Notícia

Outra maneira de ensinar jovens e adultos

Imagine um encontro entre o socialista Marx e o liberalista Adam Smith. O que um falaria para o outro? Quais são os métodos usados pelos escritores Ignácio de Loyola Brandão e Regina Echeverria para escrever uma biografia? E como a pontuação das escolas de samba no carnaval paulista pode ensinar os números decimais?

O Programa Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho quer oferecer estratégias didáticas que incentivem o estudante a pensar, a superar as dificuldades de aprendizagem e a compartilhar de forma criativa e lúdica o conhecimento das várias disciplinas em sala de aula.

  São dois anos de curso preparados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (SDECT), em parceria com a Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap). A Fundação Vanzolini foi chamada para fazer a gestão editorial dos doze Cadernos do Estudante e dos doze Cadernos do Professor, bem como a produzir os duzentos vídeos que oferecem apoio pedagógico aos conteúdos abordados.

“Boa parte das pessoas com baixa escolaridade que frequentavam cursos de qualificação profissional tinha um aproveitamento abaixo da média. O foco dos cursos era desviado para elevar essa escolaridade, e a qualificação ficava comprometida”, declara Juan Carlos Sanchez, coordenador de Ensino Técnico, Tecnológico e Profissionalizante da SDECT. “Foi o caminho contrário: ao invés de investirmos na escolaridade em cursos profissionalizantes, produzimos um material que conectasse a educação formal ao trabalho.”

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-2007), 42,7% dos 8 milhões de pessoas que frequentaram as salas de EJA, em todo o Brasil, desistiram antes de concluir o curso. “O EJA – Mundo do Trabalho quer mudar essa estatística”, afirma Juan.

Qualidade editorial e de cinema

Quando a Fundação Vanzolini foi procurada pela Fundap e pela SDECT, pensou, junto com elas, em soluções para desenvolver um material diferenciado, que despertasse nesses estudantes a vontade de continuar na escola. Uma das soluções foi conectar os temas tratados pelo currículo formal com situações cotidianas. Outra, foi produzir vídeos de apoio pedagógico aos Cadernos do Professor e aos Cadernos do Estudante, com qualidade de cinema.    Para o já citado encontro de Karl Marx e Adam Smith, o cenário foi uma taverna do fim do século XIX e os atores, caracterizados por figurinos de época.

Na disciplina Matemática, para tratar de frações, os repórteres foram às ruas com oito tortas divididas em fatias e tamanhos distintos e perguntaram ao público se havia diferença entre os tamanhos. No mesmo dia, em outro ponto da Praça da República, a equipe de Língua Portuguesa convidava as pessoas a se sentarem a uma mesa e escreverem a sua própria história, em um vídeo que aborda a autobiografia.

Na produção editorial dos 24 Cadernos trabalham editores, pesquisadores, revisores e produtores gráficos. A exemplo do que a Fundação Vanzolini faz em todos os projetos, criou também uma equipe de leitores críticos especializados em diversas áreas, que analisa e verifica o material produzido, para oferecer subsídios ao seu aperfeiçoamento. “A avaliação das prefeituras que participam do projeto tem sido extremamente positiva. É uma nova maneira de ensinar os jovens e adultos”, explica Juan Sanchez. “Ser parceiro da Fundação Vanzolini nesse projeto foi uma grata surpresa porque o trabalho não ficou restrito às especificidades de um contrato. A construção é em conjunto e a Vanzolini sempre se preocupa em apresentar as melhores soluções possíveis”, garante o coordenador da SDECT.

Saiba mais: Os vídeos e Cadernos do 6º e do 7º ano estão no site http://www.ejamundodotrabalho.sp.gov.br. O conteúdo do 8º e do 9º ano está em fase de produção.