
O Edifício Integrador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP), projetado pelo escritório Base Urbana, destaca-se como um empreendimento orientado ao desempenho ambiental e à qualidade do ambiente construído.
O projeto foi reconhecido por meio da certificação AQUA-HQE™, que atesta o atendimento a critérios de sustentabilidade ao longo de seu desenvolvimento.
A edificação incorpora soluções que promovem a integração entre espaços e usuários, aliadas a estratégias voltadas à melhoria do desempenho ambiental.
Sua concepção considera aspectos como conforto dos ocupantes, eficiência no uso de recursos e adequada inserção no contexto urbano, em consonância com os requisitos do referencial AQUA-HQE™ Edifícios Não Residenciais em Construção.
A certificação, concedida pela Fundação Vanzolini, reconheceu o atendimento aos critérios do referencial nas fases de pré-projeto e projeto, com previsão de nova avaliação na fase de execução, ao final da obra (início de 2027).
Esse processo evidencia a incorporação de requisitos de qualidade ambiental desde as etapas iniciais até a materialização do empreendimento.
Resultado de uma articulação entre a Universidade de São Paulo (USP) e empresas do setor privado, como Cosan e Comgás, o Edifício Integrador consolida uma abordagem integrada entre agentes institucionais, técnicos e produtivos.
Nesse contexto, o empreendimento contribui para o avanço no desenvolvimento da prática da arquitetura sustentável no país.
A avaliação das soluções ambientais do novo Edifício Integrador e do paisagismo, que dão novo acesso ao Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica (POLIPRO-USP), levaram à conquista da certificação AQUA-HQE™ nas fases pré-projeto e projeto.
Sobre a certificação AQUA-HQE™, Professor Fernando Tobal Berssaneti, docente do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, destaca:
“É um selo internacional de construção sustentável, cujos requisitos foram adaptados para o Brasil pela Fundação Vanzolini tendo como base um modelo francês. Com apoio da Fapesp, nosso pesquisador foi até a França para tentar entender o modelo deles e adaptar para a nossa realidade. A realidade dos países frios e do norte é bem diferente da nossa realidade de sustentabilidade. O HQE, em francês, significa exatamente o que o AQUA é para nós: Alta Qualidade Ambiental da Construção. É simplesmente uma tradução livre, ao pé da letra, mas que funcionou. Hoje nós emitimos um certificado conjunto, ou seja, é um certificado brasileiro, mas também é emitido uma versão francesa ao mesmo tempo. Atualmente, nós temos bons resultados da nossa certificação”.
Ao priorizar a construção verde, a POLI-USP reforça a importância de integrar a sustentabilidade ao cotidiano acadêmico, transformando o campus em um laboratório vivo de boas práticas.
O conceito arquitetônico, desenvolvido pela equipe da Base Urbana, buscou criar um espaço que fosse, ao mesmo tempo, leve e profundamente integrado ao entorno.
Dessa forma, a iniciativa revitaliza os edifícios existentes, valoriza a convivência e a circulação com soluções projetuais, que organizam de forma eficiente o fluxo de pessoas, veículos, resíduos, água e energia.
O Edifício Integrador foi concebido para ser mais do que uma estrutura física, ele foi pensado como um catalisador de convivência e integração entre alunos, professores e pesquisadores da Escola Politécnica, sendo também um agente que beneficia o aprendizado.
Estudos internacionais demonstram que variáveis físicas do ambiente escolar, como qualidade da iluminação natural, ventilação, cor, organização do mobiliário e estímulos visuais, impactam em até 25% o desempenho acadêmico dos alunos.
Para a arquiteta e urbanista Mônica Blanco, conselheira federal do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), a construção de uma escola deve ser pensada levando em consideração as características culturais e climáticas de cada comunidade. “Uma escola que respeita esses aspectos contribui para o bem-estar dos alunos e professores, criando um ambiente mais acolhedor e estimulante“.
A certificação AQUA-HQE™ (Alta Qualidade Ambiental – Haute Qualité Environnementale) é um modelo de origem francesa, adaptado à realidade brasileira pela Fundação Vanzolini, e se destaca por sua abrangência, avaliando não apenas aspectos técnicos da construção, mas também o seu impacto na saúde e bem-estar das pessoas e do meio ambiente.
