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Edifício Integrador da POLI-USP: sustentabilidade e inovação reconhecidas pela certificação AQUA-HQE™

Postado em Certificação | 30 de março de 2026 | 10min de leitura
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O Edifício Integrador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP), projetado pelo escritório Base Urbana, destaca-se como um empreendimento orientado ao desempenho ambiental e à qualidade do ambiente construído.

O projeto foi reconhecido por meio da certificação AQUA-HQE™, que atesta o atendimento a critérios de sustentabilidade ao longo de seu desenvolvimento.

A edificação incorpora soluções que promovem a integração entre espaços e usuários, aliadas a estratégias voltadas à melhoria do desempenho ambiental.

Sua concepção considera aspectos como conforto dos ocupantes, eficiência no uso de recursos e adequada inserção no contexto urbano, em consonância com os requisitos do referencial AQUA-HQE™ Edifícios Não Residenciais em Construção.

A certificação, concedida pela Fundação Vanzolini, reconheceu o atendimento aos critérios do referencial nas fases de pré-projeto e projeto, com previsão de nova avaliação na fase de execução, ao final da obra (início de 2027).

Esse processo evidencia a incorporação de requisitos de qualidade ambiental desde as etapas iniciais até a materialização do empreendimento.

Certificação AQUA-HQE™ e o Edifício Integrador da POLI-USP

Resultado de uma articulação entre a Universidade de São Paulo (USP) e empresas do setor privado, como Cosan e Comgás, o Edifício Integrador consolida uma abordagem integrada entre agentes institucionais, técnicos e produtivos.

Nesse contexto, o empreendimento contribui para o avanço no desenvolvimento da prática da arquitetura sustentável no país.

A avaliação das soluções ambientais do novo Edifício Integrador e do paisagismo, que dão novo acesso ao Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica (POLIPRO-USP), levaram à conquista da certificação AQUA-HQE™ nas fases pré-projeto e projeto.

Sobre a certificação AQUA-HQE™, Professor Fernando Tobal Berssaneti, docente do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, destaca:

 “É um selo internacional de construção sustentável, cujos requisitos foram adaptados para o Brasil pela Fundação Vanzolini tendo como base um modelo francês. Com apoio da Fapesp, nosso pesquisador foi até a França para tentar entender o modelo deles e adaptar para a nossa realidade. A realidade dos países frios e do norte é bem diferente da nossa realidade de sustentabilidade. O HQE, em francês, significa exatamente o que o AQUA é para nós: Alta Qualidade Ambiental da Construção. É simplesmente uma tradução livre, ao pé da letra, mas que funcionou. Hoje nós emitimos um certificado conjunto, ou seja, é um certificado brasileiro, mas também é emitido uma versão francesa ao mesmo tempo. Atualmente, nós temos bons resultados da nossa certificação”.

Ao priorizar a construção verde, a POLI-USP reforça a importância de integrar a sustentabilidade ao cotidiano acadêmico, transformando o campus em um laboratório vivo de boas práticas.

Projeto do Edifício Integrador: transparência, integração e inovação

O conceito arquitetônico, desenvolvido pela equipe da Base Urbana, buscou criar um espaço que fosse, ao mesmo tempo, leve e profundamente integrado ao entorno.

Dessa forma, a iniciativa revitaliza os edifícios existentes, valoriza a convivência e a circulação com soluções projetuais, que organizam de forma eficiente o fluxo de pessoas, veículos, resíduos, água e energia.

O Edifício Integrador foi concebido para ser mais do que uma estrutura física, ele foi pensado como um catalisador de convivência e integração entre alunos, professores e pesquisadores da Escola Politécnica, sendo também um agente que beneficia o aprendizado.

Estudos internacionais demonstram que variáveis físicas do ambiente escolar, como qualidade da iluminação natural, ventilação, cor, organização do mobiliário e estímulos visuais, impactam em até 25% o desempenho acadêmico dos alunos.

