Inovar x Solucionar Problemas: importantes e diferentes caminhos que podem se sabotar

Inovação x Solução de Problemas
Uma palavra que deriva do latim, innovatio, e que se relaciona ao ato de tornar novo, esta é a etimologia de inovação.

É a etimologia que nos permite conhecer a evolução do significado de uma palavra, descobrir seu verdadeiro sentido e conhecê-la de forma mais completa.

Este entendimento é essencial para podermos identificar aquilo que realmente nos cabe ao analisar uma palavra.

No caso da inovação, sua relevância nos dias atuais tem alcançado elevados patamares.

Algo crítico e essencial para toda organização, e porque não dizer, a qualquer pessoa que pretende ter sucesso no atual mundo corporativo.

É cada vez mais frequente vermos a característica da inovação, ser inovador(a), como se fosse um selo de boa qualidade ou excelência.

Até mesmo em currículos, é possível observarmos sua presença.

Também é inegável e plenamente justificável este uso, por mais que a realidade esteja longe de comprovar que empresas e pessoas sejam realmente inovadoras.

A forma como o mercado em geral, isto é, a maioria das pessoas que faz parte dele, costuma utilizar o termo inovação, dá uma clara sinalização que através dela todos, ou a maior parte, dos problemas serão resolvidos.

Um equívoco gigantesco, talvez proposital, mas que certamente nos leva a uma análise de seu real significado.

Poucos, pouquíssimos ou até mesmo quase nenhuma dos problemas ou metas estabelecidas para uma organização serão resolvidos através do “tornar novo”.

O caminho para solucionar um problema e/ou atender uma meta não passa, necessariamente, pela inovação.

Mais… raramente tem a ver com ela.

O caminho para a inovação também não garante que qualquer meta seja alcançada ou problema possa ser solucionado, embora neste caso, possa eventualmente ocorrer, ainda que seja raro.

Focar a inovação tendo em vista resolver problemas, é levantar muros que limitam a amplitude de sua relevância.

É sabido que grande parte das situações inadequadas presentes no mundo corporativo está intimamente ligada aos equívocos de processos, que podem passar desde o planejamento até mesmo falhas básicas de gestão.

Ao se colocar no mesmo balaio as demandas por “inovar”, “solucionar problemas” e “atender metas” comete-se um erro crasso que irá gerar maior dispêndio de custo, tempo e qualidade para atender cada uma delas.

Acaba por levar a estruturação de iniciativas que têm um resultado certo, o nada.

Por conta da oportunidade, apenas para exemplificar, cabe indicar os programas de ideias que muitas empresas costumam estruturar.

Considerado, equivocadamente, como um importante tiro de partida para a inovação, este tipo de programa costuma ter como foco a adoção de ações e/ou iniciativas que estão atreladas ao atendimento do tripé: custo, qualidade e prazo.

Isto ocorre justamente pelo temor em identificar ideias que não tenham qualquer aplicabilidade a curto e, até mesmo, a médio prazo.

Enfim, o medo faz com que o objetivo do programa de ideias gere seu próprio fracasso.

Um claro e límpido exemplo de autossabotagem.

Assim como também é acreditar que ideia, seja ela qual for, tenha uma restrita ligação com inovação.

Conforme seu próprio significado indica, uma representação mental de algo concreto ou abstrato, ideia, pode ser expressada através de uma opinião, intenção, predisposição, expectativa e, até mesmo, de uma inovação.

Por conta disso, a vida da maioria dos programas de ideias, consiste em uma grande adesão em seu começo, seguida da adoção de algumas, poucas, sugestões para resolver alguns problemas e que se encerra no pleno abandono de todo programa.

Uma mera questão de semântica?

Certamente não, apenas algo a ser analisado com maior atenção.

Como já disse alguém, que não me recordo, se o caminho é fácil, possui grandes chances de não ser o certo.

Inovar é algo importantíssimo, cujo caminho é escuro e repleto de armadilhas, mas que apresenta um destino iluminado e consistente.

Justamente por isso é essencial que esteja inserido em um processo muito bem estruturado e compreendido por todos que dele fazem parte.

Por José Renato Santiago

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Sobre o autor
José Renato Sátiro Santiago Junior – Professor da Fundação Vanzolini no MBA Executivo em Gestão de Operações – Produtos e Serviços, na pós-graduação em Gestão de Projetos em Tecnologia da Informação e no curso de capacitação de Aplicações para Gestão Estratégica do Conhecimento. Grande experiência no desenvolvimento de atividades relacionadas à Administração de Empresa, Gestão de Pessoas, Gestão de Projetos, Inovação e Gestão do Conhecimento. Atuação por mais de 20 anos em empresas nacionais e multinacionais nos segmentos de Óleo e Gás, Engenharia, Telecomunicações, Construção, Farmacêutico, Eletro-Eletrônico e Bens de Consumo. Mestre e doutor em Engenharia pela USP com pós-graduação em Marketing pela ESPM. Autor de dezenas de livros e artigos, dentre os quais se destacam, “Gestão do Conhecimento – A Chave para o Sucesso Empresarial.”, “Capital Intelectual – O Grande Desafio das Organizações.” e “Buscando o Equilíbrio”. Professor da FIA e PUC em cursos de MBA (Master of Business Administration). Administrador do site Boletim do Conhecimento onde publica artigos e ideias cujo tema central é o Mundo Corporativo, com cerca de mais de 10.000 leitores semanais.

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