Como as empresas devem enfrentar tempos bicudos

Tempos de Crise
Por diversas razões empresas tanto micro, pequena, média e de grande portes podem não sobreviver. Em função das dificuldades financeiras no Brasil, o ano de 2015 apresenta um número maior de pedidos de recuperação judicial. De acordo com um levantamento realizado pela Boa Vista SCPC, ao comparar os períodos de janeiro a setembro deste ano com o anterior, houve um aumento de 13,6%.

Segundo Roberto Lima, professor de finanças na Pós-graduação em Administração Industrial da Fundação Vanzolini, a chave em garantir a sobrevivência das empresas está em observar o trinômio: controle da rentabilidade do negócio, como financiar os recursos necessários e, por último, a manutenção de adequados níveis de liquidez.

“O motivo principal do fechamento de empresas é a falta de caixa. A crise atual afeta tanto as empresas grandes, pequenas, jovens e tradicionais. O que difere o tamanho do impacto é o mercado de atuação. Por exemplo, construção civil está sentindo mais que o setor de alimentação. Para evitar a falência, neste momento, a estratégia é proteger o caixa, reduzir as atividades, cortar os gastos e postergar os investimentos”, afirma Lima.

O acadêmico avalia ainda que há uma diferença entre as empresas que estão há mais tempo no mercado em relação às mais novas. “As organizações mais maduras já ultrapassaram o desafio de conseguir emplacar os produtos e serviços que o mercado estava disposto a consumir. Assim, possuem condições operativas que remuneram seus negócios durantes anos. Já os novos empreendimentos devem se atentar no desenvolvimento do que vão apresentar, construir uma estrutura capaz de fornecer produtos em condições de rentabilidade e, por fim, conquistar o share de mercado”, declara Roberto Lima.

Abaixo, o professor da Fundação Vanzolini lista em cinco passos quais são os principais fatores que devem ser observados no momento da elaboração do Plano de Negócios de novos empreendimentos, para reduzir os riscos:

Dedicar tempo ao cenário

Nas décadas de 70 e 80 muitos empreendimentos foram montados no Brasil com a lógica de copiar produtos disponíveis no exterior e fabricá-los localmente. Pouca atenção era dada à qualidade e aos custos. Com a liberação de importações na década de 90, muitas empresas perderam totalmente sua razão de existir.

O que o cenário atual nos apresenta? Aparentemente estamos iniciando um período de forte reestruturação em nossa economia. Com esta nova taxa de câmbio, que pelo jeito veio para ficar neste patamar por um longo tempo, as empresas que orientaram seus negócios baseados em componentes e produtos importados terão que repensar sua estratégia. Da mesma forma muitas possibilidades de exportação vão se reabrir para as empresas brasileiras.

Identificar fatores de risco

Questionar – por que não vai dar certo? Através de um exercício bem conduzido é possível identificar os principais fatores que podem inviabilizar o negócio. Medidas alternativas devem ser planejadas para a emergência de risco. Quanto antes identificada a sua urgência, maior a chance de ser superado. No Brasil em que a economia tem um comportamento mais volátil e as taxas de juros são muito elevadas as empresas devem operar menos alavancadas, isto é, com menos financiamentos.

Aferir cuidadosamente a capacidade de executar os compromissos

Neste caso, são tratados os aspectos internos. Portanto, é importante que o empreendimento não apresente falhas por fatores que temos em mãos. Há recursos necessários? Será possível desenvolver os produtos no prazo proposto? Há conhecimento para acessar o mercado? Temos as pessoas certas?

Criar referências/eventos que permitam aferir a evolução

O desenvolvimento de novos negócios tem no aspecto risco empresarial um comportamento peculiar. À medida que avança a sua implementação, o risco diminui. Isto decorre do fato que as diversas previsões de custos, prazos, comportamento de mercado, entre outros, se materializam. Assim, pode-se dizer que o risco é máximo quando praticamente nenhum recurso foi aplicado e mínimo após a totalidade da aplicação ter sido feita. Uma boa forma de reduzir os riscos de perdas é estipular reavaliações periódicas do investimento durante sua implementação, que devem ser tão mais rigorosas quanto mais no início estiverem os gastos e não o contrário como usualmente é feito. Os cuidados com o controle só devem se esgotar quando o projeto estiver em pleno funcionamento com o acompanhamento das premissas de mercado e da contratação dos financiamentos conforme planejados.

Ter em mente que a percepção do risco de insucesso não pode funcionar como algo que paralise as iniciativas e os novos empreendimentos

Pelo contrário, tem de ser visto como algo importante para que se consiga efetivamente alcançar os objetivos traçados. Ignorar os riscos não vai aumentar a chance que o empreendimento venha a ser feito.

Fonte: Canal Executivo

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