Apresentações em público: erros que podem e devem ser evitados

Apresentações em público: erros que podem e devem ser evitados

Apresentações em público são tabu para muitos profissionais. Este dilema torna-se ainda maior quando a dificuldade vem de um gestor, um líder, um profissional que precisa atuar de forma ativa na gestão de pessoas ou no relacionamento com outras áreas, clientes, fornecedores e com a alta direção da organização.

Esta dificuldade pode até representar um empecilho para o desenvolvimento de carreiras. Mas nem tudo está perdido, para ajudar nesta questão, listamos os principais erros cometidos e algumas técnicas de apresentação, com dicas para solucionar este problema. Confira como ir bem nas apresentações em público:

1 – Falta de um planejamento de fala, de um roteiro

Este é um dos erros mais graves, uma vez que sem o roteiro, as ideias poderão ser jogadas aleatoriamente para o público, dificultando a compreensão da mensagem. Além disso, alguma ideia importante pode não ser apresentada em razão do nervosismo e da ansiedade que geralmente toma conta do apresentador. Se houver slides para apoiar a apresentação, todos deverão seguir a lógica da fala, o que quer dizer, deverão estar conectados com o espírito do discurso.

Dica: faça uma lista de todas as coisas que vai falar e crie um roteiro, seguindo uma lógica simples de fácil compreensão pelas pessoas. Treine e siga seu roteiro. Por exemplo: apresente um cenário instigante, proponha uma solução para o caso, construa a sua argumentação em cima disso e finalize com uma proposta de ação.

2 – Abertura do discurso débil, chocha, desmotivadora

A abertura da fala é o momento do encantamento da plateia. Deve despertar nas pessoas o sentimento de que valeu a pena ter vindo e a vontade de ouvir e saber mais do que foi anunciado. É o momento da captura da atenção do público, gerando a expectativa necessária à sustentação do discurso.

Dica: para deixar o público curioso, use o que se chama “ímã da atenção” que pode ser uma citação, uma pergunta instigante, uma história motivadora, um desafio. É fundamental que as pessoas permaneçam atentas ao que você diz, querendo ouvir e saber mais.

3 – Descuido com a principal ferramenta do orador: a voz

Uma fala desarticulada e uma dicção sofrível desmancham qualquer encanto que um orador poderia apresentar. Já nos primeiros momentos, essa característica pode arrasar a imagem do apresentador, levando a plateia a erguer barreiras muitas vezes intransponíveis, apesar de um possível bom conteúdo que tenha o discurso.

Dica: há inúmeros exercícios que podem ajudar a aprimorar a qualidade da fala, a desenvolver uma boa dicção e a refinar a pronúncia das palavras. Trabalhar a entonação da voz, a intensidade (volume), a velocidade e o ritmo, é indispensável para o desenvolvimento de uma fala agradável, o que é um fator fortíssimo denaproximação entre o orador e seu público.

4 – Descuido com a gramática e com o vocabulário

Muito cuidado com a gramática. Erros gramaticais atrapalham a apresentação e também colaboram para desgastar a imagem do apresentador diante de sua audiência. Cuidado especial deve ser aplicado à concordância e à conjugação de verbos.

Dica: prepare-se bem para não depender de um vocabulário pobre e vulgar; desenvolva um vocabulário simples, objetivo e suficiente para expor todas as suas ideias. Ler muito os bons autores é uma excelente forma de aprender – tanto gramática quanto vocabulário.

5 – Descuidar-se da expressão corporal

Os movimentos corporais e as expressões faciais são recursos fortíssimos que favorecem o entendimento entre pessoas. Estima-se que 55% das comunicações humanas se dão pela linguagem do corpo.

Dica: procure desenvolver uma dinâmica corporal particular ao seu estilo, gesticulando com moderação e de forma coerente com o que está sendo dito. O gesto reforça a ideia que está sendo passada, mas o excesso é prejudicial, mais que a falta.

