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Saúde desperdiça milhões por má gestão

Seminário Gestão de Sistemas de Saúde

Presidente da Fundação Vanzolini, o Prof. João Amato fez a abertura do seminário e iniciou o debate sobre a saúde.

O setor da saúde no Brasil desperdiça entre vinte e cinco e a trinta por cento dos 500 bilhões de reais gastos anualmente na área pública e privada. Os números são do próprio setor. A revelação foi feita pelo professor João Amato Neto, durante o Seminário Gestão de Sistemas de Saúde, promovido pela Fundação Vanzolini. Saiba +

Durante o encontro o ex-ministro da saúde Arthur Chioro, disse que também há subfinanciamento da saúde pública uma vez que hoje o Brasil destina R$3,00 per capita, por dia, para dar resolução da vacina ao transplante.

Segundo o professor Amato “a principal causa do desperdício é a má gestão dos recursos e evidencia a necessidade de se aperfeiçoar a capacitação dos gestores na área da saúde uma vez que o problema reflete a baixa qualidade dos serviços prestados”.

O problema da má gestão se reflete em todos os segmentos do setor da saúde, como hospitais, laboratórios, pronto socorros, clinicas médicas, alem do problema do destino do lixo hospitalar. Em primeiro plano estão os problemas na gestão de operações. Para o professor João Amato, a metodologia da engenharia de produção pode oferecer soluções para o setor da saúde. Citou como exemplo o trabalho da Fundação Vanzolini que tem em seu portfólio mais de 220 projetos realizados no setor.

Professor do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, e presidente da Fundação Vanzolini, João Amato lembrou que a engenharia de produção pode dar uma grande contribuição para a o setor da saúde, uma vez que foi concebida como a área da engenharia que tem como objetivo a análise de sistemas integrados de máquinas equipamentos, materiais, pessoas, energia, e meio ambiente, “portanto a produção de serviços numa unidade de saúde também deve ser objeto de gestão de processos, logística, materiais, gestão de recursos humanos, previstas em todas as subdivisões da engenharia de produção”.

Três reais por habitante

Seminário Gestão de Sistemas de Saúde

O ex-ministro da saúde Arthur Chioro durante sua palestra no evento da Fundação Vanzolini,

“Somando os gastos das prefeituras dos estados e da união, nós tivemos no ano passado três reais por habitante, por dia, para garantir da vacina ao transplante”. A afirmação é do médico sanitarista Adhemar Arthur Chioro, ex-ministro da Saúde,um dos palestrantes do Seminário Gestão de Sistemas de Saúde promovido pela Fundação Vanzolini, dia 28, em São Paulo. Segundo ele é preciso considerar que há subfinanciamento na saúde e que não se pode deixar de lado o objetivo de criar um sistema de saúde para todos os setores da sociedade “a não ser que adotemos como referência, como regra de vida, que só terá acesso aos serviços de saúde quem sustenta a compra de serviços pela loja e que não cabe ao estado e a sociedade zelar por quem mais precisa”.

Ao traçar um diagnostico da saúde pública no Brasil, o ex-ministro da saúde lembrou que Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que adotou um sistema universal de saúde. Afirmou ainda que até 2018, os estados e municípios vão arcar com 70 por cento dos gastos de saúde, mas eles não terão capacidade financeira de arcar ou ampliar os serviços. Outro dado importante é que desde 2004 o Ministério da Saúde não tem mais nenhum contrato com prestador. Todos eles são geridos pelos governos estaduais ou pelos governos municipais. O Ministério da Saúde formula a política e a gestão é toda descentralizada. São 26 estados e um Distrito Federal, 5.500 municípios q provedores de saúde, operadores sistêmicos. Adhemar Chioro lembrou que 70% deles têm menos de 20 mil habitantes e com uma capacidade reduzida de garantir atendimento.

O ministro da saúde defendeu ainda o sistema público de saúde: “Para quem passa todo tempo achando o SUS um desastre, não reconhece os inúmeros avanços que impactaram sobre a diminuição da mortalidade infantil, materna, o prolongamento da vida, a melhoria dos indicadores. Para a criação de um país mais justo, eu não tenho dúvidas que o SUS é um diferencial. E sem um sistema público nós teríamos uma barbárie”.

Saiba + e confira os vídeos deste seminário.


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