Máquinas aprendem? Pessoas aprendem?

Máquinas aprendem? Pessoas aprendem?

Viver dentro deste processo de mudança nos dificulta perceber que a sociedade encontra-se em um estado de transição bastante significativo e emblemático. Uma realidade imaginada até o momento apenas em filmes de ficção científica, com a coexistência de humanos e máquinas na rotina das pessoas, está cada vez mais próxima. Já temos assistentes eletrônicos em nossos dispositivos de comunicação (vulgo telefones celulares), em nossos relógios de pulso, em nossos carros, até mesmo em nossas geladeiras domésticas. Com este elevado volume de “assistências”, qual será o nosso papel nesta sociedade tão “inteligente”?

Com certa frequência, lanço a seguinte discussão durante as minhas aulas de “Pesquisa Operacional” (agora chamada de Decision Science), e de “Estatística e tratamento de dados” (agora carinhosamente apelidada de Data Science): “será que realmente as máquinas estão aprendendo, ou será que as máquinas aprendem aquilo que nós ensinamos elas a aprenderem?”

Longe de querer despertar uma discussão filosófica, mas em termos práticos, a principal mudança significativa que estamos experimentando é o fato de que antes a mudança era evitada, e agora a mudança é a regra.

Pense no início da administração científica, Ford, Taylor. Nesta época, o trabalho do gestor era garantir que um sistema produtivo se mantivesse operacional, garantindo que nenhuma mudança ocorresse. Desta forma, garantia-se alta produtividade e certificava-se que qualquer carro fosse produzido, desde que fosse do modelo Ford-T, da cor preta. Hoje, as coisas estão muito diferentes: cores são criadas durante o processo produtivo. A customização é plena, e como consumidor, não admito que meu carro seja igual ao do vizinho.

Com isso, torna-se cada vez maior a necessidade de se atualizar, conhecer novas ferramentas, adaptar-se às novas metodologias, quebrar paradigmas. O que não mudou, e na minha opinião está longe de ser mudada, ainda é a forma como estas mudanças são alcançadas.

Compartilhamento de experiências bem sucedidas, quer seja num ambiente informal como a mesa de um bar, ou mais formal como uma sala de aula, ainda é um ecossistema extremamente sadio para se aprender o que devemos ensinar às nossas máquinas a aprender.

Por Daniel de Oliveira Mota

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Sobre o autor

Daniel de Oliveira Mota é Vice-Coordenador do MBA em Gestão de Operações da Fundação Vanzolini.  Possui graduação em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2007), mestrado em Engenharia Industrial e de Sistemas – North Carolina A&T State University (2009) e doutor em Engenharia Naval – Universidade de São Paulo (2016). Foi pesquisador em tempo integral no CILIP-USP (Centro de Inovação em Logistica e Infraestrutura Portuária – USP). Ex-aluno do SCALE-2014 realizado no departamento de transporte do Massachusetts Institute Of Technology. Atualmente é professor e pesquisador do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Tem experiência na área de Engenharia de Produção, com ênfase em modelagem de sistemas (determinísticos e estocásticos). Consultor em Engenharia de Produção, com ênfase em Pesquisa Operacional, atuando principalmente nos seguintes temas: simulação, otimização, logística, six-sigma, gerenciamento de projetos.

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