6 – Descuidar-se da sintonia e da conexão com a plateia

A Psicologia Social afirma que, independentemente da nossa vontade, o cérebro humano perde a conexão com o que o cerca de 10 em 10 minutos. Por isso, uma apresentação, mesmo que curta, precisa contar com restauradores de expectativa – os nossos já conhecidos ímãs da atenção.

Dica: de tempos em tempos, “atire” para a plateia os ímãs necessários para magnetizá-la novamente. Qualquer tipo de ímã é válido, seja uma história, uma citação, um provérbio, algo que traga de volta o expectador que estava se desgarrando. Insira esses ímãs em pontos estratégicos do discurso.

7 – Usar termos particulares que não sejam de entendimento geral

As siglas existem em todas as áreas de atividade e cada área tem seu jargão específico. Evite usar esses termos de maneira generalizada em auditórios que não estejam familiarizados com eles.

Dica: se seu uso for indispensável, explique imediatamente seu significado para evitar a fuga da atenção.

8 – Falta de utilização de imagens eloquentes

Apoiar o discurso com imagens é explorar uma característica forte da percepção humana: a capacidade de retenção da memória visual é muito maior do que a capacidade de retenção da memória auditiva. Lembra-se muito mais daquilo que se vê.

Dica: associe os trechos mais importantes de sua fala a boas imagens que sejam fortes, eloquentes. O que for dito nesses momentos permanecerá presente na lembrança do público por mais tempo, em função da associação natural com a imagem que acompanhou o discurso.

9 – Slides mal elaborados e descuido com o texto

Slides bem elaborados e com boas ideias são um apoio excelente. Entretanto, de nada adiantarão, se não for possível lê-los. A dificuldade para se ler o que está projetado afasta seu público de você. Qual, então, o tamanho de fonte adequado?

Dica: imprima um dos slides que tenha texto. Fique de pé e coloque-o no chão, entre seus pés. Se você conseguir ler todo o slide com clareza, ótimo. Toda a sala também vai conseguir.

10 – Falar sem entusiasmo, sem vibração, com postura deselegante

Uma fala hesitante, sem convicção, fará a plateia duvidar da solidez de seus pensamentos. Uma postura deselegante, com os ombros caídos pode passar uma imagem de excesso de humildade ou de negligência. O oposto, empinar o queixo e olhar o público “por cima”, demonstra arrogância e afasta você das pessoas.

Dica: crie um ambiente e um ritmo agradável de comunicação, alternando o volume e a velocidade da fala, cuidando para não cair na monotonia de uma fala inexpressiva, desestimulante e indutora do sono. “Arrogância” é frequentemente atribuída a pessoas que não conseguem fazer perguntas e se interessar por outras pessoas. Perguntam e querem somente informações. Seja diferente: comece perguntando às pessoas sobre seu trabalho, interesses e sobre suas vidas. Faça perguntas sinceras relacionadas aos interesses delas e observe as mudanças acontecendo.

11 – Não estar totalmente preparado para a ocasião

Não cometa o erro maior (aliás, esse erro é reservado para amadores) que é não estar preparado. Não se esqueça de que você é um profissional e sua imagem poderá se deteriorar por causa de uma apresentação medíocre.

Dica: prepare-se o melhor que puder no tempo de que dispõe; conheça seu assunto profundamente; faça uma apresentação atualizada o mais possível; não corra o risco de que seu público possa conhecer o tema mais do que você.

Encerre seu discurso com uma mensagem memorável. Procure transformar sua fala em possibilidade de ação.

Faça sua plateia sentir que valeu a pena estar ali e que cada um está mais enriquecido do que quando chegou.

Por Osório Antonio Cândido da Silva

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Sobre o autor

Osório Antonio Cândido da Silva – Professor da Fundação Vanzolini no curso Comunicação Verbal e Técnicas de Apresentação. Mestre em Ciências da Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero, São Paulo. Professor Especialista em Comunicação Verbal credenciado pelo Management Institute, divisão de Educação Executiva da Robins School of Business da University of Richmond, Virginia, EUA. Bacharel em Ciência da Computação pela UNICAMP. Consultor e autor de uma série de artigos sobre apresentações em público.

*Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão da Fundação Vanzolini.
As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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