Para a arquiteta e urbanista Mônica Blanco, conselheira federal do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), a construção de uma escola deve ser pensada levando em consideração as características culturais e climáticas de cada comunidade. “Uma escola que respeita esses aspectos contribui para o bem-estar dos alunos e professores, criando um ambiente mais acolhedor e estimulante“.

Quais os diferenciais construtivos e estruturais do Projeto Edifício Integrador?

  • Arquitetura viva: integração entre o construído e o natural, com varandas, jardins e passagens arborizadas, que reafirmam o compromisso com o bem-estar e a experiência sensorial no cotidiano acadêmico;
  • Eficiência, conforto e sustentabilidade: os brises metálicos atuam como um filtro solar da luz e da radiação solar direta, garantindo ventilação cruzada e conforto ambiental passivo, sem abrir mão da estética contemporânea;
  • Uso de Madeira Engenheirada (MLC): a escolha pela Madeira Laminada Colada (MLC) de reflorestamento na estrutura primária do edifício é um dos pilares da sustentabilidade do projeto;
  • Eficiência climática passiva: a arquitetura otimiza o conforto térmico e ambiental por meio de soluções passivas, como a ventilação cruzada e o aproveitamento da iluminação natural, reduzindo a necessidade de climatização artificial e, consequentemente, o consumo energético;
  • Água e reaproveitamento: jardins de chuva e cisternas para o aproveitamento de 100% da água pluvial na irrigação do paisagismo;
  • Paisagismo: com espécies nativas, preservando e integrando a vegetação e fauna locais;
  • Sistemas modulares: a adoção de estruturas modulares não apenas agilizou a construção, mas também garante flexibilidade para futuras adaptações e uma maior facilidade na eventual desmontagem, características importantes no conceito de ciclo de vida da construção;
  • Paisagismo funcional: o projeto integra o paisagismo com espécies nativas, promovendo a biodiversidade e auxiliando na gestão de águas pluviais;
  • Conexão, acessibilidade e convivência: circulação e acessos foram redesenhados para garantir acessibilidade universal e fluidez, ao mesmo tempo em que o edifício atua como elemento conector entre os blocos do campus. As passagens estruturam-se também como espaços de permanência, incentivando a convivência e a aprendizagem colaborativa. O investimento de R$ 19 milhões por parte da Cosan e Comgás sublinha o valor dessa parceria entre universidade e iniciativa privada na promoção da inovação e da sustentabilidade.

A Certificação AQUA-HQE™ na prática: critérios e avaliação

A certificação AQUA-HQE™ (Alta Qualidade Ambiental – Haute Qualité Environnementale) é um modelo de origem francesa, adaptado à realidade brasileira pela Fundação Vanzolini, e se destaca por sua abrangência, avaliando não apenas aspectos técnicos da construção, mas também o seu impacto na saúde e bem-estar das pessoas e do meio ambiente.

O processo de certificação do Edifício Integrador percorreu as três fases rigorosas do AQUA-HQE™:

  1. Pré-projeto: definição dos objetivos de desempenho ambiental e sustentável.
  2. Projeto: verificação da integração dos atributos de sustentabilidade nos desenhos e especificações técnicas.
  3. Execução: auditoria em campo para confirmar a conformidade da obra final com os requisitos estabelecidos.

O edifício se destacou em diversas categorias da certificação, comprovando uma gestão eficiente em múltiplos aspectos.

Veja, a seguir, a relação dos atributos sustentáveis do projeto, a partir das diretrizes da AQUA-HQE™:

Categoria AQUA-HQE™Atributo no Edifício IntegradorImpacto sustentável
Gestão da águaJardins de chuva e cisternas de captação.Redução do consumo de água potável e reuso de águas pluviais.
Conforto térmicoVentilação cruzada, luz natural otimizada.Diminuição da demanda por energia elétrica para climatização e iluminação artificial.
Materiais e resíduosUso de madeira de reflorestamento (MLC), controle de resíduos.Redução do impacto ambiental na escolha de materiais e na geração de resíduos de obra.
Qualidade dos espaçosAcessibilidade universal e ergonomia.Promoção do bem-estar, segurança e qualidade de vida para toda a comunidade.

