Transporte a granel e custeio por atividades

Supply chain

O cálculo do custo das atividades logísticas é fundamental para que as empresas pratiquem preços que sejam, ao mesmo tempo, competitivos e rentáveis. Neste texto, vamos entender um pouco mais sobre o procedimento de custeio por atividade em transporte rodoviário de cargas líquidas a granel.

Antes de tratar sobre o assunto de nosso artigo, é muito importante definir com precisão do que se refere à análise feita neste texto. Vamos começar pela modalidade de transporte a granel, bem como o método de custeio por atividades.

Transporte à granel é o nome que recebe a movimentação de cargas sem contagem unitária e sem identificação. Ela pode ser aplicada a produtos sólidos, como grãos, ou produtos líquidos, como combustíveis.

Portanto, neste texto, tratamos do transporte líquido à granel, no qual o exemplo mais comum são os caminhões-tanque carregando combustíveis, lubrificantes, leite, água ou outras substâncias.

Custeio por atividade, por sua vez, é um método de cálculo de custos da operação logística. Este método incorpora os custos indiretos (gastos relacionados à administração empresarial e, portanto, presentes em todas as empresas) aos custos fixos da operação. Além disso, estipula os custos fixos e variáveis de acordo com cada atividade que consome os recursos.

Este método também pode ser encontrado em cursos, livros e apostilas como o seu nome no referencial em inglês: Activity-Based Costing (ABC).

Conhecer o processo de custeio e precificação das operações de transporte é fundamental para que as empresas consigam basear suas práticas em indicadores confiáveis e obter alta rentabilidade. Uma vez que a ausência de instrumentos confiáveis de precificação tem levado a empresas a se referenciar em índices externos, que nem sempre traduzem seus custos reais.

Isso combate também uma prática muito comum no modal rodoviário brasileiro até meados dos anos 2000: transportadoras de diferentes portes, características e frotas promoviam uma guerra de preços que inviabilizavam alguns serviços, traziam grandes prejuízos e levavam vários empreendimentos à falência.

A balança do custeio por atividades é bastante tênue: se precificar o serviço em um valor alto, pode não obter demanda. Se precificar em valores muito baixos, a operação dá prejuízo à companhia. Portanto, é preciso estipular o custeio das atividades de maneira detalhada.

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Os custos fixos e variáveis do transporte líquido rodoviário a granel

Visto que estamos tratando do custeio por atividades, no transporte rodoviário estas atividades podem ser definidas em quatro categorias:

  • Carregamento: carga líquida é abastecida dentro do tanque de carga do caminhão. Principais custos: energia utilizada no abastecimento, depreciação do veículo, eventuais desperdícios, entre outros.
  • Transporte: principal fonte de custos. É a movimentação da carga em si. Principais custos: combustível, remuneração do condutor, pedágios, depreciação do veículo, desgaste de pneus e outras peças, entre outros.
  • Descarregamento: esvaziamento do tanque que contém a carga. Tem custos semelhantes ao carregamento.
  • Retorno à base: volta do caminhão à sede da empresa. Tem custos semelhantes ao do transporte, porém ligeiramente reduzidos, uma vez que o veículo transita mais leve, com menos consumo de combustível, pneus e peças.

Neste caso, os custos indiretos (não relacionados às atividades, mas sim à gestão da empresa) são incorporados aos custos diretos de maneira diluída. Isso acontece porque, embora os custos indiretos representam em média apenas 10% dos gastos das operações de transporte, considerá-los no custeio por atividade facilita e ajuda a empresa a praticar preços mais rentáveis.

Para compor o custeio por atividades, são considerados, portanto custos fixos e custos variáveis na operação. Custos fixos são aqueles inerentes à operação em si. São previsíveis e inalteráveis, sendo aplicáveis a qualquer serviço de transporte. Os custos variáveis, por sua vez, podem sofrer alterações imprevistas, ou se modificar de acordo com o destino do transporte.

O método de custeio por atividades no transporte rodoviário determina que os custos fixos sejam estipulados por tempo, enquanto os custos variáveis sejam calculados por km rodado pelo caminhão tanque.

Como custos fixos, temos principalmente: depreciação da frota ou do produto transportado; emplacamento/licenciamento dos veículos; impostos e taxas; salários de condutores e outros funcionários, bem como encargos trabalhistas; seguros e gestão de risco; utilidades, entre outros.

Nos custos variáveis estão os principais itens: serviços aduaneiros (para transportes internacionais de carga); combustíveis; fretes terceirizados; manutenção da frota e aquisição de peças; mão de obra terceirizada; tarifas de pedágio, além da aquisição frequente de pneus.

Caso o líquido transportado a granel ofereça alguns riscos (como combustíveis, solventes industriais, componentes químicos corrosivos ou outros), pode ainda haver custos adicionais relacionados às especificações do caminhão tanque ou à remuneração adicional de motoristas com cursos específicos para o transporte deste tipo de carga.

Como no custeio por atividades os custos indiretos já são diluídos às despesas diretos, ao custo é adicionada a margem de lucro que a transportadora define a partir de sua prática de políticas empresariais para o momento, visando prestar um serviço de boa qualidade de maneira rentável e, ao mesmo tempo, superar as ofertas de uma acirrada concorrência.

Índice Nacional de Variação dos Custos do Transporte de Carga (INCT) – um indicador que funciona de maneira parecida com os indicadores de inflação – é divulgado e atualizado constantemente pelo Departamento de Custos Operacionais da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), baseado nos insumos e outros fatores determinantes na precificação de tarifas.

O indicador dá um panorama dos custos operacionais de transporte e possui um indicador especializado no transporte de carga líquida. O índice traz um valor médio. Uma vez que os custos podem ser modificados de acordo com circunstâncias como a idade média da frota e as condições da rodovia.

Transitar em estradas não pavimentadas podem impactar em até 56% no custo operacional de um transporte, enquanto rodovias em mal estado de conservação podem aumentar o custo do serviço em até 28% em média, segundo dados da Confederação Nacional do Transporte.

 

 

 

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