
A certificação AQUA-HQE™ (Alta Qualidade Ambiental), baseada no referencial francês HQE™ e adaptada ao clima, normas e legislações brasileiras pela Fundação Vanzolini, consolidou-se como uma das principais ferramentas de avaliação do desempenho ambiental e da qualidade de vida em edificações.
A abrangência de sua estrutura, que contempla categorias de qualidade ambiental, frequentemente desafia as equipes de projeto a sair do automático, revisitando práticas consolidadas em busca de soluções mais integradas e consistentes para o atendimento aos requisitos da certificação.
Esse movimento de “sair do automático” está fortemente relacionado à visão compartimentada ainda presente nos processos de projeto e obra.
A superação desses desafios exige a adoção de um Processo de Projeto Integrado (PPI), no qual arquitetos, engenheiros, especialistas ambientais e construtores atuam de forma colaborativa desde a concepção.
O consultor de certificação, nesse contexto, deve atuar não como um verificador tardio, mas como um facilitador do processo, auxiliando a equipe a compreender as interconexões entre os alvos e a tomar decisões que otimizem o desempenho global da edificação.
A certificação AQUA-HQE™ não deve ser compreendida apenas como um selo a ser obtido, mas como um referencial orientador, que convida as equipes a procurar novas soluções , almejando sempre a excelência na concepção, construção e operação de edificações sustentáveis.
O planejamento e o monitoramento configuram-se como instrumentos essenciais para materializar essa excelência, resultando em edificações que consomem menos recursos e promovem saúde, conforto e bem-estar ao longo de toda a sua vida útil.
Este artigo identifica os principais pontos de atenção na interpretação dos critérios, com foco nas situações mais recorrentes observadas em auditorias e processos de consultoria, além de propor diretrizes claras para preveni-las, contribuindo para a fluidez do processo de certificação e para resultados plenamente alinhados aos objetivos de sustentabilidade.
O conjunto de referenciais AQUA-HQE™ caracteriza-se por estruturar a avaliação do edifício a partir de uma lógica sistêmica e de multicritério, em que o desempenho global decorre do equilíbrio entre as categorias de desempenho ambiental.
A certificação AQUA-HQE™, ao exigir que as equipes saiam do automático, convida justamente à leitura conjunta dos alvos e à compreensão de que as estratégias adotadas para um requisito impactam diretamente nos demais. Por exemplo, uma estratégia focada na redução de consumo de energia (Categoria 4) não pode comprometer o conforto térmico (Categoria 8) ou a qualidade do ar interior (Categoria 13).
Observa-se, com frequência, a busca por soluções tecnológicas complexas e onerosas para o atendimento às metas de eficiência energética, enquanto estratégias de arquitetura bioclimáticas (como orientação solar adequada, ventilação cruzada, aproveitamento da inércia térmica e dimensionamento eficiente de proteções solares) acabam sendo tratadas de forma secundária no processo de projeto.
Como “sair do automático”:
A categoria que trata da Qualidade do Ar Interior envolve outras temáticas, além do atendimento de taxas de renovação de ar da norma ABNT NBR 16401 ou à especificação de filtros de média eficiência. Trata-se de um tema complexo, que envolve fontes de poluição interna (materiais de construção, mobiliário e ou produtos de limpeza), estratégias de descontaminação e sua interface com o sistema de climatização.
Como “sair do automático”:
Atentar-se ao momento de especificar os componentes da edificação, levando em consideração a:
Leia mais em: Compras sustentáveis: escolha de materiais na certificação AQUA-HQE™ para edifícios em construção
Limitar a análise dessa categoria à existência de transporte público nas proximidades é apenas um dos aspectos a serem verificados. Essa abordagem desconsidera questões essenciais, tais como a integração visual e paisagística da edificação com o bairro, os potenciais impactos gerados aos vizinhos (como ruídos e ofuscamento).
A categoria pressupõe uma avaliação mais ampla da inserção urbana do empreendimento, considerando sua interação com a vizinhança e sua contribuição para a qualidade do ambiente construído.
Como “sair do automático”:
A manutenção é o pilar que garante a perenidade do desempenho ambiental ao longo de décadas, portanto, é de suma importância a entrega de manuais de manutenção completos ao final da obra.
Como “sair do automático”:
Leia mais em: Novos referenciais AQUA-HQE™: Avaliação de desempenho de edifícios residenciais em operação
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