A importância do ciclo de vida na Certificação AQUA-HQE™

Quando se trata de avaliar um projeto sustentável, um dos maiores diferenciais da certificação AQUA-HQE™ é sua abordagem que considera todas as etapas de desenvolvimento do empreendimento, desde a  concepção até a entrega (construção).

Esse olhar holístico avalia desde o projeto inicial, passando pela construção em si e as condições do canteiro de obras, até a eventual desconstrução. Isso garante que as soluções de sustentabilidade sejam constantes e sólidas.

No caso do Edifício Integrador, o foco no ciclo de vida se manifesta em práticas como:

  • Reutilização e reciclagem: valorização de resíduos de construção e operação, com sistemas pensados para facilitar a separação e o reaproveitamento de materiais;
  • Longevidade e manutenção: estruturas concebidas para alta durabilidade e manutenções simplificadas e eficientes, minimizando a necessidade de substituições frequentes;
  • Flexibilidade construtiva: o design modular e o uso da madeira engenheirada facilitam uma futura desmontagem controlada, permitindo a certificação AQUA-HQE™ para a próxima fase do ciclo de vida, com potencial de reutilização da maior parte dos componentes.

O espaço acadêmico e seu impacto na comunidade interna e externa

A arquitetura sustentável do Edifício Integrador tem um impacto direto e positivo na comunidade acadêmica. Um ambiente que prioriza o conforto térmico, a qualidade do ar e a luz natural se configura como um ambiente que estimula o aprendizado.

O edifício é a materialização do conceito de que os “espaços de passagem” também são, essencialmente, “espaços de permanência”. Ao criar pátios e áreas de convivência integrados ao fluxo diário, o projeto estimula a interação informal, a troca de ideias e o aprendizado colaborativo, essenciais para o espírito inovador da Poli-USP.

Mas, uma construção sustentável também precisa olhar para o seu entorno, considerando o bem-estar da comunidade para além de seus muros.

De acordo com o professor Fernando Tobal Berssaneti, “um critério muito importante é a relação do edifício com o ambiente, esteticamente e agressivamente falando. Algo que acontece muito aqui em São Paulo é um edifício que vai ser erguido e vai cobrir o sol de muitas varandas e quintais de casas, por exemplo. Ele tem que se inserir de uma forma natural naquele ambiente, sem gerar questões de barulho, resíduos e agressividade visual.”

A construção sustentável é um compromisso com o futuro

A conquista da certificação AQUA-HQE™ pelo Edifício Integrador da Poli-USP é um poderoso símbolo de compromisso contínuo com o futuro da construção sustentável no Brasil.

A Fundação Vanzolini, como a certificadora exclusiva da certificação  AQUA-HQE™, valida a excelência técnica do projeto e consolida a AQUA-HQE™ como guia em busca de um futuro mais sustentável.

O projeto da Poli-USP se torna, assim, um exemplo nacional, provando que a inovação, a academia e a sustentabilidade podem e devem caminhar juntas.

Para aprofundar o conhecimento sobre a certificação e as práticas que levaram a Poli-USP a esse reconhecimento, busque pelo assunto certificação AQUA-HQE™ e explore os materiais técnicos disponíveis em nosso site.

Para mais informações sobre a certificação AQUA-HQE:

seloaqua@vanzolini.org.br
(11) 3913-7100
Setor comercial e de agendamento:
certific@vanzolini.org.br
(11) 9 6476-1498
(11) 3913-7100

Fontes:

Projeto de edifício na Escola Politécnica da USP recebe certificação internacional de sustentabilidade

Projeto de área de convivência na Poli/USP conquista certificado internacional de sustentabilidade

ARQUITETURA ESCOLAR E APRENDIZAGEM: A INFLUÊNCIA DO ESPAÇO FÍSICO NO DESEMPENHO EDUCACIONAL

Arquitetura escolar: como projetos bem pensados podem transformar o ensino

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