Sem risco, sem inovação

Sem risco, sem inovação

Um dos temas recorrentes em nossos trabalhos é a inovação. Assunto de palestras e foco dos nossos esforços, procuramos enxergá-la como consequência de um ambiente bem cultivado, com elementos específicos que frutifiquem processos de transformação ou criação de novas possibilidades. Nessa linha, podemos discorrer sobre o risco como uma das características deste contexto naturalmente inovador.

Um ambiente cujo padrão predominante é o conforto e o medo não inova. Ambientes que geram o desejo de fazer diferente e evoluir são contrários aos que nos colocam no ciclo de proteção e reducionismo do medo, da competição e do conforto. Ambos lidam com o risco, porém, de maneiras opostas: no primeiro, descrentes, fugimos ou nos apegamos fortemente ao que está diante de nós; no segundo, por outro lado, acreditamos que é preciso aproveitar este cenário para cultivar uma nova realidade.

Correr riscos é como acionar a necessidade de resolver desafios que vão além da nossa capacidade atual de processá-los. Para isso, é preciso evoluir em consciência, mudar a forma de perceber e fazer as coisas, saltar em visão de mundo. O papel de um bom líder, neste caso, é mapear e compreender as dimensões deste movimento e calcular os riscos que de fato servirão para este propósito.

Vejamos o exemplo de um cliente que percebeu em um de seus diagnósticos o “marasmo organizacional” que sua empresa vivia. A conclusão poderia ser: ”está tudo muito certo e bom, estável e contínuo”. Entretanto, um olhar mais apurado de futuro deixava claro um cenário oposto: era preciso trazer este “risco futuro” para o presente e, com ele, a necessidade de transformação de olhar, solução de desafios e criação de novas possibilidades.

A questão que fica aqui é como encaramos o risco? Procuramos controlar ao máximo nossas empresas (números, futuro, pessoas) para evitar o risco, ou criamos conflito onde está tudo muito calmo? Estamos atentos aos cenários e mudanças de mercado, de maneira a aproveitar seus movimentos, ou fugimos desta realidade com medo da mudança que precisa ser feita? Encaramos com profundidade o exercício de pensar o futuro de nossas empresas ou departamentos ou deixamo-nos levar sem um alvo claro definido?

Reflexões nos mostram o quão importante é tomar consciência sobre o papel do risco em nossa vida. A expressão “valer a pena” é muito significativa aqui, pois é fruto do risco bem aproveitado. Dizemos isso quando o desconforto natural do risco foi menos dolorido do que a conquista por ele alcançada. Ao observar um vaso com terra, por exemplo, podemos decidir investir em ações de plantio ou não. Essa decisão está baseada na fé de que algo poderá nascer dali e desta forma, fazer valer o risco, o esforço, o tempo e a energia investidos. Uma atitude consciente, com direção e significado. Agora, o que vale o risco na sua empresa? E na sua vida?

*Por Anderson Siqueira | Contribuição: Consense

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Sobre o autor

Anderson Siqueira  – É ex-aluno da Fundação Vanzolini, consultor e palestrante nas áreas de governança, inovação e desenvolvimento de pessoas.

*Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão da Fundação Vanzolini.
As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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