O que é inovação radical e por que entendê-la é importante

A inovação radical é a alavanca para criar novas tecnologias, novos mercados e novas plataformas de negócios. Com ela, empresas podem capturar maior valor dos seus produtos, posicionarem-se com base em diferenciação e garantirem a renovação dos padrões de competição dos mercados nos quais atuam. Entretanto, para gerenciá-la é preciso entender as suas peculiaridades.

Por Vinicius Chagas Brasil

Fundação Vanzolini, inovação radical,empresas

Inovação é o termo da moda e está presente em quase toda estratégia corporativa, entretanto, a palavra inovação pode ter tantos significados, mas o mais importante exige que os diferentes tipos sejam entendidos em suas peculiaridades, para que as abordagens de gestão sejam adequadas.

Existem diversas réguas para classificação das inovações, mas, de maneira simples, é possível definir inovação segundo a sua dimensão: produto, serviço, processo, modelo de negócio ou grau: da mais incremental até a mais radical.

Em relação à dimensão, as implicações para a gestão são menos dramáticas. É preciso identificar quais as dimensões com as quais aquela inovação lida e adotar ferramentas e estratégias aderentes a cada realidade (é notório, por exemplo, o uso de ferramentas como o Business Model Canvas para projetar novos modelos de negócio). Problema maior, por outro lado, é ter que lidar com inovações radicais em meio às inovações incrementais.

A grosso modo, inovações incrementais são aquelas que tratam de melhorias em produtos (ou linhas de produtos) existentes, ou novos lançamentos baseados em tecnologias e/ou mercados conhecidos.

As inovações radicais são aquelas que trazem novidades para a empresa ou até para o mundo, exploram novas tecnologias, novos mercados (que podem ainda nem existir!) ou geram novas plataformas de negócio.

A importância da inovação radical

Dado o contexto competitivo atual, de ciclos tecnológicos curtos e alto dinamismo de mercado, a inovação radical se torna ainda mais relevante.

A capacidade de lançar inovações radicais de forma sistemática define o poder da organização de se renovar, entrar e criar novos nichos de atuação e trabalhar em ambientes nos quais seu domínio permite maior margem. Lembre-se: empresas são organismos vivos, assim como mercados (será que a GE teria o mesmo sucesso se produzisse apenas lâmpadas até hoje?).

As tecnologias e os mercados mudam, exigindo que empresas modelem novos produtos, formas de produção, e formas de entregar valor ao cliente. TV’s de tubo são substituídas por TV’s de plasma, que são substituídas por TV’s de LCD. Aquelas marcas que uma vez dominaram o mercado, só continuarão como líderes do segmento se tiverem a capacidade de desenvolver os novos produtos baseados em novas tecnologias.

Nessa linha, a inovação radical se destaca por ser o motor que permite a mudança de direção da empresa no tempo. Novas competências vão sendo criadas, outras desfeitas. Negócios estruturados, outros largados. Afinal, a vantagem competitiva não é mais fixa e duradoura, mas transitória. O que faz a empresa hoje não necessariamente terá valor em dez anos.

O problema é a incerteza

Gerenciar a inovação radical, contudo, desafia não só os gestores, mas todo o sistema de gestão da empresa. O problema central é a alta incerteza que a inovação radical carrega. Enquanto a inovação incremental permite enxergar, mesmo que com risco de erro, as tecnologias envolvidas, os tamanhos estimados dos mercados, os modelos de negócio possíveis, os custos presentes; a inovação radical não.

Dúvidas como: qual a tecnologia será o padrão? Haverá tecnologia padrão? Clientes vão comprar o produto? As pessoas querem comprar? Quanto custará? Em quanto tempo consigo desenvolver? Vou conseguir desenvolver? Essas são algumas das questões que a natureza da inovação radical nem sempre possibilita a resposta.

Para encontrar saídas e superar os desafios impostos pelas incertezas da inovação radical, gestores precisam primeiro entender que ela é diferente. Um bom começo é destacar a sua importância e saber que ela é a responsável pelo futuro da empresa, assim como pela sua perenidade. Só por meio da inovação radical a empresa cria competências em tecnologias, mercados e modelos de negócio nunca antes explorados (por ela ou pelo mundo), conseguindo assim atingir a diferenciação.

A inovação incremental é fundamental para sustentar o dia-a-dia da empresa, garantindo a melhoria do que já é conhecido, mas a inovação radical oferece a possibilidade de entrar em arenas não exploradas (o tal Oceano Azul).

Conseguir desenvolver um produto novo e nunca antes apresentado possibilita diferencial competitivo único. Ao desenvolver a inovação radical, a empresa configura competências internas (novos processos, conhecimentos, redes de relacionamento, exploração de clientes) que só ela tem.

Um concorrente não é capaz de facilmente conquistar os mesmos ativos apenas pela cópia, já que tais competências emergem durante a resolução das incertezas. Quem desbrava o caminho, escolhe qual será a rota. Aos outros, só resta seguir.

Um olhar especial sobre a inovação radical é, dessa forma, condição essencial para conseguir gerenciá-la. Mas acredite, apesar de toda a incerteza e dificuldade, só a inovação radical é capaz de fazer com que empresas emergentes ultrapassem empresas estabelecidas, ou que empresas estabelecidas se renovem e mantenham-se competitivas.

__

Vinicius Chagas Brasil é doutorando em Engenharia de Produção pela POLI-USP. É professor, pesquisador e consultor em inovação, gestão de portfólio e estratégia, com foco em inovação radical. Acompanha startups e grandes empresas nacionais e multinacionais.

Quer receber os conteúdos e as novidades da Fundação Vanzolini no seu e-mail? Cadastre-se em nossa newsletter.

Comentários