É preciso inovar o jeito de fazer inovação

É preciso inovar o jeito de fazer inovação

Talvez se mostre confusa tal afirmação, mas ao perceber empresas no mundo inteiro investindo diariamente em ambientes e processos altamente tecnológicos na esperança de inovar, não resta dúvida: o jeito de inovar divulgado por aí não considera o fato de que antes de ser um processo ou até mesmo uma cultura, a inovação é essencialmente humana e, também por isso, precisa de atenção.

É salutar reforçar que é de extrema importância o investimento feito em tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e em melhoria de processos. Entretanto, vale ressaltar que em muitos ambientes, ao passo que se nutre um grande apelo tecnológico, pessoas trabalham aquém de seu potencial e com relações de trabalho arcaicas e sem significado. Um cenário que tem se mostrado insustentável até mesmo para grandes companhias que, em vez de ter uma cultura perene de inovação, mais repetem modelos e criam, esporadicamente, produtos e serviços diferentes – o que é bem distinto de inovadores.

É preciso entender que inovar é humano, não é empresarial. Um CNPJ não inova. Quando falamos em inovação devemos lembrar da capacidade natural do ser humano de criar, e que não é do nada, mas resultado da sua essência e própria vida. Logo, o que é criado é ele mesmo, produto dele e só dele. Sendo assim, do ponto de vista do indivíduo, inovar é ter a capacidade de materializar a mais pura essência de criador. Já nas organizações, a inovação pode ser entendida como a capacidade de sustentar UMA personalidade corporativa alinhada à essência de suas pessoas, tornando-a única desde seu jeito de ser empresa, de fazer o trabalho até a forma como produz resultados concretos.

Para isso, é preciso inovar o jeito de fazer inovação, pois destinar essa tarefa apenas aos “especialistas” da área de P&D, por exemplo, garante um pensar pouco sistêmico e insustentável. É preciso criar uma cultura realmente alinhada e engajada na construção de relações inovadoras e criativas e, claro, geradora de resultados! Note que “relações” amplia o espectro de interferência do processo de inovação, abrangendo não apenas as esferas industriais e de atendimento, mas as mais próximas e humanas também.

Não se trata de reinventar a roda, pois existem diversos empreendedores na historia que são exemplos incríveis de relações inovadoras, de Walt Disney à Mahatma Gandhi, passando pelos modelos colaborativos de negócio, startups sociais e alguns negócios em rede. Agora, o que existe em comum entre eles? E entre as pessoas que os cercam e seguem?

Dentre inúmeras outras coisas, existe uma essência compartilhada, que gerou durante anos e anos aprendizado para todos os envolvidos. Educação em seu estado puro, por meio do simples relacionamento entre a admiração de quem aprende e a contribuição de quem cria um ambiente de aprendizado. O primeiro passo para inovar o jeito de inovar é olhar para as pessoas como humanos em estado de potência, dotados de grande capacidade criativa, não apenas individualmente, mas coletivamente.

Por Anderson Siqueira | Contribuição: Consense

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Sobre o autor

Anderson Siqueira  – É ex-aluno da Fundação Vanzolini, consultor e palestrante nas áreas de governança, inovação e desenvolvimento de pessoas.

*Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão da Fundação Vanzolini.
As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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