Networking: como desenvolver relacionamentos profissionais

Por Liao Yu Chieh

Antes de sabermos se networking serve para alguma coisa ou se é pura perda de tempo, vamos primeiro definir o que é networking. Mais do que tomar café com um amigo ou participar de eventos com centenas de desconhecidos, networking é uma atividade individual para desenvolver e manter relacionamentos com outros que tenham o potencial de ajudá-lo em seu trabalho ou carreira.

Networking: como desenvolver relacionamentos profissionais

Diversos estudos mostram que networking é positivamente correlacionado com aumento de salário, percepção de sucesso na carreira, avaliação de desempenho, performance no trabalho e busca de novos empregos.

Entretanto, assim como outros produtos de investimento, networking tem risco e tem custo. Risco porque seus relacionamentos têm apenas o potencial de ajudá-lo, uma expectativa. Custo porque mesmo indo a eventos gratuitos, você gasta tempo, e, citando o escritor e filósofo grego Plutarco, “ter tempo é possuir o bem mais precioso para quem aspira a grandes coisas”, como é o seu caso.

Levando em consideração apenas o seu tempo, o custo de oportunidade de fazer networking pode ser alto ou baixo, dependendo do momento escolhido. Como exemplo de um custo baixo, podemos tomar café durante uma pausa no trabalho com um colega de outra área, que em situações normais você tomaria sozinho. Já ir para um evento longe da sua empresa, em uma noite com trânsito intenso, no dia de aniversário da sua filha tem um custo de oportunidade altíssimo.

Se você não é um artista ou outro tipo de famoso que pode ter assessores e agências para divulgar as suas conquistas e competências, isso significa que a sua rede só será construída com esforços próprios. Confie: quando construir a sua rede, as pessoas que gostaram do seu trabalho vão te seguir e serão fiéis consumidores das suas ações e dicas.

Importante lembrar que networking nunca é uma certeza, mas é um potencial.

Não temos como saber de antemão se o contato proverá alguma assistência ou não, portanto, muitas conversas, diversos cafés e eventos consumirão o nosso tempo, e não darão retorno percebido, e alguns não darão retorno nenhum mesmo.

E como otimizar o investimento do seu tempo em networking? Para começar, vamos dividi-lo em 6 tipos de atividades, derivados de uma combinação de 2 estruturas: contatos internos e externos à empresa onde você trabalha, com 3 funções: construir, manter e usar estes contatos.

INTERNOS

  1. Construir contatos internos: usar eventos da companhia para conhecer novos colegas;
  2. Manter contatos internos: se atualizar com colegas de outros departamentos sobre o que eles estão fazendo;
  3. Usar contatos internos: pedir conselhos de negócio para colegas de outros departamentos.

EXTERNOS

  1. Construir contatos externos: aceitar convites para ajudar a organizar eventos relacionados ao seu ramo de atuação;
  2. Manter contatos externos: enviar material de interesse (artigos, reportagens) para conhecidos que trabalham em outras empresas;
  3. Usar contatos externos: trocar dicas profissionais com conhecidos de outras organizações.

Esta divisão é de extrema importância se quisermos ser eficientes. Alguns profissionais nutrem apenas um ou dois destes tipos esquecendo os demais. Quando almoçam sempre com os mesmos colegas de trabalho, focando apenas em manter contatos internos já estabelecidos, restringindo o raio de ação e de apoio da sua rede. Outros nutrem os tipos que menos os ajudam no momento de carreira em que se encontram, caso de quem busca uma nova colocação no mercado, mas foca nos colegas de trabalho (manter e usar contatos internos), ou quem está buscando novos desafios e promoções dentro da empresa onde trabalha, mas participa de vários meetups do segmento em que atua (construir contatos externos).

Um terceiro tipo de profissional não entende porque não consegue usar a rede de contatos externos para conseguir trocar de emprego ou os internos para conseguir uma mudança de área. Construir relacionamentos não acontecem da noite para o dia, pois você precisa construir confiança, o que geralmente leva tempo. A confiança é conquistada por meio das ações e atitudes percebidas pelo outro, ou seja, é necessário manter contatos externos e internos de maneira íntegra e transparente.

Para manter, é preciso primeiro ter, então construir contatos externos e internos tem que ser o primeiro passo.

