A força não precisa estar com você, ela já está!

A força não precisa estar com você, ela já está!

Mark Zuckerberg, do Facebook, colocou uma vestimenta de Jedi na filha recém-nascida e a fotografou ao lado do Chewbacca, do BB-8 e de Darth Vader. Fabricio Bloisi, da Movile, fechou uma sala de cinema para que todos os seus colaboradores fossem assistir a (concorridíssima) estreia no novo filme da série Star Wars. Elon Musk, da Tesla, busca inspiração na obra de George Lucas para a sua empresa de foguetes reutilizáveis (SpaceX).

Desde que foi lançada, em 1977, Star Wars tem não só atraído milhões de fãs e bilhões de dólares em faturamento, mas despertado a Força em muitas pessoas. Quando terminou de ver o primeiro filme produzido para a série, Steve Jobs se viu lutando contra o lado negro da computação. Um pequeno grupo de rebeldes poderia, sim, destruir o Império. As pessoas tinham uma força que já estava com elas, bastava ouvi-la e usá-la. As pessoas saiam do filme com essa ideia, e pelo menos um caminhoneiro, na época com 23 anos, acreditou nisso. James Cameron largou o caminhão para fazer filmes que até fariam mais sucesso do que Star Wars, como Titanic e Avatar.

A explicação dessa força que inspira pessoas a serem mais empreendedoras está na o primeiro filme de Star Wars, produzido por George Lucas.

Você tem a força de uma grande história? Hoje, damos muita atenção ao storytelling. Mas uma grande história sempre vendeu, vende e venderá bem. Vale para tudo… filmes, empresas, produtos e até a possibilidade de ser promovido em uma empresa. Por mais que tenha se inspirado em outras histórias, como Flash Gordon, Os Sete Samurais e Senhor dos Anéis, entre vários, Lucas foi buscar no livro O Herói de Mil Faces, de Joseph Campbell, a história por trás de todas as histórias.  A pessoa do outro lado, um expectador ou mesmo um cliente, é convidado para seguir a Jornada do Herói, em que um indivíduo sai do lugar comum em busca de uma bela aventura e de uma grande recompensa.

Você tem a força de uma grande equipe? George Lucas era um bom contador de histórias, mas não um bom escritor, e sabia disso. A história estava em sua mente, mas tangibilizá-la em texto exigiu quatro versões e quase três anos de trabalho, além das constantes revisões do casal de amigos Willard Huyck e Gloria Katz. Mas foi só a partir dos desenhos de Ralph McQuarrie que as pessoas conseguiram entender o que Lucas estava pensando. Ele também tinha dificuldades na área de produção. Lidar com fornecedores, atores, funcionários e tudo mais o que era operacional foram atividades assumidas por Gary Kurtz. E o primeiro Star Wars ainda teve a contribuição decisiva de Marcia Lucas, sua esposa na época, que conseguiu juntar todas as visões do seu marido, montando a versão final.

Você tem a força do “Uau!”? Ter uma grande história e uma equipe que consiga contá-la não garante o “UAU!” da plateia. E Lucas sabia disso. Por isso planejou (detalhadamente) como tirar o UAU das pessoas nos primeiros dez minutos do filme. Primeiro, não as deixou esperando: foi direto ao ponto, sem apresentar aquela lista de nomes que aparecem no início do filme. Depois, baixou a expectativa, explicando que aquilo ocorreu há muito tempo e em uma galáxia distante. Daí aparece o logotipo enorme de Star Wars criado pela Seiniger Advertising. Lucas queria que aquilo não só intimidasse o espectador, mas que também fosse reconhecido como marca no futuro. Quase que ao mesmo tempo, entra a música triunfante criada pelo maestro John Williams. Daí, silêncio para apreciar um planeta com duas luas e para ouvir os tiros de canhões laser da nave imperial caçando uma espaçonave. Todos os méritos para John Dykstra, que revolucionou os efeitos especiais, e Ben Burtt, que criou os efeitos sonoros lendários, ora sintetizando a voz do seu bebê para o R2D2, ora raspando sua aliança em um cano para produzir o som dos sabres de luz.

Você tem a força dos grandes mestres? Por mais que Lucas tenha imaginado grandes mestres como Qui-Gon Jinn, Obi-Wan Kenobi e Yoda, ele nunca escondeu sua admiração por outros grandes cineastas como Akira Kurosawa e Frederico Fellini. Mas, no dia-a-dia, mesmo que inconscientemente, seus grandes mestres eram alguns dos seus melhores amigos, que tinham a mesma faixa etária e gostavam de competir entre si sobre quem fazia os melhores filmes. No amigo Francis Ford Coppola, Lucas admirava a capacidade de pegar uma história mais simples e transformá-la em um épico. No outro, Steven Spielberg, sua organização na produção e direção de filmes – e, principalmente, como se divertia tanto fazendo isso.

Mesmo que acredite que não tenha nenhuma destas forças, não se preocupe. Nem o próprio Lucas acreditava nisso. Ele achou que o filme não tinha ficado bom e tinha vergonha da sua criação. Para evitar aborrecimentos, dias antes da estreia, em 1977, foi passar férias no Havaí, onde ninguém o questionaria sobre como um personagem inspirado em seu cachorro de estimação saberia pilotar uma nave espacial. Ou como uma lata de lixo que só apitava e tinha o codinome de Rolo 2, Diálogo 2 transmitiria uma imagem holográfica. Ou ainda como um carpinteiro (Harrison Ford tinha ido consertar uma porta do estúdio) seria um mercenário das galáxias e ainda teria o nome de uma marca de copo de papel (Solo).

Mas, mesmo se achando ridículo, uma força difere George Lucas de várias outras pessoas: ele transformou o que sempre sonhou em realidade. “É importante não fazer o que as pessoas acham que você deveria fazer. Nem o que os seus pais acreditam. Ou mesmo seus professores e a sua cultura. Faça o que está dentro de você!”, diz.

Por Marcelo Nakagawa

fonte: Revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios

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Sobre o autor

Marcelo Nakagawa é Professor na Fundação Vanzolini. É membro do conselho da Anjos do Brasil e da Artemísia Negócios Sociais. É colunista da revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios e do Estadão PME, além de ser colaborador da Exame PME. É consultor de empreendedorismo no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e Bradesco. É autor dos livros Empreendedorismo: Elabore seu plano de negócio e faça diferença (Ed. Senac, 2013) e Plano de Negócio: Teoria Geral (Ed. Manole, 2011) e co-autor de Empreendedorismo Inovador: Como criar startups de tecnologia no Brasil (Ed. Evora, 2012), Sustentabilidade & Produção (Ed. Atlas, 2011) e Engenharia Econômica e Finanças (Ed. Elsevier, 2009) . É doutor em Engenharia de Produção (POLI-USP), mestre em Administração e Planejamento (PUC-SP) e graduado em Administração de Empresas (FEA-USP). Na Fundação Vanzolini, ministra aulas nos Cursos de Capacitação em Gestão da Qualidade e de Processos e o Liderança e Gestão de Pessoas.

*Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão da Fundação Vanzolini.
As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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