Saúde Doente

Saúde Doente
Recentemente, a Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) deu prazo de 30 dias para que a Unimed Paulistana efetuasse a venda de sua carteira de clientes. Ao todo, serão remanejados os planos de saúde de, aproximadamente, 740 mil segurados. Não discutiremos aqui a baixíssima probabilidade de que a migração dos planos ocorra neste exíguo período, tampouco os prejuízos financeiros que certamente serão impostos à rede de prestadores de serviços: médicos, clínicas, hospitais e laboratórios. Infelizmente, se nada for feito imediatamente, este não será um caso isolado, pois o envelhecimento da população e os crescentes custos de procedimentos e exames contribuirão para que as organizações da Saúde obtenham margens de lucro cada vez menores, reduzindo sua capacidade de investimento e porque não dizer, a expectativa de continuidade de suas as atividades!

Tão preocupante quanto a situação financeira precária é a percepção que os usuários têm sobre o sistema de Saúde (público e privado): nada menos que 58% da população brasileira apontaram a Saúde como o principal problema do país, em meados de 2014!

Mas quais seriam as alternativas? Normalmente, aponta-se a escassez de recursos (mão de obra especializada, equipamentos e instalações, por exemplo) como a principal causa deste quadro e consequentemente, a necessidade de maiores investimentos como solução. Contudo, mesmo em países que investem na Saúde quantias substancialmente maiores que o Brasil (8% do PIB-2011), tais como os Estados Unidos (18% do PIB-2011), por exemplo, os números são desanimadores: em 2013, o número de óbitos de norte-americanos em virtude de erros médicos foi menor apenas que o das mortes decorrentes de ataques cardíacos (1ª causa) e câncer (2ª causa)!

Contudo, vem dos Estados Unidos um caminho para revertermos este quadro: segundo ranking do US News & World Report, todos os 15 hospitais mais bem avaliados utilizam o Lean Thinking como filosofia de gestão. Focando na busca e eliminação sistemática de desperdícios – atividades que não agregam valor segundo a ótica do cliente, ou melhor, do paciente – quando aplicado de forma adequada, necessitando de pouquíssimos investimentos, o Lean Thinking proporciona “ganhos de dois dígitos” também na área da Saúde: No Western Pennsylvania Hospital, o tempo médio gasto para registrar pacientes baixou de 36 minutos para 3 minutos, assim como a proporção de pacientes que chegava às consultas com resultados de exames de laboratório incompletos baixou de 7 em 42 para zero!

Felizmente, alguns de nossos Hospitais, tais como o Instituto de Oncologia do Vale do Paraíba (IOV) vêm aplicando o Lean Thinking e obtendo resultados muito promissores. Mais do que um desejo, nossa esperança é que iniciativas como a do IOV sirvam como remédio para um sistema que está gravemente doente!

Por Carlos Moretti

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Sobre o autor
Carlos Eduardo Moretti: Formado em Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo possui mais de 20 anos de experiência em melhoria de processos. Recebeu treinamento nas técnicas do Toyota Production System (STP – Lean Manufacturing) diretamente dos Senseis da Toyota do Brasil, Canadá, Venezuela e Japão. Tem apoiado empresas dos segmentos de autopeças, gráfico, lavanderia industrial, produção de alimentos (food & pet food), lentes para óculos, calibração de instrumentos de medição, colheita e plantio mecanizados de cana de açúcar, projeto de tubos flexíveis, seguros e corretagem de seguros em sua jornada para alcançar a excelência no Pensamento Lean; no Brasil, Estados Unidos, México, Venezuela, Polônia e Itália. Palestrante convidado do curso de graduação em Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Co-autor do livro “Toyota by Toyota: Reflections from the Inside Leaders on the Techniques That Revolutionized the Industry”. Professor nos cursos de Lean Thinking da Fundação Vanzolini.

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