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Sistema Braille e a leitura do mundo na ponta dos dedos

Ler o mundo com a sensibilidade dos dedos. É o que o Sistema Braille garante às pessoas cegas e com baixa visão, um grupo que corresponde a mais de 6,5 milhões de brasileiros, segundo dados do IBGE.

O método, idealizado pelo francês Louis Braille – que perdeu a visão ainda criança – tem quase 200 anos, e foi inspirado na comunicação noturna utilizada por soldados franceses em contexto de guerra. E dois séculos depois, permanece atual, permitindo o acesso à informação e à educação a milhares de pessoas em todo o mundo, sendo considerado um código universal.

Braille no Brasil

Quando o assunto é inclusão por meio da leitura tátil, o Brasil tem um papel especial graças ao trabalho da Fundação Dorina Nowill para Cegos, referência na produção de livros e revistas acessíveis às pessoas cegas e com baixa visão, com a maior imprensa braille da América Latina. Nos últimos 70 anos, foram mais de 6 mil títulos produzidos e cerca de 2 milhões de volumes impressos, entre livros didático-pedagógicos, paradidáticos, literários, entre outros gêneros. Isso sem contar outros produtos e formatos de conteúdo que também são produzidos.

“Nosso grande desafio é transformar as informações visuais contidas nos livros didáticos em informações táteis para garantir que os estudantes com deficiência possam absorver os mesmos conhecimentos e desfrutar das mesmas experiências que os livros em tinta oferecem aos estudantes que enxergam”, comenta Carla de Maria, Gerente de Soluções em Acessibilidade da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Direito à educação

Segundo a própria Fundação, estima-se que nesse período todas as pessoas cegas alfabetizadas no Brasil tenham tido contato com, ao menos, um livro em braille produzido pela Instituição. Isso porque ela tem entre seus projetos o Plano Nacional do Livro Didático, que fornece aos professores e professoras, além de estudantes de todo o país, material adequado para o desenvolvimento de suas habilidades, um pilar essencial para que a inclusão aconteça.

“O braille é o único sistema natural de escrita e leitura para a pessoa cega e é somente por meio dele que as crianças que nascem cegas ou perdem a visão nos primeiros anos de vida podem, de fato, ser alfabetizadas, aprender ortografia, utilizar os símbolos da Matemática, da Química, da Fonética e de outras ciências”, completa De Maria ao falar sobre a importância do código universal.

A GTE e o São Paulo Faz Escola

E para permitir acesso ao conhecimento a um universo cada vez maior de crianças, em 2009 e 2010, a Fundação Dorina, a pedido da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, e com o apoio da área de Gestão de Tecnologias em Educação (GTE), da FCAV, fez a transposição para o braille de conteúdos didáticos do Programa de implementação curricular São Paulo Faz Escola.

Em parceria, as instituições foram responsáveis pela produção dedicada a 232 cadernos do Programa, que tem como foco a unificação do currículo das mais de cinco mil escolas estaduais em São Paulo, com conteúdos voltados para os estudantes, professores e professoras.

A GTE cuidou da transformação dos materiais didáticos em arquivos editáveis, contemplando a revisão de cada página para garantir que nada fosse perdido no processo. Um trabalho de base essencial para que a versão em braille pudesse acontecer, envolvendo mais de 30 profissionais entre assistentes editoriais, equipe de iconografia, de direitos autorais, de produção e diagramadores.

“Essa foi e é uma forma de proporcionar aos professores, educadores e estudantes do Ensino Fundamental e Médio conteúdos de qualidade, de maneira autônoma e adaptados às suas necessidades, garantindo o direito e o acesso à educação gratuita e de qualidade”, comenta Denise Blanes, coordenadora de Produção Editorial da Fundação Vanzolini e que esteve envolvida no projeto.

Já a Fundação Dorina Nowill para Cegos fez a adequação da linguagem para braille, a diagramação dos cadernos, além da impressão e revisão final. A checagem, neste contexto, é um processo fundamental para garantir a qualidade dos livros. Envolve um revisor braille com deficiência visual e um assistente voluntário vidente, que, juntos, conferem todos os materiais, comparando com o original, para minimizar possíveis inconsistências ou erros de compreensão.

“Participar deste projeto nos dá a certeza de que nossa constante preocupação com a formação de profissionais e nosso investimento em equipamentos modernos garantem a entrega de materiais que ajudarão na educação de centenas de estudantes em nosso estado. Esperamos, em um futuro próximo, que os materiais acessíveis cheguem a todos que precisam!”, finaliza a Gerente de Soluções em Acessibilidade da Fundação Dorina.

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