Reduzir o “achismo” da empresa

Reduzir o “achismo” da empresa

Quando alguém tentava convencer Edward Deming, um dos mais conhecidos “Gurus da Qualidade”, que devia confiar na experiência prática dos gestores para resolver algum problema, ele  retrucava: “em Deus nós confiamos, os demais tragam os dados”. O que se procura nesta frase é evitar que hipóteses sem uma evidência comprovada, geralmente precedidas pela expressão “acho que…”, sejam tomadas como verdadeiras e disparem ações equivocadas para resolver o problema.

A experiência prática certamente ajuda a direcionar a investigação do problema em algum processo da empresa. É um conhecimento que não pode ser desprezado dado que um de seus discípulos mais conhecidos, Kaoru Ishikawa, introduziu um diagrama que procura organizar o brainstorming na busca das causas do problema. Em termos de gestão do conhecimento, o Diagrama de Ishikawa é uma ferramenta para tornar o “conhecimento tácito” em “conhecimento explícito”.

As causas levantadas no Diagrama de Ishikawa são suspeitas que devem ser confirmadas por levantamento e análise de dados. Não é preciso utilizar softwares especializados em estatística para fazer as análises: paretos, histogramas, estratificações, gráficos de séries temporais, tendências e de dispersão estão disponíveis em Excel e resolvem a maioria dos problemas. Desta forma, sem grandes investimentos, os problemas nos processos da empresa podem ser resolvidos de maneira estruturada. Se for realmente necessário, mas nem sempre o é, adquira uma licença de software como SPSS ou Minitab para auxiliar nas análises.

Em qualquer dos casos, a recomendação de Deming é evidenciar, simplificar e resolver o problema com base em fatos e dados, não com “achismos” que atacam os sintomas mas não a causa. Por fim, não tentar fazer o projeto de melhoria atrás de uma mesa. Vá ao chão de fábrica ou ao local, onde a operação do processo acontece para olhar, tocar e escutar. A observação in loco capta uma infinidade de informações que não constam nas narrativas ou relatórios elaborados pelos gestores.

É muito mais fácil resolver problemas baseando-se apenas em experiência prática e no voluntarismo dos gestores e até cria um sentimento de que “sem mim esta empresa não funciona”. O que nunca se percebe é que resolve-se um problema criando vários outros.

Por isso, a importância da atualização para os gestores e a busca contínua por novos conhecimentos, que podem ser desde ferramentas básicas estatísticas até o moderno mundo da Indústria 4.0, disponíveis em cursos como o MBA em Gestão da Produção, da Fundação Vanzolini e da Poli-USP.

Por Paulino Francischini

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Sobre o autor
Paulino G Francischini – Coordenador de projetos e cursos em Lean Thinking e Coordenador do MBA em Gestão da Produção  pela Fundação Vanzolini e Poli-USP. Engenheiro e Doutor em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – EPUSP. Professor do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade de São Paulo, instrutor da Fundação Vanzolini e Fundação Instituto de Administração (FIA). Consultor em Lean Service: Mapeamento de processos de prestação de serviços, aplicação de BPMi-S, padronização de procedimentos; Lean Manufacturing: implantação de Kanban, Troca Rápida de Ferramenta, Arranjo Físico Celular, Heijunka Box, 5S – Housekeeping; Gestão de estoques MP, WIP e PA; Indicadores de desempenho: projeto de sistema de indicadores gerenciais de desempenho (modelos BSC, GAP e, IGD).

*Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão da Fundação Vanzolini.
As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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