Sem Governança Não Há Sucessão

Sem Governança Não Há Sucessão

Em tempos de corrupção em alta é muito comum ouvirmos falar de governança como uma ferramenta mágica para trazer transparência, ética, equidade e valores para as empresas, governos e entidades. Porém esquecemos que a governança sem compreensão do contexto onde estamos, sem a comunicação clara e transparente e sem justiça para todos, está fadada ao fracasso.

Por isto faz-se necessário revermos os princípios que foram semeados na criação das empresas, países, entidades, entre outros e refletirmos sobre a essência destes locais e os princípios de sua existência. Para não divagarmos vamos nos ater ao cenário das empresas.

Geralmente o fundador da empresa, quando a cria, tem um sonho, um ideal, e muitas vezes quando a empresa cresce, ao invés de rever este ideal com os funcionários, fortalecê-lo e ajustá-lo para o momento, o fundador apenas segue em frente , acreditando que somente ele tem condições de gerir e dirigir a empresa, matando aos poucos sua essência, perdendo funcionários, perdendo clientes e qualidade de serviço.

Porque isto acontece? O normal é acontecer porque a comunicação na empresa é falha tanto de baixo para cima quanto no sentido inverso. Cria-se uma distância muito grande entre quem está no comando e quem está operando a empresa. Este buraco nasce pela falta de governança, onde os objetivos, metas e valores da empresa não são falados, discutidos e revalidados, onde as regras não são claras e existem dúvidas sobre o que fazer e o que esperar da gestão, onde não há engajamento por um bem maior e o comum é o funcionário trabalhar em prol do seu próprio interesse. Tudo isto afeta a cadeia produtiva e os participantes do processo da venda até a entrega para o cliente final, trabalham de acordo com a sua visão.

Neste cenário não há como criar um plano de sucessão porque as pessoas que resolvem os problemas diários da empresa tornam-se reféns do seu heroísmo ao trabalhar, entregam o trabalho da sua forma, não há padrão, não há modelo, não há treinamento e não há construção de marca, existe apenas o individuo que o cliente interno ou externo, fornecedor ou colaborador confia para solução dos seus problemas. No curto prazo este tipo de contexto parece ótimo porque os problemas não se acumulam, mas cria-se uma relação doentia, onde a empresa depende de alguns indivíduos que não crescem porque não existe substituto com conhecimento do trabalho e amedrontada em perdê-los, a empresa torna-os intocáveis, impossibilitando o processo de sucessão.

Portanto sucessão não é algo que deve ser pensado somente no nível da alta gestão, mas em todas as camadas da empresa para que as pessoas evoluam, criem elos reais de engajamento, entendam o propósito da empresa e qual o seu papel em cada função. Para isto, uma comunicação clara dos valores, atitudes éticas e responsáveis e principalmente transparência nas relações devem ser vistas como o caminho que cada colaborador da empresa deve ter, entender e praticar para a perenidade do negócio. Os princípios de ética, honestidade, responsabilidade e transparência começam nos atos de cada um de nós. Vamos nos repensar e agir!

Por Renata Frischer Vilenky

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Sobre a autora

Renata Frischer Vilenky – Formada em Tecnologia e Economia, fez MBA em Gestão Executiva de Negócios pelo Insper. Tem mais de 30 anos de experiência na área de projetos e mais de 20 anos em funções gerenciais. Trabalhou em empresas nacionais e multinacionais nos segmentos: Financeiro, Agronegócio, Consultoria, Varejo, Publicidade, Telecomunicações, Construção, Saúde, Cartões e Seguros. Atuou dentro e fora do Brasil , avaliando e implantando soluções para estruturar , incorporar e organizar empresas. É sócia da Consultoria RV Business Solution e atua no Desenho de Planos de Negócios, Projetos de M&A, Reestruturação de Empresas e Lançamento de Produtos e Serviços. Professora convidada do Curso de Pós-graduação em Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas – FGV, Colaboradora do Livro Gestão Estratégica de Clinicas e Hospitais publicado pela Editora Atheneu, Palestrante convidada da Fundação Vanzolini para o PEIEX – Projeto Extensão Industrial Exportadora que, por meio de um convênio com a APEX Brasil, trabalha a capacitação dos micros e pequenos empresários Brasileiros para exportarem seus produtos.

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