Por que a Economia Circular é uma competência de mercado atual para a Engenharia de Produção? – Parte II

Por Nelson Marinelli Filho

Por que a Economia Circular é uma competência de mercado atual para a Engenharia de Produção? - Parte II

Se você digitar no campo de busca de sua conta no Google a expressão “racist ad” (anúncio/propaganda/campanha racista), muito provavelmente você terá uma resposta muito semelhante à minha, que coloquei na Figura 1.

Por que a Economia Circular é uma Competência de Mercado Atual para a Engenharia de Produção? - Parte II

Figura 1 – Retorno, em Imagens, da busca pelo termo “racist ad” no Google.

Ao observar com cuidado a imagem, você irá perceber que na primeira linha das oito imagens retornadas, cinco estão relacionadas a uma campanha infeliz de uma das principais marcas da UNILEVER, a DOVE, onde uma mulher negra, ao usar um de seus produtos e tirar a “camisa”, torna-se branca.

Para entender melhor as especificidades deste evento, que está se tornando um caso de estudo em muitas áreas da comunicação e marketing, sugerimos as seguintes referências: The Guardian, em 10 de outubro de 2017 ou The New York Times, em 8 de outubro de 2017.

Em nosso contexto, de discussão da Economia Circular como uma competência fundamental da Engenharia de Produção para os próximos ciclos do mercado de trabalho, precisamos conectar este evento com mais um fato, representado pelo texto a seguir.

Daniel H. Pink é um conhecido “best-seller” norte-americano que alinha com extrema habilidade os temas trabalho, negócios e tecnologia, acumulando uma significativa lista de artigos publicados na Harvard Business Review, The New York Times, Review, Fast Company e WIRED. Há aproximadamente quinze anos, na obra “A Whole New Mind”, que causou uma boa comoção nas publicações de negócio, Pink escreveu:

“The last few decades have belonged to a certain kind of person with certain kind of mind – computer programmers who could crank code, laweyrs who could craft contracts, MBAs who could crinch numbers. But the keys to the kingdom are changing hands. The future belongs to a very diferente kind of person with very deferente kind of mind – creators and emphathizers, pattern recognizers, and meaning makers. These people – artists, invertors, designers, storytellers,caregivers, consolers, big Picture thinkers – will now reap society’s richests rewards and share its greatest joys”.

Em português, algo como:

“As últimas décadas pertenciam a um certo tipo de pessoa com certo tipo de mente – programadores de computador que podiam manipular códigos, advogados que podiam criar contratos, MBAs que devoravam números. Mas as chaves para o reino estão mudando de mãos. O futuro pertence a um tipo de pessoa muito diferente, com um tipo muito diferente de mente – criadores e ‘emphathizers’, reconhecedores de padrões e criadores de significados. Essas pessoas – artistas, inventores, designers, contadores de histórias, cuidadores, consoladores, grandes pensadores – agora colherão as recompensas mais valiosas da sociedade e compartilharão suas maiores alegrias”.

Eu poderia ter deixado apenas uma das versões do trecho escolhido no corpo do texto, em português ou inglês. Não fiz isso, com o propósito de destacar a palavra emphathizers”, que seria algo como “empatidizadores”, em uma tradução bem sem-vergonha.

“Empatia (sociologia) – forma de cognição do eu social mediante três aptidões: para se ver do ponto de vista de outrem, para ver os outros do ponto de vista de outrem ou para ver os outros do ponto de vista deles mesmos”.

Pronto. Chegamos no ponto.

O ambiente econômico de nossa época tornou-se tão complexo, em função de nossa capacidade Global de conexão, que é impossível pensar de forma simples e direta em qualquer ação de negócio, que na produção de commodities, bens, serviços ou experiências. Sempre que nos arriscarmos a pensar de forma linear iremos correr o risco estabelecido de destruir nossa reputação.

A Economia Circular representa o corpo de conhecimento, estruturado e maduro, de alinhamento dos processos organizacionais e de produção na melhoria de nosso foco, não mais apenas na entrega de valor, mas também em sua preservação, restauração e regeneração.

Esse é seguramente um dos principais papeis que “emphathizers” irão desempenhar na Engenharia de Produção nos próximos anos.

Até aqui respondemos uma parte da pergunta inicial. Algo como o “Porquê”.

O “Como” será construção será feita será apresenta na próxima e última parte deste artigo. No entanto, gostaríamos muito de saber a sua opinião sobre os pontos que discutimos agora.

Assim, pedimos que você reflita sobre a seguinte questão – “Empatia é realmente um direcionador de valor na Sociedade Pós-Industrial?”. E se você tiver tempo, por favor, nos encaminhe sua resposta.

Novamente, se você tiver alguma pergunta, ficaremos muito felizes em ouvi-la e, mais ainda, em aprender com ela.

Obrigado.

O curso de Economia Circular – Mindset: O Re-design Transformando Organizações da Fundação Vanzolini foi pensado e estruturado com o objetivo formar lideranças empresarias para a liderar o processo de transição da Economia Linear para a Circular, no horizonte de 2018 a 2025.

Economia Circular – Mindset: O Re-design Transformando Organizações

Sobre o autor*

Nelson Marinelli Filho – Professor e coordenador da Fundação Vanzolini no curso de Economia Circular – Mindset: O Re-design Transformando Organizações. Possui graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade de São Paulo (1994), mestrado em Engenharia Mecânica pela Universidade de São Paulo (1997) e doutorado em Engenharia Mecânica pela Universidade de São Paulo (2002). Tem experiência na área de Engenharia Mecânica, com ênfase em Processos de Fabricação, Seleção Econômica, atuando principalmente nos seguintes temas: processos de fabricação mecânica, acoustic emission, dressing of grinding wheels, grinding e instrumentação.

*Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão da Fundação Vanzolini.
As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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