O tal mundo VUCA, suas características e paradoxos

O tal mundo VUCA, suas características e paradoxos

Termo criado por militares norte-americanos nos anos 1990 como forma de descrever as principais características que permitem explicar o mundo no contexto pós Guerra Fria, o VUCA tem se encaixado perfeitamente também ao cenário que suporta o atual ambiente corporativo. Semanticamente falando, trata-se de uma sigla, cuja cada letra assume um requisito presente naquilo que é conceituado como Mundo VUCA. Sendo assim, o ‘V’ representa a palavra volatilidade, já o ‘U’ de incerteza, em inglês uncertainty, o ‘C’ vem de complexidade e, por fim, o ‘A’, ambiguidade. Cabe ressaltar a presença de certo reforço conceitual à medida em que cada característica é detalhada, o que permite identificar confortável ‘azeitamento’ na formação da sigla.

Qualidade daquilo que sofre constantes mudanças” esta costuma ser uma das definições encontradas nos dicionários para a palavra volatilidade, representada pelo V da sigla. Nota-se que as mudanças no mundo têm ocorrido em grande velocidade, bem como seus impactos. Isto não apenas nas tecnologias, mas, principalmente, quanto às preferências, certezas e tendências presentes em todo o cenário atual. Ao que parece aliás talvez possa se afirmar ‘aquilo que ontem era de um jeito, hoje é desse e amanhã será de outro’. Enfim um mundo volátil se caracteriza pela natureza dinâmica da mudança das coisas.

A maior imprevisibilidade dos eventos justifica a existência da letra U, de uncertainty, em português, incerteza. Segundo os mais conhecidos dicionários de nosso idioma, “a condição ou natureza daquilo que incita dúvida, imprecisão e/ou hesitação”. Fruto também da volatilidade vivida, planejar de forma mais assertiva tem se tornado um grande desafio, cada vez mais difícil de ser estruturado. Isto se deve, também, a dificuldade de se desenvolver maior conhecimento sobre os desdobramentos das ações executadas em nosso dia a dia, tornando ainda mais obscura a expectativa sobre qual o próximo passo a ser dado.

A complexidade, o C, se faz presente por conta de uma interessante característica que ajuda a fortalecer, ainda mais, as anteriores e que diz respeito a existência de muitas conexões, o que torna tudo ainda mais difícil, bem como a maior interdependência entre elas. Tem sido frequente a presença de cenários com elementos que apresentam intensas e pouco claras relações de interdependência. Em suma, maior presença e menor clareza, algo paradoxal, ainda mais típico e natural em um mundo VUCA. O fato é que não é possível afirmar a existência de apenas uma resposta correta, mas sim diversas possíveis respostas para a mesma situação, de acordo com diferentes pontos de vistas que podem estar presentes de forma simultânea.

Tem sido difícil encontrar coerência e/ou seguir uma linha de raciocínio lógico que permita fundamentar, de forma adequada, o porque de certos fatos. A maior dificuldade no entendimento da natureza das situações presentes que nos cercam, tem permitido entendimentos diversos e a proposição de soluções que nem sempre são as melhores. Daí a ambiguidade, o A, segundo alguns de nossos dicionários, “aquilo que pode ter mais do que um sentido ou significado e que permite a existência de sensações de indecisão, hesitação, imprecisão, incerteza e indeterminação”, talvez não por acaso, o que ‘fecha’ a sigla VUCA, a existência de múltiplas interpretações para um mesmo fato.

O entendimento de cada uma das características se faz necessária não exatamente por conta da necessidade de se estereotipar certas realidades e cenários com os quais todos precisamos conviver, mas, principalmente, quanto a relevância de se auto investir em ações que potencializem a perpetuação de um ciclo de movimento constante, passível de gerar maiores índices de evolução e de adaptação às constantes mudanças vividas. Um desafio.

Conhece o VUCA ou possui alguma dúvida? Comente e compartilhe sua experiência conosco.

Por José Renato Santiago

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Sobre o autor

José Renato Sátiro Santiago Junior – Professor da Fundação Vanzolini na pós-graduação em Gestão de Projetos em Tecnologia da Informação. Grande experiência no desenvolvimento de atividades relacionadas à Administração de Empresa, Gestão de Pessoas, Gestão de Projetos, Inovação e Gestão do Conhecimento. Atuação por mais de 20 anos em empresas nacionais e multinacionais nos segmentos de Óleo e Gás, Engenharia, Telecomunicações, Construção, Farmacêutico, Eletro-Eletrônico e Bens de Consumo. Mestre e doutor em Engenharia pela USP com pós-graduação em Marketing pela ESPM. Autor de dezenas de livros e artigos, dentre os quais se destacam, “Gestão do Conhecimento – A Chave para o Sucesso Empresarial.”, “Capital Intelectual – O Grande Desafio das Organizações.” e “Buscando o Equilíbrio”. Administrador do site Boletim do Conhecimento onde publica artigos e ideias cujo tema central é o mundo corporativo, com cerca de mais de 10.000 leitores semanais.

*Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão da Fundação Vanzolini.
As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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