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Pioneira na difusão da Qualidade

Na época, quando o movimento chegou ao país, a entidade foi uma das três organizações reconhecidas pelo governo brasileiro para capacitar outras na questão da qualidade. “A Fundação Vanzolini foi nucleadora do processo e, com isso, participamos de várias missões aos países desenvolvidos. Neste primeiro momento, treinamos cerca de 40 mil profissionais de várias empresas. Vislumbramos também a importância da certificação no processo. E nos tornamos a primeira entidade nacional credenciada para certificar empresas pela ISO 9000”, lembra Melvin Cymbalista, diretor da área de Qualidade da Fundação Vanzolini. Hoje a Fundação é a maior entidade certificadora brasileira e trabalha com um grande escopo em certificação em várias áreas, além de deter o maior número de certificações no país.

A partir disso, o parque industrial brasileiro passou por uma mudança significativa em relação à Qualidade, seguido também pelo setor de serviços e agronegócios. “Conseguimos que o conceito de Qualidade se tornasse intrínseco nas empresas. Agora, dentro do escopo da Qualidade se inclui também a sustentabilidade, que passa a se incorporar na visão estratégica das empresas”, esclarece o professor.

Por isso, Qualidade é uma questão que já entrou na pauta das empresas há um bom tempo. No Brasil, grandes e médias empresas já encaram a questão como rotina, com a adoção da certificação pela série de normas ISO 9000. Atualmente, o movimento se intensifica entre as micro e pequenas organizações, que vêm buscando agregar qualidade aos seus processos, produtos e serviços.

A Qualidade nasceu da busca pela padronização dos processos industriais, no início do século XX e começou pela área eletrotécnica, com a constituição, em 1922, da International Electrotechnical Commission (IEC). Depois da segunda guerra mundial, com a criação da International Organization for Standardization (ISO), em 1947, hoje presente em 157 países, o conceito avançou no sentido de promover a normatização de produtos e serviços, tendo como base a melhoria contínua.

Movimento pela Qualidade

Na década de 1970, o movimento pela Qualidade começou a disseminar-se no setor industrial. Dessa maneira, teve início uma mudança de postura que passou a considerar o conceito de satisfação dos clientes. Gradativamente, a incorporação da visão do consumidor tornou-se norteadora da produção. Segundo o professor Cymbalista, três visões se disseminaram na mesma época: a da qualidade do processo industrial, onde se buscava a otimização produtiva e a redução de perdas; a de que a qualidade deveria envolver todas as pessoas e departamentos da organização; e a visão mais formal, de implantação de uma estrutura com documentação, que pudesse garantir que o conhecimento adquirido sobre a qualidade não se perdesse.

Essas três visões convergiram e hoje são integrantes do conceito da Qualidade. Porém, na década de 1980, ocorreram divergências entre os partidários de cada versão, sendo que a primeira era aplicada nos Estados Unidos; a segunda, que privilegiava o RH, predominava no Japão; e a terceira, que focava a formalização, era corrente nos países europeus.

“Em meados da década de 1980 até 1990, os três pontos de partida se mesclaram. No Brasil, no final dos anos 80, o start up foi dado pelo governo, quando foi lançado o Programa de Especialização e Gestão da Qualidade, que já levava em conta os três pontos”, lembra Cymbalista. Nessa época, a Petrobras assumiu um papel importante na visão estratégica da Qualidade e acabou agindo como carro-chefe do processo, ao exigir de seus parceiros e fornecedores a certificação pela ISO 9000. Além da Petrobras, as indústrias eletrônica e automobilística também foram pioneiras na implantação das políticas da Qualidade. “Nos anos 2000, predominou a idéia de que não bastava atender às necessidades dos clientes, mas fazer parceria com eles. Atualmente, a Política da Qualidade também inclui o meio ambiente (ISO 14000) e a sociedade como um todo (ISO 26000)”, conclui Cymbalista.