CIO, protagonista da transformação digital?

CIO, protagonista da transformação digital?

No semestre passado, foram divulgados os vencedores do Prêmio Executivos de TI do Ano em 20 diferentes setores da economia (comércio, bens de consumo, saúde, educação, etc). O prêmio considerou o perfil do profissional e um caso de negócio que descreve um projeto de TI na organização – a metodologia está aqui.

O site IT Forum 365 publicou uma série de artigos com os vencedores – foram vinte artigos, um para cada setor do prêmio. Esses textos apresentavam o histórico profissional do CIO – Chief Information Officer, responsável pela tecnologia da informação (TI) de uma empresa – e descreviam como a TI é usada na sua empresa.

São empresas que estão em um processo de transformação digital, onde o papel da TI na organização está mudando, e isso altera, de alguma forma, a própria organização e o seu modelo de negócio.

Eu utilizei o modelo de Steininger (2018), que tipifica o uso da TI nos modelos de negócio, para analisar as empresas dos CIOs vencedores em 2018

Doze das empresas premiadas pertencem a categoria Facilitador onde a TI é usada principalmente na infraestrutura de gestão (atividades de apoio da cadeia). São organizações que têm como objetivo maximizar o desempenho das atividades primárias através da revisão e automação das atividades de apoio, e os novos projetos de TI estão voltados para eficiência operacional. Apenas nas empresas desse grupo é que foram relatadas implantação de sistemas ERP e CRM, e adoção de cloud computing.

Nas organizações do tipo mediador as aplicações de TI estão ligadas aos pilares infraestrutura de gestão e interface com o cliente. As organizações nesta posição utilizam canais digitais para atingirem seus consumidores e venderem. Para isso elas devem entender as características das tecnologias associadas, como elas afetam as atividades da cadeia de valor e os processos de negócio, e as relações de confiança e fidelidade com os consumidores. Seis das vinte empresas se enquadravam nesse grupo. Metade (três) dessas empresas descrevem ações para aumento da eficiência operacional, mas outra metade mostra a TI sendo usada como parte de uma estratégia competitiva de diferenciação. Nesse grupo vimos a adoção de tecnologias como redes sociais, linguagem natural e aprendizagem de máquina, que são tecnologias ligadas à relação com os seus consumidores.

Por fim, no tipo ubíquo o uso da TI permeia todos os três pilares do modelo de negócio – infraestrutura de gestão, interface com o cliente e a criação de valor. Essas organizações voltam seus esforços para a criação e desenvolvimento de produtos (bem e ou serviços) com grande intensidade de TI embutida. Duas das vintes empresas eram desse grupo. Apenas neste grupo foi descrito o uso de blockchain.

Outras tecnologias foram citadas em mais de um dos grupos descritos acima (facilitador, mediador e ubíquio): analytics, mobile, IoT e mobile. Isso porque essas tecnologias podem ser empregadas no suporte de diferentes elementos do modelo negócio infraestrutura de gestão, interface com o cliente e a criação de valor.

Por fim, os artigos publicados pelo IT Forum 365 sugerem duas coisas importantes em relação a mudança do papel da TI na organização. Primeiro é que o CIO tem um papel chave nesta transformação e, segundo, a transformação digital parece acontecer em uma determinada direção na medida em a TI passa a amplificar o suporte aos pilares do modelo de negócio: infraestrutura de gestão (facilitador), interface com o cliente (mediador) e a criação de valor (ubíquio).

Por Renato de Oliveira Moraes – Possui graduação em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo (1988) e doutorado em Administração pela Universidade de São Paulo (2004). Possui 16 anos de experiência no ensino superior, é professor do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade de São Paulo onde participa do grupo de Gestão da Tecnologia da Informação. Seus interesses de pesquisa incluem Gestão da TI, Gestão da Inovação, Gestão de Projetos e Análise Multivariada de Dados. Na Fundação Vanzolini, coordena o Curso de Especialização em Administração Industrial (CEAI) e é vice-coordenador do Curso de Especialização em Gestão de Projetos, ambos realizados em convênio com a Poli-USP.

fonte: ITF365

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