Por dentro da inteligência competitiva

Inteligência Competitiva
No contexto das transformações econômicas e tecnológicas das últimas décadas, as organizações precisaram se reinventar para sobreviver ao ambiente cada vez mais turbulento e competitivo. Não por acaso, a academia tem se esforçado também para traduzir essas mudanças e refinar os modelos teóricos já disponíveis.

Sistemas flexíveis de produção, redes de cooperação produtiva, empresas virtuais, inovação em rede, sustentabilidade: conceitos recentes que exprimem a necessidade e o esforço desta sociedade em adaptar seu conhecimento. A inovação, por exemplo, já é tratada pelas empresas como um assunto de importância estratégica e, por outro lado, já podemos afirmar que ela depende da constituição de redes formais e informais de cooperação, capazes de catalisar o desenvolvimento de novos produtos e serviços. Em outras palavras, ela exprime um processo de criação de conhecimento.

Na prática, essas mudanças refletem os impactos da chamada sociedade da informação. A velocidade de produção de dados, a acessibilidade aos meios de comunicação e a disponibilidade (e o excesso) de informações são exemplos desta transformação social que constituem o atual cenário organizacional: aqueles que não se organizam para tratar esses fluxos de informação tendem a enfrentar questões estratégicas cada vez mais complexas.

Hoje, podemos obter vantagem competitiva através da gestão do conhecimento, extraindo valor daquilo que nos é mais abundante: a informação. Para isso, devemos reunir esforços e entender os processos de extração e criação de valor a partir dos conceitos de inteligência competitiva.

A inteligência competitiva, ou IC, é um programa sistemático que consolida os processos de coleta, análise e disseminação de conhecimento estratégico pela empresa. Ter a informação certa deixou de ser suficiente para uma boa decisão estratégica; a informação certa precisa estar disponível no tempo certo para o executivo certo.

Imagine o cenário empresarial no qual os executivos estão envolvidos com as atividades cotidianas da empresa e recebem informações de diferentes fontes: opiniões da equipe relacionadas a um determinado assunto, mas que demanda muito tempo para chegar a um consenso; relatórios periódicos de diferentes departamentos e, geralmente, com informação em excesso; relatórios de desempenho com alguns indicadores, mas que por vezes requerem maior detalhamento e estudos específicos para uma tomada de decisão pontual, sem que haja um preparo dos sistemas da empresa.

Ora, em meio a essa grande quantidade de dados e informações disponíveis, que por vezes são conflitantes, não é racional esperar por decisões que sejam capazes de avaliar todos os impactos estratégicos sem o tratamento consistente e sistemático dos processos de IC. Felizmente, todos esses mecanismos de coleta, análise e disseminação de inteligência podem ser melhorados com pequenas adaptações nos sistemas de informação da empresa. E isso tem se tornado cada vez mais comum, ano após ano, no ambiente corporativo.

No Brasil, não somos diferentes: nossos gestores também precisam tomar decisões mais assertivas; para isso, devemos estimular a prática de IC. Temos, contudo, diferentes nomes para este processo: inteligência competitiva, inteligência de mercado, inteligência de negócios, business intelligence. O fato é que, independentemente do nome utilizado, precisamos cada vez mais de iniciativas e soluções eficientes em gestão de informação estratégica da empresa. É necessário transformar nossa informação em inteligência.

Por este motivo, desenvolvemos um modelo simples e objetivo de entendimento e implantação da IC. Nosso modelo contempla:

  • Monitoramento ambiental: processo de aquisição e uso de informações sobre eventos do ambiente externo à organização, com o objetivo de evitar surpresas, identificar oportunidades e ameaças, obter vantagem competitiva e estabelecer melhores planos de curto e longo prazo;
  • Business intelligence (BI): conjunto de ferramentas tecnológicas que podem ser utilizadas em diferentes processos de gestão da informação;
  • Gestão do conhecimento: prática de agregar valor à informação e distribuí-la pela empresa, tendo como foco o desenvolvimento do seu capital intelectual e da sua cultura organizacional;
  • Estratégia: é o produto resultante do processo de decisão que descreve a fórmula sobre a qual a empresa compete no mercado sendo muitas vezes traduzida em metas e políticas;
  • Decisão: processo cognitivo pelo qual se opta por um plano de ação, em detrimento de outros, baseado em análise de fatores que compõem uma situação-problema.

Por Olavo Viana | Fonte: Revista Em Foco

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Sobre o autor

Olavo Viana Cabral Netto – Doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo, possui graduação (2007) e mestrado (2011) pela mesma instituição e MBA pela Fundação Instituto de Administração – FIA (2012). Atualmente, é palestrante e professor convidado na Fundação Vanzolini, na FIA e no Mackenzie. Além disso, tem experiência no mercado financeiro, especificamente no desenvolvimento e gestão estratégica de produtos, com especialização no tema inteligência competitiva e business intelligence.

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