Inovação pelo Design

Inovação pelo Design

Confesso ter ficado atônico recentemente numa conferência de Engineering Design quando um dos principais membros da mesa diretora colocou sua “inquietude” no painel de debate, dizendo: “(…) eu não estou convencido ainda de que realmente existam processos de inovação, ou se é tudo uma questão de perspectiva diferente dos processos de design”, e toda audiência se colocou em estado de reflexão. De fato, é uma questão intrigante.

Os desafios criativos das empresas estão associados aos problemas do mundo real oriundos de diferentes indústrias. Diversos esforços para endereçar esses desafios apontam para a Inovação pelo Design, especialmente como instrumento de aprendizagem sobre como inovar usando as abordagens de design. No entanto, agregar valor ao negócio, na prática, via resultados da inovação, acaba se tornando viável no curto prazo somente se contextualizado e baseado em questões práticas provenientes da experiência cotidiana do usuário, da organização ou da sociedade.

Além disso, a inovação via design exige análises oriundas de diferentes perspectivas que resultem de alguma forma numa reação do usuário. Essa ampla contribuição de perspectivas vem da troca de conhecimento entre os ambientes interno e externo da organização. As plataformas digitais de colaboração usadas para conectar as habilidades corretas no momento certo do ciclo de vida das práticas de design são parte dessa equação que visa obter criatividade e alavancar a inovação. Design-in-Action é uma questão de troca de conhecimento focada em “issues” que retratem a “dor” da situação. Promover um “espaço” para tratar essas questões é mandatório porque auxilia no reframing dos pensamentos que levam a encontrar novos caminhos para as soluções práticas.

Nenhum resultado prático para o negócio será obtido através da inovação sem integrar design-thinking com business-thinking. Isso está relacionado a questão de criar e apoiar uma cultura de design dentro da organização e, ao mesmo tempo, obter conhecimento para colocar o pensamento criativo em ação. A inovação via design na organização requer hábitos corporativos como:

  • Descobrir oportunidades de inovação ao analisar issues com o mindset centrado no usuário.
  • Reformular o problema para achar novas alternativas para os caminhos da solução.
  • Valorizar a atitude experimental e descobrir de forma interativa o que é verdadeiramente útil, prático e viável.

As práticas de design são forças para lidar com a transformação que ajudam as organizações a desenvolver uma abordagem que inove seus produtos, serviços e promovam uma nova experiência para os seus clientes. Essa força de transformação é percebida no negócio da organização quando ela cria novos significados e experiência emocional aos olhos dos consumidores. É por isso que design tornou-se uma importante habilidade nos círculos empresariais, e as organizações estão tentando entender e dominar essa vantagem competitiva que a inovação pelo design pode oferecer.

A colaboração com foco em issues usada pelas práticas de design e associadas a uma plataforma digital impulsionam a inovação, criando um “espaço digital” poderoso para digerir as alternativas aos problemas, potencializando análises sobre os pontos:

Reação do Usuário:
• Compreender os problemas de uma perspectiva humana, organizacional e da sociedade, fundamental para encontrar um propósito significativo por trás de qualquer inovação.
• Aprender novas maneiras de descobrir as necessidades do usuário.

Ideação em Multiperspectivas:
• Compreender por que a procura por novidade e utilidade é a essência da criatividade.
• Desempacotar a criatividade e incentivar estratégias que permitam ideias criativas.

Interações Ágeis:
• Discussões paralelas envolvendo redes de especialistas para interagir num “espaço digital”.
• Avaliar e executar iterações que movam as ideias preliminares para uma verdadeira e desejável ação, viável e prática.

 Cultura em Design:
• Criar uma ferramenta para apoiar uma cultura organizacional criativa, a fim de trazer o benefício do design para a organização.
• Estabelecer um ambiente de colaboração para alavancar gerências-chave na organização, para ativar uma cultura organizacional que suporte o pensamento criativo e a ação criativa.

Transformação Organizacional:
• Apoiar a transformação da realidade da organização por meio do engajamento das pessoas na abordagem de tornar-se mais inovador.
• Criar clusters de competências como oportunidades de apoiar organizações tradicionais na transformação dos seus casos de inovação.

A colaboração baseada em issues é uma abordagem que empodera a inovação via design e pode proporcionar forte impacto nos negócios quando associada ao poder do mundo digital – Smart Contract, que permite explorar escala,  agilidade e confiabilidade simultaneamente – a execução de um framework adaptativo às issues encontradas na linha do tempo de um projeto, e que permita vincular uma equipe colaborativa em paralelo para que haja um adequado suporte à issue, permite uma transformação na gestão de projetos, especialmente porque cria ciclos de interação dinâmicos que aplicam práticas de design para auxiliar em soluções criativas para os problemas do projeto.

Por O. Zózimo De Souza Jr. – Editor da Revista Project Design Management

__________________

Em tempos onde os impactos das tecnologias emergentes transformam os negócios em ciclos de curto prazo, lidar com inovação e colaboração em rede são competências indispensáveis.

Mercados competitivos e trabalhos complexos demandam abordagens sensíveis aos recursos e contexto. Conheça o Design Management, práticas e abordagens para lidar com inovação e equipes colaborativas. Clique no link e saiba mais.

 

____________________

Receba os conteúdos e as novidades da Fundação Vanzolini no seu e-mail: Cadastre-se em nossa newsletter

Comentários