimentos em projetos de baixo carbono;
  • Monitorar continuamente o desempenho ambiental;
  • Integrar dados de sustentabilidade ao balanço financeiro, atraindo investidores que buscam ativos de baixo risco climático.

Benefícios de integrar ESG e mercado de carbono

De acordo com o estudo, “Tamanho, participação, tendências e previsão do mercado de créditos de carbono no Brasil por tipo, tipo de projeto, setor de uso final e região, 2026-2034”, o tamanho do mercado de créditos de carbono no Brasil atingiu US$ 2,7 bilhões em 2025.

Para o futuro, o Grupo IMARC espera que o mercado alcance USD 25.2 bilhões até 2034, exibindo uma taxa de crescimento (CAGR) de 28.10% durante 2026-2034.

O mercado está experimentando um crescimento significativo, impulsionado principalmente pela crescente demanda por soluções sustentáveis e pela rica biodiversidade do país.

Os desenvolvimentos regulatórios, como um sistema nacional de precificação de carbono, também estão contribuindo positivamente para o crescimento do mercado em todo o país.

Para as empresas, ao integrar suas ações de ESG ao mercado de carbono, as vantagens são:

  1. Redução de riscos: antecipação a futuras leis e tributações sobre o carbono.
  2. Reputação: demonstração de compromisso real com a ciência climática.
  3. Acesso a Capital: fundos de investimento priorizam empresas com estratégias de descarbonização claras.
  4. Vantagem Competitiva: eficiência energética geralmente resulta em redução de custos operacionais.

Normas e certificações que apoiam essa estratégia

A credibilidade é a moeda de troca no mercado de carbono. Para garantir que os dados sejam aceitos internacionalmente, é possível contar com as diretrizes da ISO 14064, do Programa Brasileiro GHG Protocol, do próprio SBCE, diretrizes do Artigo 6 do Acordo de Paris, e normas como Verra VCS e Gold Standard.

A ISO 14064, por exemplo, é a base internacional para avaliação de inventários de emissões e remoções de GEE e de projetos de redução de emissões e de remoção de carbono. A norma estabelece os princípios para a elaboração de inventários de GEE e a verificação de projetos. Além disso, auditorias externas garantem que uma tonelada de carbono declarada seja, de fato, uma tonelada evitada.

Desafios na implementação

O mercado de carbono é complexo e a jornada não está livre de obstáculos. Entre eles, podemos destacar:

  • Complexidade técnica: exige profissionais qualificados para medição;
  • Dados confiáveis: dificuldade em rastrear emissões de fornecedores;
  • Engajamento interno: a necessidade de mudar a cultura organizacional para priorizar a sustentabilidade em todos os níveis.

Como começar uma estratégia ESG com foco em carbono

Para empresas que desejam iniciar essa jornada, o caminho recomendado é:

EtapaAção prática
DiagnósticoEntender o impacto atual da empresa no clima.
MediçãoRealizar o inventário de GEE conforme normas técnicas.
Definição de MetasEstabelecer prazos para redução (Ex.: Reduzir 30% até 2030).
Plano de AçãoInvestir em energia renovável e eficiência.
Uso EstratégicoAdquirir créditos de alta integridade para o que não pôde ser reduzido.

Por fim, vale reforçar que a transição para uma economia de baixo carbono não é apenas um dever ético, mas a maior oportunidade de inovação e sustentabilidade para os negócios no século XXI.

Se sua empresa deseja estar alinhada às novas exigências ambientais e fazer das iniciativas verdes uma vantagem competitiva, conheça as certificações ambientais da Fundação Vanzolini e saiba como estruturar seu inventário de emissões e implementar estratégias ESG na sua empresa.

Para mais informações sobre as certificações da Fundação Vanzolini:

certificacao@vanzolini.org.br

(11) 3913-7100
Agendamento e Planejamento
(11) 9 7283-6704 
Comercial
(11) 9 6476-1498 

Fontes:

O que é e como funciona o mercado de carbono?

O que é e como funciona o mercado de carbono?

Tamanho, participação, tendências e previsão do mercado de créditos de carbono no Brasil por tipo, tipo de projeto, setor de uso final e região, 2026-2034

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