A sequência construir-manter-usar não tem como ser evitada, e o tempo que leva entre o primeiro e o último depende da qualidade das interações, portanto, é pouco eficaz enviar o currículo para uma lista de cartões de visita sem ter dado a devida manutenção. Tampouco networking é forçar a barra, ser quem não é, mostrar o que não tem, para ser uma atividade honesta e verdadeira, sem criar um personagem que não seja quem exatamente você é no seu dia a dia.

Pergunte-se a si mesmo: que amigo ou colega de trabalho você indicaria de olhos fechados? E o que eles fizeram que gerou tamanha confiança? Pois bem, agora inverta a situação: o que você pode fazer para que um amigo, chefe ou conhecido lhe indique de olhos fechados? Afinal, networking não é sobre quem você conhece, mas sobre quem confia em você.

Outra vantagem ao dividir networking nos tipos de atividades interno e externo, é poder mostrar aos introvertidos que não gostam de ir a happy hours nem às festas da empresa que networking se faz com muitos, mas pode ser feito com poucos de cada vez. Ser tímido deixa de ser desculpa para construir e manter contatos, bastando entender como se adaptar a cada uma das atividades dado o seu estilo pessoal.

Em uma época em que todos os departamentos de recursos humanos falam em protagonismo do indivíduo, que quem constrói o plano de carreira é o próprio profissional, que aprender não está mais restrito a uma sala de aula, a natureza proativa do networking tem tudo a ver e a sua importância só aumenta.

Proatividade também está relacionada a uma boa prática ao fazer networking: #givefirst

Outra boa prática é #giveback. Construir e manter contatos internos e externos também pode ser feito ajudando a sociedade. Participar de eventos beneficentes ou grupos de apoio, ajudar a comunidade, mentorar pessoas e/ou ser coach de outras. Há inúmeras formas de retribuir, impactar positivamente e fazer networking ao mesmo tempo.

Sempre dê, ajude, compartilhe, apoie, sem pedir nada em troca. Faça isso porque você é uma pessoa do bem, faça isso porque aumenta a confiança da outra parte em você, faça isso porque o outro vai se sentir em débito e vai querer retribuir, faça isso porque você quer manter os seus contatos ativos, faça isso porque custa muito pouco ou nada para você. Não importa, faça. Networking se faz com pequenas doses de contribuição, mas retorna em doses cavalares de benefícios e vantagens. Como você não sabe quando e de quem virá este retorno, crie um ambiente positivo para aumentar as suas chances.

Tudo isso vale a pena a longo prazo, pois todos almejam aumento de salário, sucesso na carreira, boa avaliação de desempenho, alta performance no trabalho e facilidade para buscar novos empregos, projetos e/ou desafios.

Sobre o autor

Liao Yu Chieh é engenheiro formado pela Poli-USP, com MBA pelo Ibmec, é mestre pelo Insper e profissional Certified Financial Planner. Empreendedor, sócio fundador da edtech IDEA9 e professor do Insper, ganhador de 6 das 11 edições anuais do Prêmio Chafi Haddad de Excelência em Ensino como melhor professor da pós-graduação. Atuou 16 anos como executivo do mercado financeiro nos bancos Votorantim e Citibank.

Referências

FORRET, Monica L.; DOUGHERTY, Thomas W. Correlates of networking behavior for managerial and professional employees. Group & Organization Management, v. 26, n. 3, p. 283-311, 2001.

FORRET, Monica L.; DOUGHERTY, Thomas W. Networking behaviors and career outcomes: differences for men and women?. Journal of Organizational Behavior: The International Journal of Industrial, Occupational and Organizational Psychology and Behavior, v. 25, n. 3, p. 419-437, 2004.

WOLFF, Hans-Georg; MOSER, Klaus. Effects of networking on career success: a longitudinal study. Journal of Applied Psychology, v. 94, n. 1, p. 196, 2009.

WOLFF, Hans-Georg; KIM, Sowon. The relationship between networking behaviors and the Big Five personality dimensions. Career Development International, v. 17, n. 1, p. 43-66, 2012.

https://www.businessinsider.com/the-importance-of-networking-2011-5

https://www.businessinsider.com/networking-its-not-about-who-you-know-its-about-who-knows-you-2011-5

https://www.huffingtonpost.com/maria-rodale/the-importance-of-network_b_9039062.html

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