Inovação como diferencial competitivo

Inovação como diferencial competitivo

Não é equivocado acreditar que inovação esteja relacionada à tecnologia. No entanto, se ater a esta visão é uma perspectiva muito limitada, que se compara ao cientista testando experiências em um laboratório com apostas ao acaso. O conceito do termo — tão visado pelas grandes companhias e de garantia de sucesso ainda nebulosa para boa parte delas — abrange, sobretudo, a transformação de ideias em novos serviços, novos modelos de produção, novos modelos organizacionais e até novos modelos de negócios.

Com abrangência tão ampla, naturalmente a execução da inovação é um processo que envolve etapas bem planejadas e o apoio de todos os stakeholders da organização — um time que contemple alta e média gestão, colaboradores e até mesmo parceiros externos, como universidades, institutos de pesquisa e fornecedores.

Diante disso, a avaliação do funcionamento do processo de inovação de uma empresa vai muito além dos resultados. Para começar, é fundamental considerar três direcionadores:

  1. Definir a estratégia de inovação, que deve estar perfeitamente alinhada com a estratégia do negócio em si, afinal, a inovação é para desenvolvê-lo.
  2. Dominar o time to market e o time to profit. O projeto não pode ser do tipo walking dead, que anda sem um horizonte de como a ideia vai para o mercado, bem como suas perspectivas de lucro. Além disso, a velocidade deve ser precisa, do contrário, a estratégia vira fracasso.
  3. Criação de valor, afinal, a inovação é uma alavanca de sucesso empresarial.

Contudo, mesmo considerando esses direcionadores do sucesso da inovação, devem ser criados processos que suportem as especificidades de cada empresa. A Superbid, por exemplo, nasceu da ruptura de um modus operandi tradicional, focando na valorização, transparência, legalidade, eficiência, publicidade e impessoalidade dos processos de leilões e, ao longo de 18 anos, inovou na tecnologia user friendly, atraiu novos nichos de mercado, expandiu fronteiras e investiu em ferramentas avançadas, tornando essas ações verdadeiras alavancas de geração de valor.

A ATKearney e a Superbid, que encabeçaram o Prêmio Best Innovator 2017 e, como parâmetro de avaliação, essas empresas desenvolveram dimensões de sucesso esquematizadas em seis níveis que, a partir dos drivers elencados anteriormente, elucidam as etapas. Veja:

Inovação como diferencial competitivo

O topo diz respeito a estratégia da inovação que vai diferenciar e destacar a empresa. É necessário identificar as soluções para os clientes explorando as competências tecnológicas, ambientais e humanas, como saúde, segurança e qualidade de vida. Além disso, as megatendências devem estar sempre em vista, como a preocupação com a fome mundial e a escassez de água, por exemplo.

No segundo plano, a implantação de uma cultura da inovação entre gestão, colaboradores e parceiros. Para isso, deve haver um incentivo de comportamento e engajamento que pode ser financeiro ou qualitativo, catalisando a inovação por meio de prêmios, discussões e workshops. É importante salientar que a cultura é um legado, está na missão e no DNA da empresa, por isso é bastante desafiadora e leva tempo.

Definindo estratégia, os estágios do processo de inovação devem estar claros, com acompanhamento minucioso de idealização, protótipo e desenvolvimento até, de fato, alcançar a inovação do produto, do serviço ou do modelo de negócio.

Na base da pirâmide, os fatores habilitadores, a estrutura que viabiliza, sustenta e motiva a inovação. É interessante utilizar ferramentas de business intelligence, pesquisas e sistemas a fim de sondar e garantir que o projeto já não exista dentro ou fora da empresa, afinal, assim não será inovação.

Por fim, duas dimensões agem sobre a pirâmide, embora não estejam nela inseridas: A primeira é a colaboração externa: o sucesso do seu fornecedor — na perspectiva da inovação — impacta no seu sucesso, portanto, a utilização de instituições de pesquisas, o compartilhamento de patentes com universidades, o diálogo com o cliente e até mesmo o suporte financeiro para desenvolver startups que podem ser futuras parceiras é fundamental no processo. Já o outro balão que ladeia a pirâmide contempla os casos de sucesso, que transformaram dinâmicas do mercado e sempre devem ser rememorados para que o projeto se inspire e se retroalimente.

Claro que as etapas são referências, caminhos para que os desafios da inovação sejam norteados e obtenham êxito. Para o seu projeto, para além da originalidade e expertise, lembre-se sempre de que transformações são difíceis, custosas e devem ser planejadas em cada detalhe e em equipe.

Por Edson Bouer

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Sobre o autor

Edson Bouer – Professor do Curso de Capacitação em Gestão de Projetos na Fundação Vanzolini; Possui graduação em engenharia pela Universidade de São Paulo – USP (1987); Graduação em direito pela Universidade Paulista – Unip (2013); Especialização em gestão de marketing pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. Com mais de 30 anos de atuação no mercado, ocupando posições de destaque na gestão de empresas de engenharia. É diretor executivo da Superbid.

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