O processo de certificação do Edifício Integrador percorreu as três fases rigorosas do AQUA-HQE™:
O edifício se destacou em diversas categorias da certificação, comprovando uma gestão eficiente em múltiplos aspectos.
Veja, a seguir, a relação dos atributos sustentáveis do projeto, a partir das diretrizes da AQUA-HQE™:
| Categoria AQUA-HQE™ | Atributo no Edifício Integrador | Impacto sustentável |
| Gestão da água | Jardins de chuva e cisternas de captação. | Redução do consumo de água potável e reuso de águas pluviais. |
| Conforto térmico | Ventilação cruzada, luz natural otimizada. | Diminuição da demanda por energia elétrica para climatização e iluminação artificial. |
| Materiais e resíduos | Uso de madeira de reflorestamento (MLC), controle de resíduos. | Redução do impacto ambiental na escolha de materiais e na geração de resíduos de obra. |
| Qualidade dos espaços | Acessibilidade universal e ergonomia. | Promoção do bem-estar, segurança e qualidade de vida para toda a comunidade. |
Quando se trata de avaliar um projeto sustentável, um dos maiores diferenciais da certificação AQUA-HQE™ é sua abordagem que considera todas as etapas de desenvolvimento do empreendimento, desde a concepção até a entrega (construção).
Esse olhar holístico avalia desde o projeto inicial, passando pela construção em si e as condições do canteiro de obras, até a eventual desconstrução. Isso garante que as soluções de sustentabilidade sejam constantes e sólidas.
No caso do Edifício Integrador, o foco no ciclo de vida se manifesta em práticas como:
A arquitetura sustentável do Edifício Integrador tem um impacto direto e positivo na comunidade acadêmica. Um ambiente que prioriza o conforto térmico, a qualidade do ar e a luz natural se configura como um ambiente que estimula o aprendizado.
O edifício é a materialização do conceito de que os “espaços de passagem” também são, essencialmente, “espaços de permanência”. Ao criar pátios e áreas de convivência integrados ao fluxo diário, o projeto estimula a interação informal, a troca de ideias e o aprendizado colaborativo, essenciais para o espírito inovador da Poli-USP.
Mas, uma construção sustentável também precisa olhar para o seu entorno, considerando o bem-estar da comunidade para além de seus muros.
De acordo com o professor Fernando Tobal Berssaneti, “um critério muito importante é a relação do edifício com o ambiente, esteticamente e agressivamente falando. Algo que acontece muito aqui em São Paulo é um edifício que vai ser erguido e vai cobrir o sol de muitas varandas e quintais de casas, por exemplo. Ele tem que se inserir de uma forma natural naquele ambiente, sem gerar questões de barulho, resíduos e agressividade visual.”
A conquista da certificação AQUA-HQE™ pelo Edifício Integrador da Poli-USP é um poderoso símbolo de compromisso contínuo com o futuro da construção sustentável no Brasil.
A Fundação Vanzolini, como a certificadora exclusiva da certificação AQUA-HQE™, valida a excelência técnica do projeto e consolida a AQUA-HQE™ como guia em busca de um futuro mais sustentável.
O projeto da Poli-USP se torna, assim, um exemplo nacional, provando que a inovação, a academia e a sustentabilidade podem e devem caminhar juntas.
Para aprofundar o conhecimento sobre a certificação e as práticas que levaram a Poli-USP a esse reconhecimento, busque pelo assunto certificação AQUA-HQE™ e explore os materiais técnicos disponíveis em nosso site.
Para mais informações sobre a certificação AQUA-HQE™:
seloaqua@vanzolini.org.br
(11) 3913-7100
Setor comercial e de agendamento:
certific@vanzolini.org.br
(11) 9 6476-1498
(11) 3913-7100
Fontes:
Projeto de área de convivência na Poli/USP conquista certificado internacional de sustentabilidade
ARQUITETURA ESCOLAR E APRENDIZAGEM: A INFLUÊNCIA DO ESPAÇO FÍSICO NO DESEMPENHO EDUCACIONAL
Arquitetura escolar: como projetos bem pensados podem transformar o ensino