Se descobrir qual é a sua inteligência tudo fica naturalmente mais fácil

Se descobrir qual é a sua inteligência tudo fica naturalmente mais fácil

Todas as pessoas são inteligentes, explica o professor Howard Gardner, da Escola de Educação da Universidade de Harvard, mas o que normalmente as pessoas entendem como inteligência pode fazê-lo sentir-se burro.

Para Gardner, o que normalmente chamamos de inteligência é a capacidade lógica-matemática de resolver problemas. Ter um QI alto representa ter capacidade de resolver questões de forma lógica. Toda a nossa educação formal foi construída a partir dessa associação: provas nas escolas, vestibulares, concursos públicos. Quem não tem essa “inteligência” geralmente se frustra pois acha que não consegue “aprender”. Mas Gardner defende outra abordagem que chamou de Teoria das Inteligências Múltiplas, que compreende oito (ou nove, dependendo da referência) tipos diferentes de inteligência.

Apesar de relativamente antiga, já que foi inicialmente elaborada na década de 1980, muitas pessoas ainda não sabem qual é a sua inteligência principal e talvez por isso ainda se frustram por não se equiparar a outras pessoas mais “inteligentes”.

Mas quando você descobre qual é a sua inteligência principal e passa a priorizá-la nos momentos de aprendizagem, naturalmente terá um desempenho superior comparado a forçar uma inteligência que ainda não está desenvolvida. Se der algum crédito para a teoria de Gardner, faça um teste rápido para descobrir quais são as suas inteligências principais. Clique aqui para encontrar alguns testes. Depois, entenda como pode aprender melhor e mais rapidamente, considerando estas novas descobertas.

Também pode ser interessante estudar a trajetória de empreendedores que tinham inteligências semelhantes às suas.

Preparei um pequeno resumo das inteligências múltiplas abaixo e inclui algumas suposições de empreendedores que provavelmente tenham estas inteligências para que você busque mais informações a respeito.

• Lógico-matemático: Facilidade de calcular, quantificar, pensar de forma lógica e fazer deduções. Não é surpresa então encontrar empreendedores com formação em exatas, como Elon Musk (Tesla, SpaceX), Jeff Bezos (Amazon), Bill Gates (Microsoft), Sergey Brin e Larry Page (Google) e Laércio Cosentino (Totvs).

• Linguística: Facilidade de escrever ou falar para atingir objetivos. Se este for seu caso, preste atenção em empreendedores como Howard Schultz (Starbucks), Oprah Winfrey ou Alberto Saraiva (Habib’s).

• Espacial: Capacidade de aprender observando situações, objetos e interações. Especialidade de pessoas como Steve Jobs, Walt Disney, David Kelley (Ideo) e Ed Catmull (Pixar).

• Corporal-cinestésico: Aprende de forma mais interativa, vivenciando o fato. São empreendedores que gostam de estar com seu público, colaboradores e parceiros, como Phil Knight (Nike), Sam Walton (Walmart), Bill Hewlett e David Packard (HP), Guy Laliberté (Cirque du Soleil) e Luiza Trajano (Magazine Luiza).

• Interpessoal: Entendem as pessoas e sabem tirar o melhor delas. Se for assim, preste atenção nos ensinamentos de Jorge Paulo Lemann, Marvin Bower (Mckinsey), Salim Mattar (Localiza).

• Musical: Habilidade para reconhecer, compreender, criar, replicar e perceber sons, ritmos e tons musicais. É o que tem facilidade de aprender ouvindo. Além de empreendedores do ramo musical, como Andrew Lloyd Webber, Box Vox (Elevation Partners), Simon Cowell (X Factor). Richard Branson (Virgin), por exemplo, já explicou como a música o ajuda a desenvolver negócios em diversos momentos.

• Naturalista: Compreensão e conscientização do todo, do mundo natural, do contexto amplo de uma situação. Tem visão sistêmica. Empreendedores como Anita Roddick (The Bodyshop), Gary Hirshberg, John Mackey (WholeFoods) e Luis Seabra (Natura) poderiam se enquadrar nesta abordagem.

• Intrapessoal: Compreensão de si mesmo, que ajuda a alcançar objetivos. Mais facilmente observável em crianças e jovens que são mais seguros de si. Empreendedores como Yvon Chouinard (Patagonia), Thomas Edison (GE), Rony Meisler (Reserva) poderiam ser classificados nesta categoria.

Além de descobrir quais são suas inteligências principais, reflita quais estão faltando para o seu negócio. Um empreendedor mais espacial pode demandar alguém mais lógico-matemático, como aconteceu com a dupla Walt Disney (espacial) e Roy Disney (lógico-matemático), por exemplo.

Empreendedores que aprendem a ser mais “inteligentes” e sabem que precisam de outras inteligências empreendem mais e melhor!

Por Marcelo Nakagawa

fonte: Blog do Empreendedor

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Sobre o autor

Marcelo Nakagawa é Professor na Fundação Vanzolini. É membro do conselho da Anjos do Brasil e da Artemísia Negócios Sociais. É colunista da revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios e do Estadão PME, além de ser colaborador da Exame PME. É consultor de empreendedorismo no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e Bradesco. É autor dos livros Empreendedorismo: Elabore seu plano de negócio e faça diferença (Ed. Senac, 2013) e Plano de Negócio: Teoria Geral (Ed. Manole, 2011) e co-autor de Empreendedorismo Inovador: Como criar startups de tecnologia no Brasil (Ed. Evora, 2012), Sustentabilidade & Produção (Ed. Atlas, 2011) e Engenharia Econômica e Finanças (Ed. Elsevier, 2009) . É doutor em Engenharia de Produção (POLI-USP), mestre em Administração e Planejamento (PUC-SP) e graduado em Administração de Empresas (FEA-USP). Na Fundação Vanzolini, ministra aulas nos Cursos de Capacitação em Gestão da Qualidade e o curso Práticas de Liderança e de Gestão de Pessoas nas Organizações.

*Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão da Fundação Vanzolini.
As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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