A viabilidade de projetos em dez lições

Viabilidade de Projetos

É difícil entender por que os textos sobre Estudos de Viabilidade de Projetos omitem completamente a análise da viabilidade técnica, como se esta fosse implícita e automática. No entanto, não é possível imaginar um projeto viável economicamente sem ser tecnicamente viável.

Para mostrar como essas duas etapas estão imbricadas, apresenta-se a seguir um roteiro para a condução metódica da Análise Técnica da Viabilidade.

1 – Em um contexto organizado de condução de projetos, o Estudo da Viabilidade se segue a uma fase inicial de planejamento do projeto na qual objetivos técnicos, econômicos e financeiros terão sido consensualmente estabelecidos pela empresa.

2 – O Estudo Completo da Viabilidade inicia-se pela explicitação das funções a serem exercidas pelo produto (ou processo, serviço ou sistema) e a correspondente nomeação dos subsistemas que as exercerão.

3 – A seguir, serão propostas soluções possíveis para cada uma dessas funções, em sessões de “palpitagem” coletiva (“brainstorming” ou “brainwriting”). É nessa etapa que as inovações poderão surgir, como respostas diretas à liberdade de expressão e estímulo à criatividade que a empresa proporcione aos seus colaboradores.

4 – A organização das soluções propostas para cada função permitirá a montagem em uma matriz de síntese, formando um conjunto de possíveis soluções técnicas para o produto.

5 – A análise técnica começará pela avaliação da capacidade de cada uma das soluções possíveis em atender os requisitos técnicos funcionais e operacionais estabelecidos no planejamento. Essa tarefa consiste em verificar se cada solução proposta poderá atender requisitos como desempenho, segurança, confiabilidade e todos os outros. Cada análise produzirá conclusões positivas ou negativas, a serem completamente documentadas. Essa função será mais simples em projetos evolutivos, mas exigirá empenho, competência e poderosos recursos técnicos no caso de soluções inovadoras. Os relatórios terão portes bem diferentes: desde uma simples nota sobre pesquisa bibliográfica até extensos conteúdos baseados nos resultados de testes e simulações. O produto desse trabalho será um conjunto de soluções viáveis em termos de atendimento aos requisitos técnicos. Nessa etapa, ocorrerá a pesquisa de patentes e, muito importante, o envio ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) dos pedidos de registro de patentes de eventuais soluções inovadoras.

6 – Mas a viabilidade técnica ainda não está assegurada. É preciso também verificar a viabilidade de projeto, fabricação (e/ou implantação) e fornecimento, na qualidade, prazo e volume necessários para o projeto.

7 – A viabilidade de projeto verificará a capacidade técnica da empresa de projetar, prototipar, testar e certificar a solução. A equipe técnica da empresa pode ou não deter ou desenvolver a tecnologia; a contratação de novos técnicos ou, ainda, a terceirização de parte do projeto podem ou não ser possíveis pela existência de competência externa disponível no prazo previsto para o desenvolvimento. Nessa verificação, será imprescindível a participação ativa das áreas de suprimentos e recursos humanos da empresa.

8 – A viabilidade de fabricação e fornecimento será verificada pelas áreas de processos e suprimentos da empresa sobre as soluções sobreviventes à etapa anterior. Nesse momento do projeto impõe-se fortemente a chamada Engenharia Simultânea, pela qual as áreas de projeto transferem à manufatura todas as informações necessárias para a síntese de soluções de fabricação e suprimento. Nessa fase, repetem-se de forma análoga às etapas 2, 3, 4 e 5 acima, incluindo a geração de inovações, para os processos de fabricação. A participação e o comprometimento de todas as áreas, em especial dos  fornecedores mais importantes, é mandatória. As soluções sobreviventes são consideradas viáveis em termos de fabricação e fornecimento.

9 – O estudo da viabilidade técnica aqui terminado fornece as soluções tecnicamente viáveis, as quais (e somente elas) passarão à análise de viabilidade econômica e financeira do projeto.

10 – Assim, fica claro que não há sentido algum em executar análises econômica e financeira de soluções ainda não viáveis tecnicamente.

Ref. : Madureira, O. M. de – Metodologia do Projeto – Planejamento, Execução e Gerenciamento, Editora Blucher, São Paulo, 2010.

Por Omar Madureira | Fonte: Revista Em Foco

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Sobre o Autor
Omar Moore de Madureira
 – Graduado em Engenharia Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1960) e mestrado em Engenharia Mecânica – Purdue University (1963). Foi professor do curso de Engenharia Mecânica da EPUSP entre 1961 e 1995. Atuou como gerente na engenharia de produtos na Ford Brasil e como diretor técnico da Promec – Projetos Mecânicos SC Ltda. Atualmente é consultor em Dinâmica de Veículos e Gestão de Projetos – Madureira Engenharia Ltda, professor da SAE Brasil, professor da Fundação Vanzolini no curso de Capacitação em Gestão de Projetos, atuando nas seguintes áreas: projeto de veículos automotores, dinâmica e segurança veicular e gestão e metodologia de projetos.

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