A escola diante dos desafios das novas tecnologias

As instituições de ensino, tanto do nível básico quanto superior, não podem mais adiar seu ingresso no mundo das novas tecnologias, sob pena de ficarem obsoletas e não conseguirem mais dar conta da missão de formar cidadãos aptos ao mundo atual.

Vanzolini, Google for Education

Por Eduardo de Oliveira

Todo processo de formação acadêmica, segundo a LDB – Lei de Diretrizes e Bases, tem como finalidade promover pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Traduzindo em ações, significa dizer que é dever da escola promover o desenvolvimento de habilidades e competências cognitivas e socioemocionais que assegurem aos estudantes o direito de viver e conviver em um mundo em permanente transformação.

Há de se considerar que precisamos compreender que essa geração vive permanentemente imersa em um contexto digital e tecnológico, que assegura um acesso instantâneo às informações de diversas naturezas.

Um adolescente, em um dia de navegação normal na internet, pode acessar um conteúdo que é superior àquele que um indivíduo letrado do século XIV obteria durante toda sua vida. Isso não significa que aprenderá mais, posto que para a informação ser transformada em conhecimento, é necessário processos cognitivos que exigem maturidade intelectual e quase sempre a mediação de um adulto-professor.

É inegável que o papel do professor não pode ser mais o de detentor exclusivo das informações e único transmissor, como foi durante séculos.

Hoje em dia o professor deve ser exemplo de boas práticas intelectuais de investigação e atuação, demonstrando em suas ações uma maneira eficaz de construção e aplicação desses conhecimentos, através resolução de problemas reais.

Em razão disso, deve ter a competência de:

  • planejar, desenvolver e avaliar o ensino para o desenvolvimento das qualidades humanas desejáveis nos alunos;
  • criar e manter contextos de aprendizagem abertos, flexíveis, democráticos e ricos culturalmente, em que se incentive um clima positivo de aprendizagem;
  • promover o próprio desenvolvimento profissional e a formação de comunidades de aprendizagem com os colegas e com o resto dos agentes envolvidos na educação.

A Base Nacional Comum Curricular já passa a valer em 2019 para educação infantil e ensino fundamental nas escolas públicas e privadas, trazendo mudanças significativas para as práticas dos professores em sala de aula.

Ao transferir o foco da ação pedagógica para o desenvolvimento  de competências, a BNCC propõe uma formação que possa ir além do caráter seletivo e introdutório que tem caracterizado o ensino disciplinar até então, abrindo caminhos para uma ação pedagógica que rompa com o isolamento do professor em sala de aula, promova um trabalho transdisciplinar com o uso de metodologias ativas, como: estudos de caso, trabalhos com projetos, resolução de problemas, metodologia STEAM, entre outros.

As tecnologias digitais auxiliarão as práticas pedagógicas com a mesma naturalidade em que foram inseridas em outros contextos sociais.

Esta integração das tecnologias, em muitas instituições de ensino, se traduz na aquisição de equipamentos como computadores, materiais de robótica, projetores, lousas digitais, impressoras 3D entre outros, sem observarem melhorias significativas na aprendizagem. Apesar de ficarem com uma “aparência” tecnológica que atrai pais e alunos no ato da matrícula, não conseguem mudar a essência das práticas pedagógicas tradicionais.

Pensar a tecnologia em sala de aula, portanto, vai além da compra de equipamentos e softwares. Tomando emprestado a frase célebre de Saint Exupéry, “o essencial é invisível aos olhos”.

A boa tecnologia é aquela que se integra ao cotidiano escolar para favorecer o ensino, a aprendizagem, as atividades de apoio pedagógico e o valor é percebido por alunos, professores e gestores como aliada, e não como fonte de distração, aumento do trabalho e custo. Ela é ferramenta de aprendizado, instrumento para potencializar o trabalho dos professores e investimento para assegurar a sustentabilidade institucional.

Preparar-se para os desafios de um mundo em permanente mudança e fortemente impactado pelas novas tecnologias requer um planejamento das ações e investimentos que privilegiam as pessoas envolvidas nesses processos, ou seja, todos os alunos e professores.

Eduardo de Oliveira é graduado em geografia pela Universidade de São Paulo – USP, com especialização na área de Gestão Educacional pela Trevisan Escola de Negócios. Diretor do Colégio Parthenon, Educador Certificado pela Google (Google Certified Educator) e formador de professores para uso de novas tecnologias e metodologias ativas em sala de aula.

PEV Fundação Vanzolini

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